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Gabrielle

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O Bom Bandido (2025) - quando o crime vira um pedido desesperado por normalidade

A história do ladrão de telhados, Jeffrey Manchester, e seu tempo como fugitivo fugindo da captura.

História

Inspirado em fatos reais, O Bom Ladrão acompanha Jeffrey Manchester, um ex-soldado do Exército dos EUA que ganha o apelido de “Roofman” após cometer uma série de assaltos inusitados. Seu método chama atenção: ele invade lojas e estabelecimentos entrando pelo telhado, quase sempre à noite, evitando confrontos diretos e violência.

História

Pode Ver Sem Medo

O Bom Bandido (Roofman) parte de uma premissa curiosa e quase absurda, mas logo deixa claro que não está interessado apenas no como alguém rouba — e sim no porquê. O filme transforma uma história real improvável em um drama humano surpreendentemente empático, guiado pelo carisma de seu protagonista.

 


 

Um ladrão meticuloso — e educado demais

 

Se este fosse apenas mais um filme de assalto, Jeffrey Manchester seria aquele personagem obcecado por detalhes: horários, pontos cegos das câmeras, rotinas previsíveis. E ele realmente é tudo isso. Jeffrey sabe, por exemplo, que os cofres do McDonald’s ficam mais cheios logo pela manhã. Então ele invade as lojas pelo telhado, se esconde até a chegada dos primeiros funcionários e executa o roubo sem gritos, sem violência — quase com gentileza.

 

Há algo de desconcertante em como ele age. Após o assalto, Jeffrey conduz os funcionários até a câmara frigorífica e faz questão de garantir que todos estejam agasalhados. Em uma das primeiras cenas, quando o gerente não tem um casaco, ele simplesmente tira o seu e entrega ao homem. É impossível não pensar: esse cara é educado demais para ser um criminoso. Pena que ele seja.

 


 

O desespero como ponto de partida

 

O filme deixa claro que Jeffrey não começa a roubar por ambição ou adrenalina. Ele está quebrado. Financeiramente e emocionalmente. Depois de um período no Exército, ele parece incapaz — ou talvez indisposto — a se encaixar novamente na vida comum. O estopim é simples e doloroso: ele não tem dinheiro para comprar uma bicicleta para a filha.

 

Jeffrey ama a esposa e os três filhos, e se convence de que os roubos são temporários. Só o suficiente para “organizar a vida”. Em narração, ele mesmo se pergunta quantas vezes precisará assaltar um McDonald’s para garantir uma vida digna à família. A resposta vem seca e irônica: 45 vezes.

 

O número vira manchete. A TV noticia um ladrão em série que estaria “aterrorizando” Charlotte, na Carolina do Norte. Jeffrey compra a bicicleta da filha — e, quase imediatamente, a polícia bate à porta. A prisão vem acompanhada de uma cena quase surreal: ele sendo perseguido enquanto uma estola rosa de penas balança em seu pescoço. A sentença é brutal: 45 anos de prisão. Tempo demais para quem só queria “consertar” a própria vida.

 


 

A fuga e o esconderijo improvável

 

É na prisão que Jeffrey prova, mais uma vez, ser engenhoso. Ele foge escondido sob um caminhão e, já em liberdade, observa a filha andando de bicicleta à distância, sem poder se aproximar. A cidade está em alerta. Qualquer passo em falso pode entregá-lo.

 

Ao entrar correndo em uma loja da Toys “R” Us, Jeffrey encontra a solução mais improvável possível. Ele se esconde no banheiro masculino, sobe para o teto e espera. Quando a loja fecha, passa a estudar o local com o mesmo cuidado que usava nos assaltos. Aprende a desativar as câmeras, monta um sistema de vigilância improvisado com babás eletrônicas e transforma um grande expositor oco em abrigo.

 

Para não enlouquecer, ele improvisa conforto: colchões de berço, um enorme boneco de pelúcia do Homem-Aranha e uma dieta nada equilibrada baseada em M&Ms de amendoim. O plano é simples: permanecer ali por seis meses, até que seu amigo Steve, um ex-colega do Exército, volte à cidade para ajudá-lo a falsificar um passaporte e fugir do país.

