Banner do topo
Logo
Translate
Imagem de capa da postagem
Gabrielle

Criação de conteúdos e gestão de redes sociais

Trump reage a Bad Bunny no Super Bowl e transforma o halftime show em guerra cultural

A reação de Donald Trump ao show de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl 2026 escancarou algo que já estava em ebulição muito antes da primeira batida soar no estádio: a apresentação não era apenas um evento musical, mas um campo de batalha simbólico da polarização cultural nos Estados Unidos.

 

 

A polarização antes mesmo do show

 

A controvérsia não nasceu no domingo do Super Bowl. Ela já estava instalada semanas antes. Uma pesquisa da YouGov/Economist, divulgada pela Statista e realizada entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro de 2026, apontava um país dividido de forma quase simétrica: 28% dos adultos americanos aprovavam a escolha de Bad Bunny para o halftime show, enquanto outros 28% se declaravam insatisfeitos.

 

Mas o dado mais revelador não estava no gosto musical — e sim na política.


Entre eleitores democratas, 52% aprovavam a escolha. Entre republicanos, apenas 12%. Do outro lado, entre os insatisfeitos, 53% se identificavam como republicanos, contra apenas 8% democratas. Um abismo de mais de 40 pontos percentuais, formado antes que qualquer coreografia fosse vista.

 

 

Trump entra em cena e transforma o show em símbolo

 

Essa leitura ganhou força quando lideranças políticas passaram a vocalizar o descontentamento. Trump classificou a escolha de Bad Bunny como “absolutamente ridícula” e, durante a apresentação, foi ainda mais direto.

 

Para ele, o show foi “uma afronta” e “um dos piores de todos os tempos”. O argumento central se repetiu em suas declarações: o fato de o artista cantar em espanhol.
“Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo”, afirmou o presidente, ignorando que cerca de 20% da população dos Estados Unidos é latina.

 

Não era uma crítica estética. Era simbólica. A língua, o corpo em cena e a identidade do artista funcionaram como gatilhos para transformar o halftime show em um marcador cultural — quem aplaudia estava, automaticamente, do “outro lado”.

 

Trump ainda atacou a dança, chamando-a de “repugnante”, especialmente para crianças, e disse que a apresentação não representava “os padrões de sucesso, criatividade ou excelência” da América. As falas foram feitas enquanto ele assistia à final em uma festa na Flórida.

 

 

Explosão digital: quando o show vira debate global

 

Quando a apresentação começou, toda essa tensão acumulada se converteu em dados. Com uma audiência estimada de 103 milhões de espectadores nos EUA e cerca de 142 milhões globalmente, o impacto digital foi imediato.

 

No X (antigo Twitter), o halftime show de Bad Bunny gerou mais de 1 milhão de menções — um crescimento de 683% em relação ao volume médio diário de menções ao halftime show de 2025, do Maroon 5. Não foi apenas muito barulho: foi uma aceleração anormal de conversa em pouquíssimo tempo.

 

Outras plataformas confirmaram o fenômeno:

  • No Instagram, o teaser da apresentação ultrapassou 5 milhões de curtidas, recorde para o formato.
  • No TikTok, hashtags relacionadas ao show somaram mais de 85 milhões de visualizações em vídeos de reação.
  • No YouTube, o vídeo oficial passou de 1,8 milhão de visualizações em poucas horas.
  • Ainda no Instagram, foram mais de 8 mil conteúdos e 97 mil comentários logo após o show.
  •  

O halftime show deixou de ser apenas entretenimento e passou a operar como um evento multiplataforma de debate. Por horas, Bad Bunny foi o tema mais discutido do planeta.

 

 

Reação conservadora e o “show alternativo”

 

As críticas de Trump não surpreenderam. Antes mesmo do Super Bowl, ele já havia chamado Bad Bunny de “péssima escolha”, citando o posicionamento do artista contra o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega).

 

Enquanto isso, organizações conservadoras tentaram responder no mesmo terreno simbólico. O grupo Turning Point USA promoveu um espetáculo paralelo, o “The All-American Halftime Show”, com forte apelo patriótico.

 

Entre os nomes do evento estavam Kid Rock e outros artistas alinhados ao discurso do governo Trump, além de aparições do fundador do grupo, Charlie Kirk. Guitarras, country e símbolos nacionais dominaram a estética — uma resposta direta ao que eles viam como uma “ameaça cultural”.

 

 

Mais que música, um espelho do país

 

No fim das contas, a reação de Trump cristalizou algo maior do que uma simples rejeição artística. O show de Bad Bunny se tornou um espelho das disputas atuais dos Estados Unidos: língua, imigração, identidade e quem tem direito de ocupar o maior palco do entretenimento global.

 

Gostando ou não da apresentação, o fato é que ela cumpriu um papel raro: expôs, em rede mundial, as fissuras de um país que já estava dividido antes mesmo de o show começar.

Tags:

#noticias #superbowl #badbunny

Comentários (0)