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Gabrielle

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Coyote vs. Acme: o Coyote finalmente enfrenta a Acme — e a nostalgia vem com tudo

Uma história que se passa no armazém da ACME, fabricante de tudo o que é usado pelos personagens dos Looney Tunes.

História

Depois que todos os produtos fabricados pela ACME Corporation saíram pela culatra para Wile E. Coyote, em sua busca pelo Road Runner, ele contrata um advogado humano igualmente azarado para processar a empresa. Quando Wile E. ' Quando o advogado descobre que o chefe intimidador de seu ex-escritório de advocacia é o CEO da ACME, ele se junta a Wile E. para vencer o processo judicial contra ele.

História

Pode Ver Sem Medo

Quem cresceu vendo o Coyote se dar mal tentando capturar o Papa-Léguas provavelmente vai sentir alguma coisa já nos primeiros minutos de Coyote vs. Acme.

 

Porque basta aquele deserto, uma armadilha absurda, um produto da ACME e a expectativa de que tudo vai dar errado.

 

E, claro, o famoso “bip bip”.

 

É praticamente impossível não lembrar do desenho. Quem nunca ficou esperando o Coyote finalmente conseguir pegar o Papa-Léguas? Quem nunca viu foguetes, explosivos, bigornas, estilingues gigantes, patins a jato e toda espécie de invenção da ACME se voltar contra ele?

 

É justamente nessa memória afetiva que Coyote vs. Acme aposta.

 

E, felizmente, o filme entende que não precisa reinventar completamente esses personagens para funcionar.

 

Às vezes, algumas coisas funcionam justamente porque sempre foram daquele jeito.

 

 

Uma história que parece simples — mas abre espaço para muita coisa

 

A premissa é excelente:

e se, depois de décadas usando produtos da ACME que invariavelmente dão errado, o Coyote decidisse processar a empresa?

 

É isso que acontece.

 

Wile E. Coyote está cansado de ser vítima dos próprios produtos que compra para tentar capturar o Papa-Léguas. Depois de mais uma sequência de planos desastrosos, ele encontra uma maneira de levar a ACME aos tribunais.

 

Só existe um pequeno problema:

Coyote não fala.

 

Então ele precisa de alguém que fale por ele.

 

É aí que entra Kevin Avery, interpretado por Will Forte, um advogado de lesões pessoais que não exatamente está vivendo o melhor momento de sua carreira.

 

Kevin aceita representar o Coyote e, inicialmente, o caso parece relativamente simples: um consumidor processando uma empresa por produtos defeituosos.

 

Mas, como tudo nesse universo, as coisas rapidamente saem do controle.

 

O que começa como uma ação judicial contra a ACME cresce para algo muito maior, envolvendo outras personagens dos Looney Tunes e uma investigação sobre o funcionamento da empresa.

 

A história mistura então comédia jurídica, aventura, investigação e o humor físico clássico dos desenhos.

 

E essa mistura é justamente uma das coisas mais interessantes do filme.

 


 

Wile E. Coyote: finalmente entendemos por que tudo dá errado

 

O Coyote sempre foi um personagem curioso.

 

Ele é inteligente.

 

É inventivo.

 

É persistente.

 

É capaz de construir planos absurdamente elaborados.

 

E, ainda assim, tudo dá errado.

 

Sempre.

 

A graça dos desenhos nunca esteve simplesmente no fato de ele ser burro. Pelo contrário. Muitas vezes o Coyote parece ser inteligente demais para o próprio bem.

 

O problema é que ele vive tentando encontrar uma solução cada vez mais complicada para um problema que talvez nem precisasse existir.

 

E Coyote vs. Acme aproveita justamente essa característica para transformar sua eterna sequência de fracassos em parte da história.

 

Pela primeira vez, existe uma explicação concreta para aquela quantidade absurda de acidentes.

 

Talvez o problema não seja apenas o Coyote.

 

Talvez a ACME realmente tenha alguma responsabilidade.

 

E isso muda completamente a nossa maneira de olhar para aqueles desenhos antigos.

 

Porque, de repente, aquela coleção interminável de explosões, quedas de precipícios e objetos que funcionam exatamente ao contrário do esperado pode ser interpretada como uma gigantesca sequência de produtos defeituosos.

 

É uma brincadeira simples, mas muito inteligente.

 


 

Will Forte funciona como a voz que o Coyote nunca teve

 

Will Forte interpreta Kevin Avery, o advogado que assume o caso.

 

E existe uma escolha muito boa aí.

