Banner do topo
Logo
Translate
Imagem de capa da postagem
Gabrielle

Criação de conteúdos e gestão de redes sociais

O Afinador (Tuner): quando uma deficiência se transforma em talento — e também em perigo

As habilidades meticulosas de um talentoso afinador de piano o levam a descobrir uma habilidade inesperada de abrir cofres, o que vira sua vida de cabeça para baixo.

História

Leo Woodall interpreta um jovem e talentoso afinador de pianos cujo ouvido apurado atrai a atenção de criminosos; eles veem em seu talento uma utilidade tanto para abrir cofres quanto para afinar pianos Steinway. Com sua carreira musical — outrora promissora — encerrada, ele trabalha por toda Nova York ao lado de seu mentor, Harry Horowitz (o vencedor do Oscar Dustin Hoffman), cruzando o caminho de diversos personagens, incluindo a estudante de composição Ruthie (Havana Rose Liu), com quem estabelece uma conexão inesperada. O trabalho de Niki com a abertura de cofres ameaça seu romance incipiente com Ruthie e o arrasta para um território cada vez mais perigoso.

História

Pode Ver Sem Medo

E se aquilo que mais atrapalha a sua vida fosse justamente aquilo que poderia torná-lo extraordinário?

 

Essa é uma das ideias centrais de O Afinador (Tuner), filme dirigido por Daniel Roher que mistura drama, suspense, crime, romance e uma boa dose de humor.

 

Estrelado por Leo Woodall, com Dustin Hoffman, Havana Rose Liu, Lior Raz, Tovah Feldshuh e Jean Reno no elenco, o filme parte de uma premissa bastante curiosa: um afinador de pianos com uma sensibilidade auditiva fora do comum descobre que sua capacidade de ouvir detalhes praticamente imperceptíveis pode ser útil para algo muito além da música.

 

Abrir cofres.

 

E é aí que a vida de Niki começa a mudar.

 

 

A história de O Afinador

 

Leo Woodall interpreta Niki, um afinador de pianos que trabalhou como aprendiz de um veterano da profissão, Harry, vivido por Dustin Hoffman.

 

Niki já foi pianista e tinha talento suficiente para seguir carreira na música. Porém, um problema auditivo, principalmente uma sensibilidade extrema a ruídos altos, acabou inviabilizando esse caminho.

 

O que poderia ser apenas uma limitação, entretanto, também lhe deu uma capacidade extraordinária.

 

Niki consegue perceber pequenas imperfeições nos pianos, identificar diferenças quase imperceptíveis nas notas e ouvir detalhes que passariam completamente despercebidos para outras pessoas.

 

Harry tem a experiência e os contatos.

 

Mas é Niki quem possui o verdadeiro dom.

 

E quando ele cruza o caminho de um grupo de criminosos de pequeno porte, descobre que sua audição pode ser útil para outra atividade: arrombar cofres.

 

A ideia parece absurda à primeira vista, mas o roteiro de Daniel Roher e Robert Ramsey consegue nos convencer de que existe uma lógica dentro daquele universo.

 

Niki é um homem marcado pelas circunstâncias da vida, mas também alguém cheio de talentos que ele próprio ainda não havia descoberto completamente.

 

 

Quando um dom também pode ser uma maldição

 

Uma das coisas que mais gostei no filme é justamente a maneira como ele trabalha a questão da audição.

 

Normalmente, quando pensamos em uma deficiência auditiva, pensamos na ausência ou redução da capacidade de ouvir.

 

Mas O Afinador propõe olhar para o outro extremo.

 

E se você ouvisse demais?

 

Para Niki, uma simples buzina pode ser uma experiência dolorosa. Um ruído cotidiano pode se transformar em uma agressão.

 

Ao mesmo tempo, essa mesma sensibilidade permite que ele faça coisas extraordinárias.

 

Ele consegue ouvir aquilo que outras pessoas não conseguem.

 

É isso que faz dele um afinador excepcional.

 

E também é isso que pode transformá-lo em um excelente arrombador de cofres.

 

O filme aproveita muito bem essa contradição.

 

O que parece um dom pode ser uma maldição. E o que parece uma limitação pode ser justamente aquilo que torna alguém especial.

 

 

O som é um dos grandes personagens do filme

 

Aqui está, para mim, um dos maiores acertos de O Afinador.

 

O filme não apenas conta que Niki possui uma sensibilidade auditiva incomum. Ele tenta fazer o espectador sentir isso.

 

O desenho de som é fundamental para nos colocar dentro da experiência do protagonista.

 

Sons que normalmente ignoramos ganham outra dimensão.

 

Uma buzina, um ruído metálico ou determinados sons do ambiente podem se tornar extremamente incômodos.

