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O Rato: Final Explicado | Quem é o verdadeiro Moon-jae e quem é o Rato?
ATENÇÃO: este texto contém spoilers de toda a série O Rato (Mousetrap), incluindo o episódio final.
Se você chegou até aqui depois de terminar O Rato, provavelmente ainda está tentando organizar tudo o que aconteceu.
E não é para menos.
A série passa dez episódios fazendo o espectador acreditar que estamos acompanhando um homem cuja identidade foi roubada. Je Moon-jae é apresentado como vítima, enquanto uma figura misteriosa, conhecida como Rato, parece estar determinada a destruir sua vida.
Só que o final vira completamente esse jogo.
A grande revelação é que Moon-jae também roubou uma vida.
E talvez essa seja a melhor maneira de entender o final de O Rato: durante boa parte da série, estamos tentando descobrir quem roubou a identidade de quem, até percebermos que a história é formada por várias identidades roubadas, memórias apagadas, ressentimentos e pessoas tentando ser alguém que não são.
A seguir, vamos destrinchar tudo.
Afinal, quem é o Rato?
A primeira resposta é relativamente simples:
o Rato é Seo Yu-min.
Yu-min era conhecido de Moon-jae desde a época do clube literário e tinha uma relação muito próxima com ele e com Min-yeong.
Mas a relação entre os dois escondia uma enorme quantidade de inveja e ressentimento.
Moon-jae invejava Yu-min.
Invejava sua vida, seu talento e seu relacionamento com Min-yeong.
E, principalmente, queria aquilo que Yu-min tinha.
O problema é que essa inveja não ficou apenas no campo dos sentimentos.
Moon-jae começou a tomar decisões que destruíram a vida de Yu-min. Entre elas, está o roubo de seus textos, que ele utilizou para construir a própria carreira como escritor.
Ou seja: antes de Yu-min roubar a identidade de Moon-jae, Moon-jae já havia roubado a vida de Yu-min de várias maneiras.
E é justamente aí que o conceito do Rato ganha outro significado.
Moon-jae nunca foi exatamente a vítima
Durante quase toda a série, nós enxergamos Moon-jae como alguém que teve tudo arrancado de si.
Seu dinheiro desaparece.
Seu telefone deixa de funcionar.
Sua identidade é questionada.
As pessoas passam a acreditar que outra pessoa é ele.
E nós naturalmente ficamos do lado dele.
Mas o final revela que essa percepção estava incompleta.
Moon-jae construiu sua vida sobre algo que não era verdade.
Ele havia roubado os textos de Yu-min e utilizado o talento do outro para se tornar um escritor de sucesso.
Mais do que isso: sua relação com Min-yeong também esteve no centro da destruição da vida de Yu-min.
A grande ironia é que Moon-jae passa anos tentando apagar aquilo que fez.
Sua memória e sua percepção dos acontecimentos foram profundamente afetadas, e ele construiu uma versão da própria história na qual não precisava enfrentar o que havia feito.
Por isso, quando Yu-min retorna para confrontá-lo, Moon-jae não consegue simplesmente aceitar a verdade.
Ele precisa primeiro destruir a versão de si mesmo que criou.
Então Yu-min era o vilão?
Sim... mas não exatamente.
Yu-min é o responsável pela vingança.
Ele assume a aparência de Moon-jae, aprende sua voz e começa a ocupar seu lugar.
Para executar seu plano, ele vai muito além de simplesmente trocar de identidade.
Yu-min entra em uma rede de fraude de identidade, manipula evidências, cria uma situação para incriminar Moon-jae e consegue fazer com que a vida do escritor seja progressivamente desmontada.
Ele quer que Moon-jae experimente aquilo que ele próprio experimentou:
perder tudo.
Só que existe uma diferença importante.
Yu-min não escolhe Moon-jae aleatoriamente.
Ele está cobrando uma dívida do passado.
A vingança nasce daquilo que Moon-jae fez com ele anos antes.
Por isso, a série não trabalha com uma divisão simples entre herói e vilão.
Um roubou a vida do outro.
E o outro decidiu devolver o favor.
E quem é o verdadeiro Je Moon-jae?
Aqui a série fica ainda mais complicada.