 

O Coyote continua praticamente fiel à sua essência. Ele não precisa começar a falar de repente, fazer discursos ou virar um personagem completamente diferente.

 

Quem fala por ele é Kevin.

 

Isso preserva uma característica importante dos desenhos: o silêncio do Coyote.

 

Ele continua se comunicando através de expressões, gestos, placas e daquele olhar desesperado que conhecemos tão bem.

 

A diferença é que agora existe um humano ao lado dele tentando traduzir tudo aquilo em linguagem jurídica.

 

Kevin funciona também como nosso ponto de entrada para aquela loucura.

 

Ele olha para Coyote, para a ACME, para os outros Looney Tunes e, muitas vezes, parece estar tentando entender como sua vida chegou àquele ponto.

 

É exatamente a reação que nós teríamos.

 


 

Lana Condor e Paige Avery

 

Lana Condor interpreta Paige Avery, sobrinha de Kevin.

 

Ela entra na história como parte do núcleo humano e acaba se envolvendo cada vez mais na investigação.

 

Paige ajuda a trazer energia para a história e funciona como uma ponte entre a vida pessoal de Kevin e a batalha que começa a crescer em torno do Coyote.

 

O interessante é que o filme não transforma os personagens humanos em protagonistas absolutos.

 

No final das contas, estamos ali por causa do Coyote.

 

E isso é importante.

 


 

John Cena é Buddy Crane

 

Do outro lado da disputa está Buddy Crane, interpretado por John Cena.

 

Crane é o advogado que representa a ACME e funciona como o principal adversário de Kevin.

 

E aqui o filme aproveita muito bem uma estrutura clássica de histórias jurídicas: o advogado aparentemente preparado, confiante e conectado a uma grande corporação contra o sujeito que está tentando lutar contra algo muito maior do que ele.

 

A diferença é que um dos lados da disputa é literalmente um coiote de desenho animado.

 

E o outro lado tem John Cena.

 

Ou seja: não poderia ser mais absurdo.

 


 

E o Papa-Léguas?

 

É claro que ele está aqui.

 

Afinal, não existe Coyote sem Papa-Léguas.

 

Durante décadas, a relação entre os dois foi extremamente simples:

Coyote quer pegar o Papa-Léguas.

 

Papa-Léguas corre.

 

Coyote se dá mal.

 

Bip bip.

 

Fim.

 

Só que Coyote vs. Acme encontra uma maneira curiosa de mexer nessa relação sem destruí-la.

 

E aqui está uma das ideias mais legais do filme.

 

O Papa-Léguas não necessariamente enxerga o Coyote como nós imaginávamos.

 

Em determinado momento, ele aparece para testemunhar e deixa claro que considera o Coyote um amigo.

 

E isso muda completamente a leitura daquela perseguição interminável.

 

Durante décadas, nós interpretamos aquela relação como uma guerra.

 

Mas e se, para eles, aquilo sempre tivesse sido uma espécie de brincadeira?

 

Uma rotina?

 

Um relacionamento que só funciona daquele jeito?

 

O filme não precisa apagar a rivalidade.

 

Ele apenas acrescenta outra camada.

 

O Coyote continua querendo pegar o Papa-Léguas.

 

O Papa-Léguas continua fugindo.

 

Mas existe uma espécie de carinho por trás daquilo.

 

E, sinceramente, isso combina muito com a lógica dos desenhos.

 


 

A nostalgia é praticamente um personagem

 

E aqui está talvez a parte mais gostosa de Coyote vs. Acme.

 

Quem cresceu vendo o desenho vai sentir nostalgia na veia.

 

Porque o filme não depende apenas de colocar o Coyote e o Papa-Léguas na tela.

 

Ele recupera toda aquela linguagem.

 

Os produtos da ACME.

 

As perseguições.

 

As quedas.

 

As explosões.

 

As armadilhas.

 

O deserto.

 

O “bip bip”.

 

E principalmente aquela sensação de que, não importa o tamanho do plano elaborado pelo Coyote, alguma coisa vai dar errado.

 

É muito bom rever isso.

 

Existe uma memória afetiva muito forte nesses personagens.

 

Talvez até mais forte do que imaginamos.

 

Porque o Coyote não era apenas um personagem que aparecia na televisão.

 

Ele era aquele personagem que a gente via se ferrar repetidamente e, mesmo assim, continuava torcendo para que um dia ele conseguisse.

 

E essa é uma das grandes sacadas do filme:

nós finalmente estamos do lado do Coyote.

 

Não queremos mais vê-lo explodir.

 

Não queremos mais vê-lo cair do precipício.

