Banner do topo
Logo
Translate
Imagem de capa da postagem
Gabrielle

Criação de conteúdos e gestão de redes sociais

Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out — Final Explicado

Quando a fé encena milagres e a verdade cobra seu preço

  Atenção: este texto contém SPOILERS do filme.

 


 

O instante em que tudo desmorona

 

A história começa com um choque calculado. Em pleno Domingo de Ramos, durante um sermão violento e moralista, o monsenhor Jefferson Wicks (Josh Brolin) abandona o púlpito, entra em um pequeno closet ao lado do altar e, segundos depois, um estrondo ecoa pela igreja lotada.

 

O reverendo Jud Duplencity (Josh O’Connor) é o primeiro a chegar. Wicks está no chão, aparentemente morto, com um objeto metálico cravado nas costas. O espaço é minúsculo, não há janelas, não há outra saída. Ninguém entrou. Ninguém saiu.

 

Nasce ali o que Benoit Blanc chamará mais tarde de crime impossível.

 


 

Um suspeito pronto para o sacrifício

 

Recém-transferido, com um passado violento e tentando se reconstruir dentro da fé, Jud rapidamente se torna o principal suspeito. Para a cidade — e para a própria igreja — ele é o bode expiatório perfeito.

 

A comoção toma conta de Chimney Rock, enquanto a investigação começa sob uma nuvem de fanatismo, silêncio e medo. É nesse cenário que surge Benoit Blanc (Daniel Craig), convocado para auxiliar a chefe de polícia Geraldine Scott (Mila Kunis).

 

Desde o início, Blanc percebe que aquela morte não é apenas um quebra-cabeça lógico, mas o sintoma de algo muito mais profundo e apodrecido.

 


 

Um púlpito construído sobre o medo

 

Conforme a investigação avança, a imagem pública de Jefferson Wicks começa a ruir. Ele não era apenas um líder religioso severo — governava sua congregação pela humilhação, pela culpa e pela exclusão.

 

Seus discursos atacavam mães solteiras, pessoas LGBTQIA+ e qualquer fiel que ousasse divergir de sua visão extremista de fé. Quem permanecia na igreja não o fazia por devoção genuína, mas por dependência emocional e espiritual.

 

Entre os fiéis mais próximos estavam:

  • Martha Delacroix (Glenn Close), braço-direito de Wicks e guardiã dos segredos da igreja;
  • Nat Sharp (Jeremy Renner), dentista amargurado por um divórcio devastador;
  • Samson Holt (Thomas Haden Church), zelador da paróquia, alcoólatra em recuperação e parceiro de Martha;
  • além de outros membros marcados por ressentimento, fanatismo ou frustração pessoal.
  •  

O filme deixa claro: motivos não faltavam. O problema era descobrir quem teve coragem — e frieza — para executar o plano.

 


 

O segredo enterrado há gerações

 

A virada da investigação acontece quando Blanc descobre a obsessão de Wicks por uma joia histórica conhecida como Eve’s Apple.

 

Décadas antes, o avô de Jefferson, o reverendo Prentice, teria engolido o diamante antes de morrer. A joia jamais foi recuperada. A obsessão atravessou gerações.

 

A mãe de Jefferson, Grace Wicks, foi taxada de louca após destruir partes da igreja em busca da pedra. Agora, Jefferson planejava abrir o túmulo do avô para finalmente se apropriar da fortuna.

 

Nesse ponto, o filme revela algo crucial: o assassinato não nasceu do ódio momentâneo, mas de uma conspiração cuidadosamente planejada.

 


 

Um plano engenhoso — e cruel

 

O plano original envolvia três pessoas: Martha Delacroix, Nat Sharp e Samson Holt.

 

Convencida de que a joia havia corrompido toda a família Wicks, Martha decide agir antes que Jefferson repita o mesmo ciclo. Ela droga o cantil que ele bebe após os sermões com uma substância paralisante e costura uma faca falsa em sua batina.

 

Quando Wicks cai no closet, Nat Sharp entra como médico para prestar “socorro”. Sozinho com o corpo, remove a faca falsa e o esfaqueia de verdade. O assassinato acontece ali, sem testemunhas, consolidando o crime impossível.

 

Mas essa era apenas a primeira etapa.

 


 

O milagre fabricado

 

A segunda fase do plano é ainda mais perturbadora: uma ressurreição encenada.

 

Durante o funeral, o corpo de Wicks seria trocado pelo de Samson. Dias depois, o túmulo da família seria explodido e Samson surgiria diante das câmeras disfarçado de Jefferson, alimentando o delírio coletivo de um milagre.

 

Enquanto a cidade se voltaria para a “ressurreição”, Martha recuperaria a joia e a esconderia para sempre.

 

Por pouco, o plano não se concretiza.

 


 

Quando a ganância quebra a aliança

 

O elo frágil da conspiração é Nat Sharp. Movido pela ganância, ele decide romper o acordo. Mata Samson na floresta e tenta assumir o controle total da situação, planejando ficar com a joia e incriminar Jefferson por tudo.

 

Ao perceber que Martha desconfia, tenta envenená-la.


Mas ela troca as xícaras.

 

Nat morre com o próprio veneno.

 

Destruída pela perda de Samson e pelo peso de suas escolhas — ter causado a morte de Wicks e, indiretamente, a de Nat — Martha toma uma dose letal do mesmo medicamento. Antes de morrer, confessa tudo a Jud e recebe os últimos ritos.

 


 

A decisão que muda tudo

 

Benoit Blanc ouve a confissão. Ele entende cada peça do quebra-cabeça. Resolve o caso por completo.

 

Mas faz algo inédito na franquia.

 

Diante da imprensa, Blanc afirma que não conseguiu solucionar o mistério. Uma mentira consciente. Uma escolha moral. Ele se recusa a transformar aquela tragédia em espetáculo público.

 

A verdade vem à tona depois, de forma discreta, pelas vias legais. Sem milagre. Sem circo. Sem catarse coletiva.

 


 

O símbolo final e o verdadeiro milagre

 

No encerramento, Jud esconde o diamante dentro da estátua de Cristo no altar — um gesto simbólico que sela o fim da maldição da joia. Ele também muda o nome da igreja, tentando ressignificar um espaço antes dominado por medo, culpa e controle.

 

O filme deixa uma mensagem clara:

O verdadeiro milagre não foi a ressurreição encenada.


Foi a chance de romper ciclos de violência, ganância e hipocrisia travestidos de fé.

 

Um final amargo, inteligente e profundamente coerente com tudo o que Vivo ou Morto constrói até o último minuto.

Tags:

#filmes #finalexplicado #netflix

Comentários (0)