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Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (2025) — fé, hipocrisia e um crime impossível
Benoit Blanc retorna para resolver seu caso mais perigoso até agora.
Personagens
- Daniel Craig — Benoit Blanc
O excêntrico e brilhante detetive retorna, agora lidando com um caso que testa não apenas sua inteligência, mas também sua moral.
- Josh O’Connor
- Glenn Close
- Josh Brolin
- Mila Kunis
- Jeremy Renner
- Kerry Washington
- Andrew Scott
- Cailee Spaeny
- Thomas Haden Church
História
O padre Jud chega a uma pequena e pitoresca cidade com a esperança de servir a Deus, mas encontra apenas suspeitas quando o pilar da comunidade é assassinado repentinamente. Rotulado como forasteiro e principal suspeito, o jovem padre é forçado a unir forças com o detetive Blanc para desmascarar o verdadeiro assassino.
Pode Ver Sem Medo
Rian Johnson decidiu abrir Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out de um jeito pouco ortodoxo — e bastante eficaz. O filme começa com um recurso narrativo deliciosamente anacrônico: uma carta escrita à mão (!), lida em voz off pelo Reverendo Jud Duplenticy (Josh O’Connor). Nome marcante, convenhamos. Tão marcante que dá vontade de pedir desculpas antes mesmo de pronunciá-lo.
Blasfêmia? Talvez. Três Ave-Marias, dois joelhos ralados e seguimos em frente.
Para poupar o teclado — e a consciência — vamos chamá-lo apenas de Jud.
Na carta, Jud confessa ter dado um soco na cara de um diácono particularmente idiota, o que lhe rendeu uma punição exemplar aplicada pelo Bispo Langstrom (Jeffrey Wright). Wright, aliás, faz o que sabe fazer de melhor: solta palavrões com uma naturalidade quase poética, mesmo quando o texto não ajuda tanto assim. O castigo de Jud é o exílio espiritual para Chimney Rock, uma daquelas cidades que parecem ter sido esquecidas por Deus… ou talvez escolhidas por Ele como experimento social.
É ali que fica a paróquia de nome nada sutil Nossa Senhora da Perpétua Fortaleza, comandada pelo Monsenhor Jefferson Wicks (Josh Brolin). Um líder religioso carismático, autoritário, misógino, homofóbico e absolutamente convencido de sua própria santidade. Jud será seu assistente — perdão, assistente de pároco. Mais Ave-Marias por favor.
Wicks é o tipo de personagem que dispensa sutileza: seus sermões de domingo são verdadeiros ataques verbais contra mães solteiras e pessoas LGBTQIA+, berrados de um púlpito gigantesco em forma de proa de navio (sim, isso existe). Curiosamente — ou talvez não — ninguém da plateia parece se incomodar.
Entre seus fiéis mais próximos estão:
- Martha Delacroix (Glenn Close), a onipresente faz-tudo da igreja e devota absoluta de Wicks;
- Nat Sharp (Jeremy Renner), médico da cidade em meio a um divórcio amargo;
- Vera Draven (Kerry Washington), advogada influente, e seu filho adotivo Cy (Daryl McCormack), um político republicano fracassado, mas ainda perigosamente ambicioso;
- Simone Vivane (Cailee Spaeny), ex-prodígio do violoncelo, agora cadeirante, com a carreira destruída por dores crônicas;
- Lee Ross (Andrew Scott), escritor de ficção científica;
- e Samson Holt (Thomas Haden Church), o zelador da paróquia.
Nada é dito explicitamente, mas é difícil ignorar o clima político e moral que paira sobre Chimney Rock. Quando Wicks despeja ódio do púlpito, ninguém se levanta, ninguém questiona, ninguém sai. A fé ali parece funcionar mais como escudo do que como guia moral.
Até que, um dia, diante de sua plateia mais fiel, Wicks interrompe o sermão, desce do púlpito, entra em um pequeno armário para “respirar”… e morre.
É nesse momento que o filme assume de vez sua vocação de whodunit (quem matou?). Para Benoit Blanc (Daniel Craig), o detetive sulista de sotaque inconfundível, trata-se do “Santo Graal dos casos”: um crime impossível. Já a chefe de polícia local, Geraldine Scott (Mila Kunis), resume tudo com uma única palavra ao observar a cena: “Cristo”.
E está dado o ponto de partida para uma investigação cheia de revelações, hipocrisias escancaradas e reviravoltas bem amarradas.
Jud, claro, torna-se o centro gravitacional da história. Ex-boxeador que matou um homem no ringue, evento que o levou ao seminário, ele carrega culpa, fé e violência reprimida em proporções perigosas. Narrando a própria história, Jud é suspeito desde o primeiro minuto — mesmo quando tudo indica que talvez não seja ele. Ou talvez seja. Johnson brinca com essa dúvida o tempo todo.
É também aqui que o diretor entrega um de seus momentos mais afiados: um discurso antirreligioso memorável, colocado na boca de Blanc, o homem da razão em meio ao caos espiritual.
“Isso foi disfarçado de milagre, mas é apenas um assassinato”, afirma o detetive.
“E eu resolvo assassinatos.”
E ponto final.
Confesso: eu não conhecia a franquia Knives Out e não havia assistido aos filmes anteriores. E isso não comprometeu absolutamente nada minha experiência — pelo contrário. Vivo ou Morto funciona de forma independente, sem exigir qualquer bagagem prévia. Para quem, como eu, adora histórias no melhor estilo Agatha Christie e Poirot, esse aqui é um prato cheio.
O filme entrega exatamente o que promete:
✔️ mistério envolvente
✔️ humor na medida certa
✔️ elenco estelar muito bem escolhido
✔️ e um quebra-cabeça que, mesmo quando você acha que já entendeu tudo, ainda consegue surpreender
O desfecho é claro, explicado, sem trapaças com o espectador — algo cada vez mais raro.
Se há um ponto fraco, ele está no aproveitamento desigual do elenco. Muitos personagens excelentes acabam subutilizados, já que a narrativa se concentra quase inteiramente em Jud e em sua perspectiva. Ainda assim, usar grandes atores mesmo com menos tempo de cena acaba elevando o nível geral da produção.
No fim das contas, Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out é um ótimo lembrete de que o gênero “quem matou?” continua vivo, relevante e capaz de dizer muito mais sobre fé, poder e hipocrisia do que aparenta à primeira vista.
E sim — vale muito a pena.
Curiosidades
O crucifixo que Glenn Close usa no filme foi dado a ela na vida real por seu pai, que o recebeu na Basílica de São Pedro, e é o mesmo que ela usou no filme "A Casa dos Espíritos".
No final da carta de Jud, ele diz que a está escrevendo há "uma hora". Essa narração ocorre uma hora após o início do filme.
Assim como seus antecessores, o filme leva o nome de uma música. Neste caso, é "Wake Up Dead Man", do álbum Pop, de 1997, da banda U2.
Este foi o primeiro filme de Jeremy Renner após seu quase fatal acidente com um limpa-neve em 2023. Ele disse: "É muito apoio, cara. É ótimo ter isso. Há uma comunhão e camaradagem tão grandes que acontecem, especialmente em um filme como este.
Dois dos livros na lista de leitura do clube do livro da igreja são de Agatha Christie. Benoit Blanc às vezes é descrito como um Hercule Poirot americano, o detetive fictício criado por Christie.
Onde assistir?
O filme está na Netflix.
Avaliações
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7,5
92%
8,0
Tags:
#mistério #crime #thriller #filmes #humornegroVisualizações:
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