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Entenda todas as referências do show histórico de Bad Bunny no Super Bowl

Porto Rico como cenário e mensagem

 

Desde os primeiros segundos do show do intervalo, Bad Bunny deixou claro que não estava ali para se adaptar ao Super Bowl — mas para transformá-lo. A apresentação foi conduzida quase inteiramente em espanhol, sem preocupação em “traduzir” a experiência para o inglês. Pelo contrário: logo na abertura, a transmissão exibiu a frase “el espectáculo de medio tiempo del Súper Tazón”, invertendo a lógica habitual e colocando o espanhol no centro do maior palco da cultura pop americana.

 

A ambientação reforçou essa escolha. O espetáculo começou com cenas cotidianas de Porto Rico: trabalhadores no campo, senhores jogando dominó, uma mulher fazendo as unhas, pequenos gestos que constroem identidade. Antes mesmo da primeira música, já estava claro que o objetivo não era apenas entreter, mas transportar o espectador para a terra e a cultura de Benito.

 

Mais tarde, em um dos momentos mais diretos do show, o artista se apresentou em espanhol:
“Meu nome é Benito Antonio Martínez Ocasio, e se hoje estou aqui no Super Bowl 60, é porque nunca deixei de acreditar em mim. Você também deveria acreditar em você. Você vale mais do que você imagina.”

 

 


 

A “casita” e a celebração latina

 

Um dos elementos visuais mais conhecidos dos shows de Bad Bunny também marcou presença: a casita, símbolo de uma casa porto-riquenha simples, viva, cheia de gente. Nos palcos, ela costuma funcionar como ponto de encontro, onde convidados dançam e celebram enquanto o cantor se apresenta.

 

No Super Bowl, a casita ganhou convidados de peso: Cardi B, Karol G, Pedro Pascal e Jessica Alba — todos latinos ou de ascendência latina. A escolha reforçou a ideia de comunidade e pertencimento, não como exceção, mas como centro do espetáculo.

 

Com as dançarinas, o show também destacou o perreo, estilo de dança sensual surgido em Porto Rico nos anos 80, frequentemente marginalizado, mas aqui elevado ao maior palco possível. Assim como o funk no Brasil, o perreo aparece como expressão cultural, corpo político e identidade popular.

 


 

Um casamento real no meio do espetáculo

 

Cerca de cinco minutos após o início da apresentação, o show foi interrompido por algo inesperado: o final de uma cerimônia de casamento. Não era encenação. O casamento era real, confirmado pela equipe do artista.

 

O casal havia convidado Bad Bunny para a cerimônia, mas ele propôs o inverso: que eles se casassem no show do intervalo. Benito atuou como testemunha, assinou a certidão e ainda garantiu bolo de casamento de verdade. Em um evento marcado por espetáculos grandiosos, o gesto trouxe intimidade e humanidade ao centro da narrativa.

 


 

Lady Gaga, salsa e pista de dança

 

Logo depois, Lady Gaga surgiu acompanhada do grupo porto-riquenho Los Sobrinos, tocando “Die With a Smile” como se fossem uma banda típica de casamento. O cenário incluía mesinhas, bolo e até uma criança “dormindo” na cadeira, reforçando a atmosfera doméstica.

 

Em seguida, Gaga foi puxada para dançar por Bad Bunny em “Baile Inolvidable”, dissolvendo completamente a fronteira entre convidado e anfitrião, estrela global e festa de bairro.

 


 

“Nuevayol” e a Nova York latina

 

A música “Nuevayol” marcou a transição para outro território simbólico: Nova York como extensão cultural de Porto Rico. A cidade é o principal centro demográfico porto-riquenho fora da ilha — e até a bandeira de Porto Rico foi criada ali.

 

O cenário reproduziu as bodegas nova-iorquinas, com participação especial de Toñita, dona do histórico Caribbean Social Club, um dos bares mais emblemáticos da cultura latina na cidade.

 

Nesse momento, Bad Bunny entregou simbolicamente um Grammy a uma criança que “o assistia” pela televisão. As roupas do menino remetiam a uma foto de infância do próprio Benito, conectando passado, presente e futuro em um único gesto.

 


 

Ricky Martin e a política explícita

 

Outro destaque foi a aparição de Ricky Martin, conterrâneo de Bad Bunny. Sentado em cadeiras que reproduziam a capa do álbum Debí Tirar Más Fotos, ele cantou “Lo que le pasó a Hawaii”, uma das músicas mais políticas do repertório recente de Benito.

 

A letra aborda os efeitos do imperialismo americano sobre o Havaí, anexado aos EUA em 1898, e deixa clara a preocupação: não permitir que Porto Rico tenha o mesmo destino cultural e identitário.

 


 

A bandeira, o apagão e a memória do furacão

 

Nos minutos finais, Bad Bunny surgiu com uma grande bandeira de Porto Rico em azul-claro — cor associada aos movimentos pró-independência. Cantando “El Apagón”, ele subiu em um poste e provocou simbolicamente um apagão no estádio.

 

A cena remete diretamente ao colapso da infraestrutura elétrica da ilha após o furacão Maria, em 2017, e à negligência governamental que deixou a população convivendo com apagões constantes desde então.

 


 

O que é “América”?

 

O encerramento trouxe o momento mais simbólico do show. Bad Bunny segurou uma bola com a frase: “Juntos, somos a América”, cercado por bailarinos e músicos com bandeiras de diversos países do continente.

 

“Deus abençoe a América”, disse ele em inglês — ecoando uma expressão patriótica dos Estados Unidos. Em seguida, redefiniu o termo: passou a citar todos os países do continente americano, do Sul ao Norte, incluindo Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e, por último, Estados Unidos e “minha terra mãe, Porto Rico”.

 

No telão, a frase final: “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”. O show se encerrou com “Dtmf”, faixa que fala sobre amor, memória, identidade e pertencimento — resumindo tudo o que aquela apresentação quis dizer.

Tags:

#noticias #superbowl #badbunny

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