 

Não queremos mais vê-lo ser esmagado por uma bigorna.

 

Queremos que alguém reconheça que aquilo tudo não é normal.

 

Queremos que a ACME pague.

 


 

E é aí que entram os outros Looney Tunes

 

O filme não fica restrito ao Coyote e ao Papa-Léguas.

 

Outros personagens conhecidos aparecem ao longo da história, alguns em participações maiores e outros em pequenas aparições.

 

Entre eles estão personagens como Pernalonga, Patolino, Piu-Piu, Frajola e Galo da Madrugada.

 

E isso cria uma sensação muito gostosa de universo compartilhado.

 

É como se o filme estivesse dizendo:

“Sim, esse mundo sempre esteve cheio desses personagens. Agora vamos descobrir como eles vivem quando não estamos assistindo aos desenhos.”

 

Essa escolha ajuda a expandir o universo sem precisar transformar tudo em uma grande mitologia.

 

E isso é outro acerto.

 


 

A ACME finalmente vira a vilã

 

Nos desenhos, a ACME sempre foi aquela empresa misteriosa que vendia absolutamente qualquer coisa.

 

Precisava de um foguete?

ACME.

 

Precisava de uma bigorna?

ACME.

 

Um estilingue gigante?

ACME.

 

Explosivos?

Provavelmente também tinha.

 

O detalhe é que os produtos nunca pareciam funcionar muito bem.

 

Coyote vs. Acme pega essa piada e pergunta:

E se alguém finalmente resolvesse responsabilizar a empresa?

 

A partir daí, o filme transforma a ACME em uma corporação que precisa responder pelas consequências de seus produtos.

 

E o caso deixa de ser apenas sobre o Coyote.

 

A investigação passa a revelar que existem outros personagens que também foram prejudicados.

 

É quando o filme começa a assumir uma dimensão de sátira corporativa.

 

De um lado está uma empresa enorme.

 

Do outro, um sujeito que passou a vida inteira sendo tratado como uma piada.

 

E é justamente esse “azarado profissional” que decide bater de frente com a corporação.

 


 

O desenvolvimento: quando o desenho vira filme

 

Esse talvez seja o ponto mais delicado.

 

A ideia de transformar uma piada de poucos minutos em um longa-metragem de quase duas horas não é simples.

 

Um episódio clássico do Coyote e do Papa-Léguas funciona porque a estrutura é extremamente direta:

ideia → plano → execução → desastre.

 

Repetir isso por 100 minutos seria impossível.

 

Então o filme precisa criar uma história maior.

 

Por isso entram Kevin, Paige, a investigação, a ACME, o tribunal e toda a parte envolvendo os outros personagens.

 

O longa tenta equilibrar dois mundos:

o mundo real, com advogados, empresas e processos;

e

o mundo completamente absurdo dos Looney Tunes.

 

E, na maior parte do tempo, essa mistura funciona porque o filme não tenta explicar demais o absurdo.

 

Ele simplesmente aceita que aquele é o mundo em que estamos.

 

Um Coyote pode atravessar uma parede.

 

Uma bigorna pode cair do céu.

 

Um personagem pode ser esmagado e continuar andando.

 

E ninguém precisa parar a história para explicar a física daquele universo.

 

Ainda bem.

 


 

E tem uma ironia deliciosa na história do próprio filme

 

Talvez uma das maiores curiosidades de Coyote vs. Acme esteja fora da tela.

 

O filme foi desenvolvido pela Warner Bros., começou a ser produzido anos antes e foi filmado em 2022.

 

Só que, em 2023, quando já estava concluído, a Warner Bros. decidiu não lançá-lo. O projeto entrou em uma disputa que acabou envolvendo questões financeiras e tributárias, e a decisão provocou forte reação de fãs e profissionais da indústria.

 

E aí aconteceu algo que parece roteiro de filme.

 

Depois de anos tentando encontrar um caminho para chegar ao público, Coyote vs. Acme foi adquirido pela Ketchup Entertainment e finalmente ganhou lançamento nos cinemas em 2026.

 

Ou seja:

o filme sobre o Coyote tentando enfrentar uma empresa que insiste em fazer tudo dar errado também passou anos tendo tudo dando errado.

 

É quase uma piada escrita pelo próprio Looney Tunes.

 

O diretor Dave Green e integrantes do elenco contaram que o filme havia passado por sessões de teste positivas antes de ser arquivado, o que tornou a decisão ainda mais frustrante para a equipe.

 

E talvez seja por isso que assistir ao filme tenha uma sensação adicional.

