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Disclosure Day (Dia D): Spielberg volta aos alienígenas em um dos seus filmes mais intrigantes dos últimos anos
Se você descobrisse que não estamos sozinhos, se alguém abrisse seus olhos e mostrasse para você, você ficaria com medo?
Personagens
Emily Blunt — Margaret Fairchild
A protagonista do filme.
Margaret trabalha como apresentadora da previsão do tempo e passa a viver acontecimentos sobrenaturais ligados aos extraterrestres. Segundo a crítica, esta é considerada uma das melhores atuações da carreira de Emily Blunt.
Josh O'Connor — Daniel Kellner
Especialista em segurança digital que descobre arquivos secretos envolvendo décadas de acobertamentos militares sobre OVNIs.
É ele quem inicia toda a conspiração ao tentar revelar as informações ao mundo.
Colin Firth — Noah Scanlon
Representa o lado do governo.
É o homem encarregado de impedir que a verdade seja divulgada, liderando uma organização secreta responsável por esconder os contatos extraterrestres da humanidade.
Colman Domingo — Hugo Wakefield
Um dos aliados na investigação, ajudando Daniel e Margaret enquanto a situação mundial entra em colapso.
Eve Hewson — Jane Blankenship
Personagem importante na investigação e no desenvolvimento da conspiração envolvendo documentos classificados
História
Uma apresentadora de notícias meteorológicas começa a experimentar comportamentos estranhos e descobre que, de repente, consegue falar vários dialetos, incluindo o que parece ser uma língua alienígena. Ao mesmo tempo, um homem misterioso com um passado desconhecido descobre evidências roubadas do governo que provam a existência de vida extraterrestre e está determinado a torná-las públicas. Por motivos que nenhum dos dois compreende totalmente, os dois se unem. Se conseguirem lidar com agentes do governo, cônjuges suspeitos e outros que tentam detê-los, eles podem revelar uma verdade que pode mudar a humanidade para sempre.
Pode Ver Sem Medo
Imagine acordar e descobrir que todos os governos do planeta esconderam, durante mais de 70 anos, provas da existência de vida extraterrestre.
Essa é a premissa de Disclosure Day (Dia D), o novo filme de Steven Spielberg.
A história acompanha Daniel Kellner (Josh O'Connor), um ex-gênio da tecnologia que trabalhava para uma divisão ultrassecreta do governo chamada WARDEX. Depois de cumprir oito anos de prisão por crimes cibernéticos, ele é recrutado pela agência para proteger um artefato de origem alienígena e ter acesso aos maiores segredos da humanidade.
Só que Daniel descobre que a WARDEX esconde há décadas evidências concretas da existência de seres extraterrestres, registros que remontam ao governo Nixon. Convencido de que toda a humanidade tem o direito de conhecer a verdade, ele rouba um dispositivo alienígena e passa a ser considerado traidor.
A agência, comandada por Noah Scanlon (Colin Firth), sequestra Jane Blankenship (Eve Hewson), namorada de Daniel, para obrigá-lo a devolver o artefato.
A tentativa de troca acontece durante um evento de luta livre, em uma sequência extremamente tensa que já deixa claro que Spielberg não pretende perder tempo com apresentações. A negociação fracassa, Daniel consegue fugir com Jane e, a partir daí, começa uma perseguição praticamente ininterrupta.
Seu único aliado passa a ser Hugo Wakefield (Colman Domingo), antigo diretor da divisão responsável pelos ativos biológicos da WARDEX. Agora vivendo escondido junto de outros ex-funcionários, Hugo acredita que a verdade precisa finalmente vir à tona e tenta ajudar Daniel antes que Scanlon o encontre.
Enquanto isso, acompanhamos uma história completamente diferente.
Em Kansas City, a meteorologista Margaret Fairchild (Emily Blunt) começa a viver acontecimentos cada vez mais inexplicáveis.
Tudo começa quando um cardeal-vermelho invade seu apartamento. A partir desse momento ela passa a falar idiomas que nunca aprendeu, consegue acessar pensamentos apenas olhando para as pessoas e, durante uma previsão do tempo ao vivo, entra em transe e começa a emitir uma sequência de sons estranhos.
Para qualquer um aquilo parece apenas um amontoado de ruídos.
Para Daniel...
É uma mensagem.
Sem sequer se conhecerem, Daniel e Margaret passam a dividir um destino comum. A ligação entre os dois, o motivo dessa conexão e o verdadeiro objetivo dos visitantes extraterrestres formam o grande mistério do filme.