O detetive Park Sun-yong, interpretado por Lee Kyu-hyung, tem uma ligação muito mais profunda com Moon-jae do que imaginávamos.
A investigação revela que Sun-yong havia sido adotado pelos pais de Moon-jae quando era criança.
Ele chegou a receber o nome Je Moon-jae.
Depois, quando os pais tiveram um filho biológico, Sun-yong acabou sendo devolvido ao orfanato.
E o filho biológico recebeu justamente o nome Moon-jae.
Ou seja, o nome Je Moon-jae já carregava uma história de identidade trocada muito antes dos acontecimentos principais da série.
É por isso que a relação entre Sun-yong e o protagonista é tão importante.
O detetive passou boa parte da história investigando alguém que, de certa maneira, estava ligado à própria identidade e à própria família.
E a série utiliza isso para reforçar sua principal ideia:
identidade não é necessariamente aquilo que está escrito em um documento.
Ela pode ser uma memória.
Um nome.
Uma família.
Uma história.
Ou até uma mentira repetida durante tanto tempo que começa a parecer verdade.
O que Moon-jae realmente queria?
Essa talvez seja uma das revelações mais interessantes do final.
Durante boa parte da história, parece que Moon-jae queria ser Yu-min.
Ele invejava o talento dele.
Queria sua vida.
Queria aquilo que ele tinha.
Mas, quando finalmente encara seu passado, percebemos que a questão era um pouco diferente.
Moon-jae queria ser uma versão melhor de si mesmo.
O problema é que ele tentou fazer isso da pior maneira possível:
roubando partes da vida dos outros.
Ele não conseguiu construir uma identidade própria.
Então foi pegando pedaços de outras pessoas.
A carreira de Yu-min.
A vida de alguém.
Um nome.
Uma história.
Até construir uma pessoa que, por fora, parecia completa.
Mas que por dentro não tinha absolutamente nada de próprio.
E isso explica uma das imagens mais importantes do final:
Moon-jae diante de uma página em branco.
Por que Moon-jae não consegue mais escrever?
Essa é uma das melhores ironias do encerramento.
Depois de tudo, Moon-jae consegue voltar para sua casa e recuperar a vida que acreditava ter perdido.
Ele volta para o apartamento.
Volta para a rotina.
E existe até uma expectativa para o próximo livro:
The Rat – Parte 2.
Só que existe um problema.
Moon-jae precisa escrever.
E ele não consegue.
Porque finalmente descobriu a verdade:
boa parte daquilo que construiu como escritor nunca foi realmente dele.
Os textos que o tornaram famoso pertenciam a Yu-min.
Agora ele está diante de uma página em branco e precisa produzir algo que seja verdadeiramente seu.
E não consegue.
É uma punição perfeita para o personagem.
Ele finalmente possui aquilo que passou a série inteira tentando recuperar, mas já não consegue viver como antes.
O manuscrito de Yu-min
E Yu-min ainda deixa uma última armadilha.
Antes do confronto final, ele deixa para trás um manuscrito relacionado ao segundo volume de The Rat.
Esse material revela o que Moon-jae fez e expõe a verdade sobre sua história.
Ou seja, mesmo que Yu-min desapareça, a verdade continua existindo.
Moon-jae não pode simplesmente matar o passado.
Ele pode tentar esconder.
Pode fingir.
Pode recuperar seu nome.
Pode continuar morando em seu apartamento.
Mas agora existe uma história escrita que pode destruir tudo.
E o mais cruel é que essa história é justamente aquilo que ele deveria ser capaz de fazer como escritor:
contar uma história.
Só que, dessa vez, ela é sobre ele.
Yu-min morreu?
O final deixa uma certa ambiguidade visual sobre Yu-min.
Na confrontação final, os dois se enfrentam no navio.
Moon-jae vence a luta e Yu-min cai pela janela, desaparecendo no mar.
Não há um corpo apresentado de maneira definitiva.
Para o mundo, portanto, Yu-min está morto ou desaparecido.
Moon-jae consegue voltar e assumir novamente sua identidade.
Mas isso não significa que ele tenha vencido.
Na verdade, é exatamente aí que começa sua verdadeira punição.
E o que acontece com Moon-jae?
Ele recupera sua vida.
Mas não consegue mais viver nela.
Esse é o ponto central do final.