 

E isso cria uma experiência interessante porque somos colocados em uma perspectiva que raramente aparece no cinema.

 

Pensamos muito em como seria não ouvir.

 

Poucas vezes pensamos em como seria ouvir além do normal.

 

O filme utiliza essa característica para construir tanto momentos de desconforto quanto as cenas envolvendo os cofres e os pianos.

 

É um recurso simples na teoria, mas bastante eficiente na prática.

 

 

Niki e Ruthie

 

Durante seu trabalho, Niki conhece Ruthie, uma jovem compositora e pianista talentosa interpretada por Havana Rose Liu.

 

Os dois desenvolvem uma relação que acrescenta uma camada mais emocional à história.

 

Harry, inclusive, incentiva o romance entre eles.

 

Ruthie também representa algo importante para Niki: uma possível reconexão com a música.

 

Afinal, apesar de ter abandonado sua carreira como pianista, Niki nunca deixou completamente para trás a pessoa que era antes de sua condição auditiva mudar sua vida.

 

O relacionamento entre os dois funciona justamente nesse espaço entre o passado e aquilo que Niki pode vir a ser.

 

 

O problema de Harry

 

Harry não é apenas o mentor profissional de Niki.

 

Ele funciona praticamente como uma figura paterna para o protagonista.

 

Por isso, quando Harry é hospitalizado devido a uma doença grave, a situação ganha um peso maior.

 

Sua esposa, interpretada brilhantemente por Tovah Feldshuh, revela que a falta de tino comercial de Harry fez com que ele não tivesse recursos suficientes para arcar com as despesas médicas.

 

É nesse momento que Niki toma uma decisão.

 

Ele procura os arrombadores de cofres.

 

A intenção não é ficar rico.

 

Niki quer conseguir o dinheiro necessário para ajudar o homem que lhe ensinou sua profissão.

 

E essa escolha é importante para entender o protagonista.

 

Niki não entra no mundo do crime movido simplesmente pela ganância.

 

Ele entra porque acredita que está fazendo a coisa certa.

 

O problema é que, uma vez dentro desse mundo, as coisas dificilmente permanecem tão simples.

 

 

Dustin Hoffman é um peso emocional importante

 

Ter Dustin Hoffman no filme é mais do que contar com um nome de peso no elenco.

 

Sua presença traz uma dimensão emocional muito importante para a relação entre Harry e Niki.

 

Hoffman interpreta Harry com uma mistura de experiência, humor e vulnerabilidade.

 

Existe uma cumplicidade muito interessante entre os dois personagens.

 

Mas, apesar da presença de Hoffman, quem realmente brilha é Leo Woodall.

 

E isso é um dos maiores elogios que podemos fazer ao filme.

 

 

Leo Woodall é o grande destaque

 

Woodall interpreta Niki com bastante sensibilidade.

 

O personagem poderia facilmente cair naquele estereótipo do protagonista bonzinho e ingênuo que acaba envolvido em uma situação criminosa.

 

Existe, sim, um certo sentimentalismo na maneira como Niki é construído como uma alma generosa, alguém sem grande desejo pessoal de acumular dinheiro.

 

Mas Woodall é tão naturalmente carismático e sensível que acabamos aceitando essa decência quase sem questionar.

 

O ator consegue transmitir a sensação de alguém que está sempre tentando encontrar seu lugar no mundo.

 

E isso torna Niki interessante mesmo quando o roteiro toma alguns atalhos.

 

Nascido na Grã-Bretanha, Woodall já vinha chamando atenção por trabalhos em séries e filmes, mas O Afinador oferece a ele uma oportunidade de carregar praticamente toda a narrativa.

 

E ele aproveita.

 

 

Um ator que vem crescendo

 

Leo Woodall já vinha construindo uma carreira interessante antes de O Afinador.

 

Ele participou de produções como The White Lotus, One Day e outros projetos que ajudaram a colocá-lo no radar do público.

 

Em Nuremberg, por exemplo, teve uma participação particularmente marcante, protagonizando uma das cenas mais fortes do filme ao revelar sua origem judaica ao psiquiatra interpretado por Rami Malek.

 

Em O Afinador, porém, ele tem uma responsabilidade diferente.

 

Aqui, não é apenas mais um personagem do elenco.

 

É a história dele.

 

E Woodall consegue sustentar o filme.

 

 

Lior Raz surpreende

 

Outro nome que merece destaque é Lior Raz.

 

Conhecido mundialmente por seu trabalho em Fauda, Raz aparece aqui em uma chave completamente diferente.

 

Seu personagem traz um humor mais ácido e uma personalidade que ajuda a quebrar a tensão da história.