Spielberg faz questão de esconder boa parte das respostas até os momentos finais, construindo uma narrativa que mistura suspense, conspiração política, ficção científica e um drama profundamente humano.
Quem cresceu assistindo aos filmes do diretor provavelmente vai reconhecer imediatamente sua assinatura.
Existe um pouco do encantamento de E.T., da curiosidade de Contatos Imediatos do Terceiro Grau, da tensão de Guerra dos Mundos e daquele jeito único que Spielberg sempre teve de transformar o extraordinário em algo emocionalmente próximo do espectador.
Confesso que fui assistir esperando exatamente o contrário do que encontrei.
Achei que seria aquele tipo de filme que apenas insinua que existem alienígenas, cria um monte de teorias da conspiração e, quando chega a hora da verdade, inventa uma desculpa qualquer para nunca mostrar nada.
Mas não.
Disclosure Day (Dia D) entrega exatamente aquilo que promete.
Todas aquelas teorias sobre governos escondendo informações, documentos secretos, tecnologia extraterrestre e décadas de acobertamento realmente fazem parte da história.
E o melhor é que tudo isso acontece de forma extremamente envolvente.
É um daqueles filmes que fazem você esquecer completamente do celular porque sempre existe uma nova informação importante chegando.
Mas, por trás de toda essa conspiração, Spielberg nunca perde de vista aquilo que sempre foi sua maior qualidade: o ser humano.
O verdadeiro coração do filme está nas atuações.
Emily Blunt entrega, talvez, uma das melhores interpretações de sua carreira. Sua transformação acontece de maneira tão natural que cada nova descoberta parece afetar também quem está assistindo.
Josh O'Connor convence completamente como um homem comum que, de repente, carrega o peso da maior verdade da história da humanidade.
Já Colin Firth surpreende bastante.
Acostumado a interpretar personagens elegantes e contidos, aqui ele assume o papel do antagonista. Mas não daquele vilão que faz maldade simplesmente porque sim.
Scanlon acredita sinceramente estar protegendo seu país.
Isso torna suas decisões ainda mais interessantes.
Também gostei muito de Eve Hewson.
Sua Jane, uma ex-noviça que abandonou a vida religiosa, acaba funcionando como uma espécie de bússola moral da história. Conforme o filme avança, ela passa a levantar questões sobre fé, livre-arbítrio e a necessidade que o ser humano tem de acreditar que existe algo maior do que nós.
Outro nome que merece destaque é Elizabeth Marvel, interpretando uma freira que, mesmo aparecendo pouco, consegue transmitir uma serenidade impressionante e ajuda o filme a aproximar espiritualidade e ciência sem transformar essa discussão em um conflito.
E talvez seja justamente esse o aspecto que mais me conquistou.
O filme faz uma pergunta extremamente simples.
O que realmente mudaria se amanhã um governo aparecesse na televisão confirmando oficialmente que alienígenas existem e vivem entre nós?
Hoje muita gente já acredita nisso.
Existem documentários, teorias, depoimentos, vídeos e discussões acontecendo todos os dias.
Mas o que mudaria quando deixasse de ser teoria e passasse a ser uma verdade oficial?
Seria o caos?
Mudaria nossa religião?
Nossa política?
Nossa forma de enxergar a vida?
Spielberg levanta essas questões de maneira muito inteligente, sem tentar impor respostas.
Ele apenas coloca seus personagens diante dessa possibilidade e deixa que o espectador faça suas próprias reflexões.
Durante boa parte do filme, inclusive, quase não vemos os extraterrestres.
Eles aparecem principalmente em gravações antigas da década de 70, armazenadas nos arquivos secretos da WARDEX, o que aumenta ainda mais a sensação de mistério.
Quando finalmente surgem de forma mais evidente, existe apenas um detalhe que não me convenceu completamente.
A ideia de que esses seres podem assumir formas de animais conhecidos acaba sendo justamente o momento em que os efeitos visuais parecem menos inspirados.
É praticamente a única decisão estética que achei um pouco abaixo do restante da produção.
Outro elemento que dividiu bastante o público foi o pano de fundo envolvendo a tensão mundial e a escalada de uma possível guerra nuclear.
Vi muita gente dizendo que isso parecia desconectado da história principal.
Eu achei exatamente o contrário.
Para mim, Spielberg faz uma provocação interessante.
Enquanto a humanidade continua ocupada brigando entre si, criando guerras e caminhando para a própria destruição, aqueles que sempre imaginamos ser a maior ameaça talvez sejam justamente os responsáveis por impedir que isso aconteça.
