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Gandhari: quando uma mãe perde tudo e decide fazer justiça com as próprias mãos
Segue a busca incansável de uma mãe para encontrar e resgatar sua filha sequestrada, explorando temas de vingança e redenção em meio a sua jornada angustiante.
História
O cinema indiano tem uma longa tradição de histórias sobre mulheres fortes, mas Gandhari, novo thriller da Netflix estrelado por Taapsee Pannu, leva essa ideia para um caminho mais sombrio.
O filme acompanha uma mãe que vê sua vida ser destruída depois de um acontecimento brutal: sua filha é sequestrada e, durante o crime, ela também perde a visão.
A partir daí, começa uma jornada de dor, investigação, violência e vingança.
Pode Ver Sem Medo
Gandhari, novo thriller indiano da Netflix estrelado por Taapsee Pannu, parte de uma premissa que tinha tudo para render um daqueles filmes de suspense que prendem a atenção até o último minuto.
Uma criança é sequestrada. Outras meninas também desapareceram. Por trás desses crimes existe uma rede de tráfico humano que parece estar protegida por diferentes setores de uma pequena cidade. E, no centro de tudo, temos uma mãe que perdeu a visão durante o sequestro da própria filha e decide encontrá-la a qualquer custo.
A ideia é boa.
O problema é que, conforme a história avança, Gandhari parece não saber exatamente como aproveitar a própria premissa. O filme apresenta elementos interessantes, mas seu desenvolvimento acaba deixando algumas tramas desconectadas e uma protagonista que, em determinados momentos, parece praticamente uma heroína imortal.
O resultado não chega a ser um filme ruim, mas também não é aquele thriller que consegue nos envolver completamente.
A história de Gandhari
A protagonista é Bani, interpretada por Taapsee Pannu.
Bani é mãe de Mishty, uma menina que acaba sendo sequestrada.
Durante o ataque, Bani também perde a visão.
A partir desse momento, sua vida muda completamente. Ela passa a viver em Joypurra, uma pequena cidade que esconde muito mais do que aparenta.
Mas Bani não aceita simplesmente esperar que a polícia resolva o caso. Ela começa a investigar por conta própria e percebe que o desaparecimento de sua filha pode estar relacionado a outros casos de meninas sequestradas.
Aos poucos, surge uma realidade ainda mais perturbadora: existe uma estrutura de tráfico humano operando na região, e diferentes sistemas que deveriam proteger a população parecem estar comprometidos.
É aí que a história apresenta seu principal conflito.
Bani precisa encontrar a filha enquanto tenta descobrir quem está por trás dos desaparecimentos.
E quanto mais ela investiga, mais percebe que não está enfrentando apenas criminosos isolados.
Existe uma rede.
Existe dinheiro.
Existe corrupção.
E existe muita gente interessada em manter tudo em silêncio.
Uma premissa bastante interessante
Aqui está, para mim, uma das maiores qualidades de Gandhari.
A ideia de meninas sendo sequestradas e traficadas em uma pequena cidade, enquanto diferentes instituições estão corrompidas, cria um cenário naturalmente angustiante.
Não é apenas uma história sobre uma criança desaparecida.
É uma história sobre um sistema que deveria proteger essas pessoas, mas que aparentemente está funcionando justamente para proteger quem comete os crimes.
Isso cria várias possibilidades narrativas.
Poderíamos ter uma investigação policial complexa, uma rede de corrupção sendo descoberta aos poucos, diferentes personagens envolvidos no esquema e, paralelamente, Bani tentando encontrar a filha.
O problema é que o filme apresenta algumas dessas possibilidades, mas nem sempre consegue desenvolvê-las de maneira satisfatória.
Bani: de mãe desesperada a máquina de combate
Taapsee Pannu é o grande nome do filme e Bani é, sem dúvida, uma personagem com potencial.
Ela perde a filha, perde a visão e precisa enfrentar uma situação completamente fora de seu controle.
Até aí, funciona.
O problema aparece quando o filme começa a transformar Bani em uma espécie de heroína de ação praticamente indestrutível.
Em vez de vermos uma mulher comum tentando sobreviver e descobrir maneiras de compensar a própria deficiência visual, em determinados momentos parece que estamos acompanhando uma personagem com habilidades quase sobrenaturais.