 

É interessante vê-lo fora do tipo de personagem pelo qual ficou conhecido.

 

E funciona.

 

Raz consegue equilibrar o filme sem transformar o humor em algo deslocado da narrativa.

 

 

O filme é perfeito?

 

Não.

 

Existem algumas conveniências de roteiro bastante óbvias.

 

Em determinados momentos, algumas situações parecem acontecer simplesmente porque a história precisa avançar.

 

Também é possível questionar algumas decisões envolvendo a trajetória criminal de Niki.

 

Mas, para mim, esses problemas acabam passando um pouco batidos diante da maneira como o filme consegue nos prender.

 

O Afinador sabe exatamente o tipo de entretenimento que quer ser.

 

Não tenta reinventar o cinema de assalto.

 

Não pretende ser um estudo psicológico extremamente profundo.

 

E também não transforma sua premissa curiosa em algo excessivamente complicado.

 

Ele simplesmente pega uma boa ideia, coloca personagens interessantes dentro dela e conduz a história até o final.

 

 

As críticas

 

A recepção crítica foi bastante positiva.

 

O filme recebeu elogios principalmente pela atuação de Leo Woodall, pela presença de Dustin Hoffman e pelo uso do som como elemento narrativo.

 

No Rotten Tomatoes, O Afinador alcançou uma aprovação crítica bastante alta, enquanto no Metacritic a recepção também ficou na faixa de avaliações geralmente favoráveis.

 

As principais ressalvas aparecem justamente na história criminal.

 

Alguns críticos consideraram determinados acontecimentos previsíveis e apontaram que o terceiro ato não consegue manter completamente a força estabelecida no início.

 

Ainda assim, a avaliação geral é de um thriller competente, original em sua premissa e sustentado por bons personagens.

 

E acho que essa definição funciona muito bem.

 

 

Minha opinião sobre O Afinador

 

O Afinador é uma boa surpresa.

 

Confesso que a premissa me chamou bastante atenção. Um afinador de pianos que consegue utilizar sua audição excepcional para abrir cofres poderia facilmente resultar em um filme exagerado ou pouco convincente.

 

Mas o longa encontra um equilíbrio interessante.

 

A história não depende apenas da ideia.

 

Existe o relacionamento de Niki com Harry, o romance com Ruthie, o problema financeiro, a questão da audição e principalmente o conflito interno do protagonista.

 

O filme também acerta muito ao transformar o som em parte essencial da narrativa.

 

E, para mim, esse é um dos seus maiores diferenciais.

 

Dustin Hoffman é uma presença especial e acrescenta bastante à história, mas quem realmente carrega o filme é Leo Woodall.

 

Ele consegue fazer de Niki um personagem simpático, sensível e fácil de acompanhar.

 

Mesmo quando o roteiro toma algumas decisões convenientes demais, continuamos interessados em saber até onde aquele personagem vai chegar.

 

No fim, O Afinador não é um filme perfeito e talvez não seja tão revolucionário quanto sua premissa sugere.

 

Mas ele é um filme bastante competente e, principalmente, divertido de assistir.

 

É uma boa opção para quem gosta de thrillers diferentes, histórias de crime que fogem um pouco do convencional e personagens com habilidades incomuns.

 

E talvez o mais interessante seja sair do filme pensando em algo que ele apresenta muito bem:

aquilo que pode parecer uma fraqueza para uma pessoa pode ser exatamente o que a torna extraordinária.

 

E, no caso de Niki, pode também ser aquilo que o coloca em perigo.

 

Vale a pena assistir.

Pode Ver Sem Medo

Curiosidades

Quando Uri digita o código de segurança em seu armazém, os tons eletrônicos soam a melodia da canção folclórica tradicionalmente judaica “Hava Nagila”, famosa por ser cantada em casamentos e bar mitzvahs.

 

Em uma cena, alguém brincando se refere a Leo Woodallda personagem Niki como “Rain Man”. Dustin Hoffman, que interpreta Harry Horowitz, apareceu anteriormente como personagem titular em Rain Man (1988).

 

O filme foi incluído na lista anual dos dez melhores do Festival Internacional de Cinema de Toronto para 2025.

 

Woodall não era pianista antes do filme e precisou treinar para interpretar Niki de maneira convincente. Além de aprender as músicas, ele precisou trabalhar postura, movimentação das mãos e outros detalhes necessários para que as cenas musicais não parecessem artificiais.

Curiosidades

Onde assistir?

O filme está nas plataformas digitais e no Prime Video para alugar.

Avaliações

  • IMDB logo 7,2
    Rotten Tomatoes logo 94%
    PVSM logo 7,5

Tags:

#filmes #ação #drama #tuner #oafinador

Comentários (0)