Moon-jae passa a viver atormentado pelo que descobriu.
Ele sabe que roubou a vida de outra pessoa.
Sabe que construiu sua carreira sobre uma mentira.
Sabe que outras pessoas foram destruídas por causa de suas escolhas.
E agora não consegue mais separar o homem que acredita ser daquele que realmente foi.
Ele está preso dentro da própria identidade.
E isso explica a deterioração psicológica mostrada nos momentos finais.
O que significa a última cena?
A cena final é provavelmente a mais importante de toda a série.
Moon-jae está novamente em seu apartamento.
Ele está sozinho, perturbado e tentando continuar sua vida.
Mas não consegue escrever.
Não consegue escapar daquilo que descobriu.
E então surge a sensação de que Yu-min ainda está ali.
A presença dele pode ser interpretada de duas maneiras:
Yu-min realmente sobreviveu?
Ou tudo aquilo é uma manifestação da culpa e da paranoia de Moon-jae?
A série não oferece uma resposta definitiva.
E acredito que essa ambiguidade seja proposital.
Porque, naquele momento, pouco importa se Yu-min está realmente vivo.
Moon-jae já não consegue escapar dele.
Yu-min passou a existir dentro da cabeça de Moon-jae.
É a memória daquilo que ele fez.
É a culpa.
É o passado.
É a identidade que ele roubou.
O verdadeiro Rato é Moon-jae?
Sim — pelo menos no sentido simbólico.
Yu-min é o Rato que vemos na história.
É ele quem assume a identidade de Moon-jae.
Mas o final mostra que Moon-jae também é um Rato.
Porque ele passou anos fazendo exatamente aquilo que acusava Yu-min de fazer:
entrando na vida de outra pessoa e tomando para si aquilo que não lhe pertencia.
É por isso que a grande virada funciona tão bem.
No começo, pensamos:
"Quem está tentando roubar a vida de Moon-jae?"
No final, a pergunta muda:
"De quem era a vida que Moon-jae estava vivendo?"
E essa é uma diferença enorme.
O final explicado em uma frase
Se precisássemos resumir o final de O Rato:
Moon-jae recupera sua identidade, mas descobre que nunca soube realmente quem era.
Ele passa a série tentando provar que é Je Moon-jae.
E consegue.
Mas, quando finalmente recupera esse nome, percebe que o homem por trás dele foi construído sobre mentiras, inveja, plágio e vidas roubadas.
Então, de certa maneira, ele vence a batalha e perde completamente a própria identidade.
Afinal, quem é o verdadeiro impostor?
Essa é a grande brincadeira de O Rato.
Yu-min é o impostor que roubou a identidade de Moon-jae.
Mas Moon-jae também é um impostor, porque sua própria vida foi construída sobre a apropriação da vida e do trabalho de outras pessoas.
E existe ainda a história de Sun-yong e do nome Je Moon-jae, mostrando que essa identidade já havia sido deslocada antes mesmo de Yu-min entrar em cena.
A série transforma, assim, uma simples história de identidade roubada em algo muito mais complexo.
Não existe apenas uma pessoa usando o nome de outra.
Existem pessoas tentando escapar de quem são.
E talvez essa seja a verdadeira armadilha de Mousetrap.
A minha interpretação do final
Foi justamente esse aspecto que mais gostei na série.
Durante boa parte dos dez episódios, O Rato nos faz sentir pena de Moon-jae.
Nós queremos que ele recupere sua casa, seu dinheiro, seu nome e sua vida.
Só que, quando descobrimos a verdade, percebemos que estávamos defendendo alguém que também havia destruído a vida de outra pessoa.
E isso muda completamente nossa percepção de tudo o que veio antes.
O Rato começa como uma história sobre identidade roubada e termina como uma história sobre identidade construída.
Quem somos quando retiramos todas as mentiras?
Quem somos quando ninguém está olhando?
E, principalmente:
Se você passou anos vivendo como outra pessoa, quando finalmente recupera seu nome... quem exatamente volta para casa?
É uma conclusão bastante amarga para uma série que, apesar de toda a confusão e das muitas camadas, consegue entregar uma ideia central muito interessante:
talvez a pior prisão não seja perder a sua identidade. Talvez seja descobrir que você nunca soube quem era.
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