Bani enfrenta pessoas muito mais fortes, situações extremamente perigosas e praticamente não parece sofrer consequências proporcionais ao que está acontecendo.
Isso prejudica um pouco a tensão.
Porque, em um thriller, precisamos sentir que o protagonista está realmente em perigo.
Quando a personagem parece capaz de sair de praticamente qualquer situação, o suspense diminui.
E esse é um dos problemas de Gandhari: o filme quer que sintamos a vulnerabilidade de Bani, mas ao mesmo tempo transforma a personagem em uma espécie de força da natureza.
Gokul, o marido
Gokul, interpretado por Ishwak Singh, é o marido de Bani e pai de Mishty.
Ele começa como uma peça importante na história, principalmente porque o desaparecimento da filha obviamente afeta os dois.
Mas o personagem ganha outra dimensão quando algumas informações sobre seu envolvimento com os acontecimentos vêm à tona.
E aqui o filme tinha uma oportunidade interessante.
A descoberta poderia gerar um conflito familiar muito mais complexo, com desconfiança, ressentimento, culpa e consequências para o relacionamento dos dois.
Mas o desenvolvimento é bastante direto.
Quando Bani descobre o que aconteceu, os dois simplesmente partem para a agressão física.
E fica praticamente por isso mesmo.
É uma situação que poderia render uma sequência emocionalmente muito mais forte, mas acaba sendo resolvida de maneira rápida demais.
É como se o filme tivesse uma informação importante para revelar, mas não soubesse exatamente o que fazer com ela depois da revelação.
E a polícia?
Esse é outro ponto que me incomodou bastante.
Existe uma investigação policial acontecendo paralelamente à busca de Bani.
O policial Kabir, interpretado por Jatin Sarna, está envolvido na investigação dos desaparecimentos e na tentativa de entender o que está acontecendo.
Só que, durante boa parte da história, parece que estamos acompanhando dois filmes diferentes.
De um lado, temos Bani investigando o desaparecimento da filha.
Do outro, temos a polícia investigando os mesmos acontecimentos.
E seria natural que essas duas linhas narrativas eventualmente se cruzassem.
Mas isso demora muito mais do que deveria.
Bani está investigando uma coisa.
A polícia está investigando praticamente a mesma coisa.
E, em vez de as duas investigações se complementarem e aumentarem a tensão, elas frequentemente parecem funcionar como histórias paralelas.
Esse é um daqueles casos em que uma estrutura narrativa poderia deixar o filme mais interessante, mas acaba tendo o efeito contrário.
Os vilões e a rede criminosa
A história também apresenta uma organização criminosa conhecida como Blackhole, liderada por um personagem interpretado por Prashant Narayanan.
A existência dessa organização ajuda a ampliar a dimensão do problema.
Não estamos falando apenas de um sequestrador.
Existe uma estrutura por trás dos crimes, e o tráfico de meninas funciona como parte de algo maior.
Esse aspecto combina muito bem com a premissa do filme porque coloca Bani diante de um inimigo que não pode simplesmente ser eliminado com uma única descoberta.
Mas, novamente, o filme nem sempre consegue explorar toda a dimensão dessa rede.
A corrupção institucional e o tráfico humano poderiam ser o coração de um thriller muito mais elaborado.
Em Gandhari, esses elementos estão presentes, mas muitas vezes parecem existir mais como peças da história do que como algo realmente aprofundado.
O significado do título Gandhari
O título faz referência a uma personagem da mitologia hindu, Gandhari, conhecida principalmente por sua participação no Mahabharata.
Gandhari era esposa de Dhritarashtra, um rei cego. Como demonstração de solidariedade ao marido, ela decidiu vendar os próprios olhos e viver voluntariamente na escuridão.
A referência ganha um significado evidente no filme.
Bani também passa a viver sem enxergar depois do ataque que sofre.
Mas existe uma diferença importante.
Gandhari escolheu a escuridão.
Bani é obrigada a enfrentá-la.
Essa associação ajuda a estabelecer uma relação entre a personagem do filme e a figura mitológica que dá nome à produção.
A cidade de Joypurra
Outro elemento interessante é a própria cidade onde a história acontece.
Joypurra é fictícia, mas o filme procura construir uma identidade própria para o local.