 

Você está vendo um filme que, assim como seu protagonista, caiu do precipício, foi esmagado pela bigorna e mesmo assim levantou.

 


 

O que Coyote vs. Acme quer dizer?

 

Por trás de toda a pancadaria, explosão e nostalgia existe uma mensagem relativamente simples.

 

Algumas coisas não precisam ser consertadas.

 

A relação entre Coyote e Papa-Léguas é um ótimo exemplo.

 

Durante décadas, eles foram inimigos.

 

Ou pelo menos era assim que nós enxergávamos.

 

Coyote perseguia.

 

Papa-Léguas fugia.

 

Coyote falhava.

 

E no episódio seguinte começava tudo de novo.

 

O filme poderia tentar transformar essa relação em alguma coisa completamente diferente.

 

Poderia fazer o Coyote finalmente capturar o Papa-Léguas.

 

Poderia transformar os dois em inimigos de verdade.

 

Poderia até acabar com aquela dinâmica para criar uma “evolução” dos personagens.

 

Mas não.

 

No fim, o que o filme parece entender é justamente o contrário:

deixa como está.

 

Porque funciona.

 

O Coyote e o Papa-Léguas podem continuar sendo rivais e, ao mesmo tempo, existir um carinho naquela relação.

 

Eles podem continuar se perseguindo.

 

Podem continuar tentando capturar um ao outro.

 

Podem continuar vivendo naquele ciclo eterno.

 

E está tudo bem.

 

Talvez seja justamente essa repetição que tornou os dois tão especiais.

 


 

No fim, é um filme sobre nostalgia — mas não só

 

Coyote vs. Acme funciona melhor quando entende que não precisa competir com os desenhos clássicos.

 

Ele não precisa ser mais engraçado.

 

Não precisa ser mais absurdo.

 

Não precisa reinventar completamente o Coyote.

 

Ele só precisa pegar aqueles personagens que conhecemos e colocá-los em uma situação diferente.

 

E é isso que o filme faz.

 

Transforma uma das maiores vítimas da ACME em um consumidor revoltado.

 

Transforma a eterna perseguição ao Papa-Léguas em uma relação com outra camada emocional.

 

Transforma a ACME em uma corporação que precisa responder pelos seus produtos.

 

E transforma o silêncio do Coyote em uma oportunidade para colocar um advogado ao lado dele.

 

Tudo isso sem esquecer o principal:

Coyote continua sendo Coyote.

 

Ele continua insistindo.

 

Continua tentando.

 

Continua caindo.

 

Continua se levantando.

 

E, provavelmente, vai continuar tentando pegar o Papa-Léguas até o fim dos tempos.

 

E talvez essa seja a melhor mensagem do filme.

 

Algumas coisas não precisam mudar.

 

O Papa-Léguas precisa continuar fazendo bip bip.

 

O Coyote precisa continuar correndo atrás.

 

A ACME precisa continuar vendendo coisas absurdas.

 

E nós precisamos continuar esperando que, dessa vez, o Coyote consiga.

 

Mesmo sabendo que provavelmente não vai.

 

Porque é justamente assim que deve ser.

 

E quando um filme consegue trazer de volta uma memória dessas sem destruir aquilo que fazia a memória ser especial, já existe aí uma pequena vitória.

 

Afinal, depois de tantos anos, o Coyote finalmente teve a chance de contar o outro lado da história.

 

E, dessa vez, nós estamos ouvindo.

Pode Ver Sem Medo

Curiosidades

O escritório jurídico de Avery, Jones and Maltese é uma homenagem aos animadores da Warner Bros Tex Avery, Chuck Jones e Michael Maltese.

 

A inspiração para o roteiro veio de um artigo da New Yorker de 1990 intitulado Coyote V. Acme, de Ian Frazier.

 

Muitas cenas ao ar livre em Coyote vs. Acme foram filmadas no Novo México. O Greater Roadrunner, rival de longa data do Coyote, também é o pássaro do estado do Novo México.

 

O local de filmagem do escritório de advocacia de Avery, Jones e Maltese fica do outro lado da rua do local de filmagem da A1A Car Wash de Breaking Bad.

 

O personagem principal Wile E. Coyote nunca pronuncia uma única palavra ao longo do filme, ele usa sinais escritos, desenhos e recursos visuais para se comunicar.

Curiosidades

Onde assistir?

O filmes está nos cinemas e em algumas plataformas digitais.

Avaliações

  • IMDB logo 7,5
    Rotten Tomatoes logo 96%
    PVSM logo 7,5

Tags:

#filmes #cinema #animação #coyotevsacme

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