Ou seja...
Talvez os alienígenas nunca tenham sido o maior perigo.
Talvez nós mesmos sejamos.
E chegamos ao final.
Muita gente não gostou do desfecho por ele deixar várias perguntas em aberto.
Normalmente esse também não é o meu tipo de final.
Mas aqui funcionou perfeitamente.
Depois de todas as revelações, Spielberg entende que responder absolutamente tudo diminuiria o impacto da história.
O filme termina justamente mantendo viva a pergunta que acompanha toda a narrativa.
Se eles realmente estão entre nós...
Qual será o próximo passo?
Vale a pena assistir?
Sem dúvida.
Se você espera um filme cheio de explosões e batalhas espaciais como Independence Day, talvez saia um pouco frustrado.
Mas se gosta de ficção científica que utiliza os extraterrestres apenas como ponto de partida para discutir humanidade, medo, fé, política e esperança, Disclosure Day (Dia D) é um dos trabalhos mais interessantes de Spielberg nos últimos anos.
É um suspense envolvente, inteligente e emocionante, que resgata a essência dos grandes clássicos do diretor sem simplesmente tentar copiá-los.
Curiosidades
A “filmagem” do presidente Richard Nixon reunião com Jackie Gleason é baseado em teorias de conspiração reais. Gleason era obcecado por OVNIs e sua tradição. Supostamente, Nixon queria impressioná-lo mostrando-lhe “artefatos alienígenas” que estavam na posse do governo, e há rumores de que ele lhe mostrou corpos alienígenas.
Como a sala de controle da NBC era um dos únicos lugares do filme realmente filmado no Rockefeller Center, muitos dos funcionários da redação foram interpretados por funcionários de notícias reais que trabalhavam na 30 Rock.
De acordo com Steven Spielberg, ele foi fortemente inspirado por supostos relatórios de pilotos da Marinha sobre “UAP”. É certo que Spielberg prefere o termo tradicional “OVNI” em vez disso.
A primeira vez que o personagem Dr. Daniel Kellner disca para um telefone, ele pressiona três dígitos. Os tons de som são os três primeiros tons de Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977).
Depois do ex-presidente Barack Obamacomentários sobre a vida alienígena no No Lie with Brian Tyler Cohen (2020) o podcast se tornou viral, Steven Spielberg brincando, agradeceu ao presidente Obama pela publicidade gratuita não intencional.
Embora o filme não seja uma sequência direta de nenhum anterior Steven Spielberg filme como Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977) e E.T.: O Extraterrestre (1982), Spielberg considera o Dia da Divulgação a parte final de uma trilogia alienígena não oficial de ficção científica. Em uma entrevista com ScreenRant, ele observou que há uma linha temática conectando o Dia da Divulgação a Close Encounters e E.T. Ele se referiu ao primeiro como “minha primeira incursão para confrontar um grande evento que mudaria o mundo se fosse conhecido pelo mundo”, retratando “a primeira vez que uma civilização avançada fora do mundo apareceu para nós e começou a se comunicar conosco”. Ele acrescentou como cada filme funciona em sua trilogia não oficial. Spielberg explicou que “o primeiro ato em Close Encounters, o segundo ato em E.T., que foi uma história muito isolada, muito, muito isolada, uma história suburbana... ao contrário da Torre do Diabo e daquele encontro de mentes, finalmente a verdade está aí para todos nós contemplarmos”. O Dia da Divulgação então chega com esse momento da verdade. Ele disse que essa trilogia não oficial existe em um nível temático e não narrativo. Todas as três imagens apresentam personagens alienígenas com designs completamente diferentes, sem um enredo comum conectando-os.
Steven Spielberg afirma que o filme está “mais próximo do fato do que da ficção”.
A história do filme foi inspirada em um artigo de 2017 do “New York Times” intitulado “Auras brilhantes e 'dinheiro negro' - o misterioso programa de OVNIs do Pentágono”.
O roteiro foi escrito por David Koepp, parceiro de Spielberg em Jurassic Park, O Mundo Perdido e Guerra dos Mundos, mas a história original pertence ao próprio diretor.
Segundo Koepp, foram produzidas mais de 40 versões do roteiro até chegarem ao resultado final.
Onde assistir?
O filme está nos cinemas e em algumas plataformas digitais.
Avaliações
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Tags:
#filmes #scifi #diad #aliens #disclosuredayVisualizações:
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