 


 

Amor, fé e uma mentira confortável

 

Vivendo escondido, Jeffrey passa a observar os funcionários da loja pelos monitores. Um deles se destaca: o gerente Mitch, autoritário, condescendente, pequeno em poder e enorme em ego. Em contraste, Leigh, uma funcionária gentil e recém-divorciada, chama a atenção de Jeffrey quando se frustra ao ver Mitch se recusar a doar brinquedos para uma campanha da igreja.

 

Movido por um impulso quase romântico, Jeffrey rouba alguns brinquedos e uma bicicleta e faz a doação anonimamente. É ali que ele conhece uma comunidade religiosa exageradamente acolhedora — e Leigh. Encantada pelo homem alto, educado e espirituoso, ela o convida para cultos, brunches para solteiros e encontros improváveis, como um no Red Lobster onde Jeffrey vira o centro das atenções de várias mulheres curiosas.

 

Ele se apresenta como John Zorn, diz trabalhar para o governo em um cargo secreto e afirma não poder revelar onde mora. A mentira é absurda, mas confortável. Jeffrey e Leigh se apaixonam. Ele cria laços com as filhas dela. Pela primeira vez em muito tempo, ele vive algo parecido com uma vida normal — ainda que construída sobre areia movediça.

 


 

Um filme sobre limites, não sobre crimes

 

Curiosamente, O Bom Bandido não se interessa tanto pelos assaltos quanto pelas consequências emocionais deles. O foco está em como um homem comum chega ao limite tentando ser mais para os filhos, tentando corrigir erros cometidos por necessidade e não por maldade.

 

O filme se constrói quase como um conto moderno: a ideia de alguém vivendo por meses dentro de uma loja de brinquedos soa fantasiosa demais para ser real — até que o longa nos lembra, nos minutos finais, que tudo aquilo aconteceu de verdade. As imagens reais dos envolvidos reforçam o impacto e deixam aquela sensação estranha de incredulidade misturada com empatia.

 


 

Impressões finais

 

Confesso: eu não esperava gostar tanto do filme. Muito por causa da história, mas principalmente pelo carisma do protagonista. Jeffrey é o tipo de personagem que nos faz torcer contra o bom senso — se ele fosse mesmo tão carismático assim na vida real, é impossível não admitir que eu também torceria pelo bandido.

 

O Bom Bandido é um filme sensível, melancólico e surpreendentemente humano. Não absolve seus erros, mas nos convida a entendê-los. Vale o play — e vale especialmente pela sensação incômoda de perceber que, às vezes, a linha entre o certo e o errado é mais frágil do que gostaríamos de admitir.

Curiosidades

O diretor Derek Cianfrance entrevistou Jeffrey Manchester quatro dias por semana durante quatro anos, coletando o máximo de informações possível. Ele ficou impressionado com as histórias que ouviu e simplesmente não conseguia acreditar nelas. Ao perguntar aos policiais que o prenderam se as histórias eram verdadeiras, eles disseram: "Sim, foi isso que aconteceu".

 

Na época desta publicação, Jeffrey Manchester não tinha assistido ao filme e só tinha visto um trecho de Tatum patinando na Toys R Us com o ursinho de pelúcia. Jeff diz: "Fico muito feliz em ouvir isso. O que a maioria das pessoas não percebe é que, se você se trancar em uma loja de brinquedos por seis meses, isso acaba despertando a criança que existe dentro de você, e fico muito feliz que Channing tenha tido a oportunidade de vivenciar isso."

 

Channing Tatum passou por um regime substancial de perda de peso para interpretar Jeffrey Manchester neste filme, chegando a pesar 78 kg. A perda intencional de 32 kg gerou preocupação entre o elenco e a equipe.

 

Quando a equipe procurava uma locação para representar a loja Toys R Us no filme, eles encontraram uma loja vazia. A partir daí, reconstruíram a loja com base em diversas fotos e lembranças dos eventos retratados no filme. A equipe chegou a comprar brinquedos no eBay que eram fiéis à época do filme. A recriação da Toys R Us ficou tão convincente que chamou a atenção de muitas pessoas, que pensaram ser uma loja real, apenas para serem desencorajadas pelo elenco e equipe, que explicaram que se tratava de um set de filmagem.

 

Pastor Ron Smith: Participação especial como o dono da loja de penhores com quem Jeffrey troca videogames.

Onde assistir?

O filme está na Paramount e para alugar no Prime Video.

Avaliações

  • IMDB logo 7,0
    Rotten Tomatoes logo 87%
    PVSM logo 7,8

Tags:

#filmes #hisóriasreais #ação

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