Um dos elementos culturais apresentados são os Behrupiyas, artistas tradicionais conhecidos por suas caracterizações e transformações em diferentes personagens.
A utilização dessa tradição combina com o universo do filme, principalmente porque Gandhari trabalha bastante com a ideia de aparências, identidades e pessoas que escondem quem realmente são.
A cidade acaba funcionando quase como mais um personagem da história.
Por trás da aparência de uma comunidade pequena e aparentemente comum, existe uma realidade muito mais sombria.
Afinal, Gandhari é bom?
Gandhari não chega a ser um filme ruim.
E acho importante fazer essa distinção porque a premissa realmente é boa.
A ideia de uma pequena cidade onde meninas são sequestradas e traficadas enquanto diferentes sistemas estão corrompidos poderia render um thriller muito mais envolvente.
O problema está principalmente no desenvolvimento.
O filme apresenta muitos elementos interessantes, mas não consegue fazer com que todos funcionem juntos.
Temos a investigação de Bani.
Temos a investigação policial.
Temos o marido envolvido.
Temos a organização criminosa.
Temos a corrupção.
Temos o tráfico de meninas.
Temos a perda da visão.
Temos a vingança.
São muitos elementos para uma história relativamente curta, e alguns acabam ficando pouco desenvolvidos.
O caso da polícia é um bom exemplo. A investigação poderia complementar perfeitamente a jornada de Bani, mas durante boa parte do filme parece uma narrativa paralela que simplesmente não conversa com a protagonista.
O marido também poderia gerar um conflito muito mais complexo, mas a descoberta de seu envolvimento termina praticamente em uma briga.
E Bani, que deveria ser uma personagem vulnerável justamente por ter perdido a visão, gradualmente se transforma em uma heroína de ação quase impossível de derrotar.
Tudo isso acaba diminuindo o impacto.
O maior problema: falta de envolvimento
Talvez essa seja a melhor maneira de resumir minha experiência com Gandhari.
Não é um filme que necessariamente dá vontade de abandonar. Mas também não é um filme que consegue nos prender completamente.
Você acompanha porque quer descobrir o que aconteceu com Mishty e quem está por trás dos crimes.
A premissa continua interessante.
A atuação de Taapsee segura boa parte da produção.
Mas o roteiro vai criando situações que parecem promissoras e depois resolve algumas delas de maneira rápida demais.
E, quando percebemos, estamos mais interessados em descobrir como a história vai terminar do que realmente envolvidos emocionalmente com aquilo que está acontecendo.
Para um thriller sobre sequestro, tráfico humano, corrupção e uma mãe procurando desesperadamente pela filha, isso acaba sendo uma pena.
Conclusão
Gandhari tinha todos os ingredientes para ser um thriller muito mais marcante.
A premissa é forte: meninas desaparecendo e sendo traficadas, uma pequena cidade tomada por diferentes formas de corrupção e uma mãe que, depois de perder a visão, decide procurar a filha por conta própria.
O filme também conta com Taapsee Pannu, que entrega uma protagonista intensa e fisicamente bastante exigida.
Mas o roteiro acaba tropeçando no próprio excesso de elementos.
A investigação policial parece correr em paralelo à de Bani durante boa parte da história, o conflito envolvendo o marido é resolvido de maneira simplista e a protagonista passa de uma mulher vulnerável para uma espécie de heroína praticamente indestrutível.
No fim, Gandhari não chega a ser ruim — só não consegue engajar tanto quanto sua premissa prometia.
É um filme que tinha uma história interessante nas mãos, mas que talvez precisasse de um roteiro mais coeso e de personagens melhor desenvolvidos para transformar essa boa ideia em um thriller realmente memorável.
Curiosidades
Taapsee Pannu e Kanika Dhillon
Gandhari reúne novamente Taapsee Pannu e a roteirista e produtora Kanika Dhillon.
As duas já haviam trabalhado juntas em filmes como Haseen Dillruba e Phir Aayi Hasseen Dillruba.
A parceria acabou se tornando uma das características marcantes dos projetos de Dhillon com Taapsee.
Um papel fisicamente exigente
Bani é uma personagem que exige bastante fisicamente de Taapsee.
Além das cenas de ação, a atriz precisava interpretar uma mulher que perdeu a visão e adaptar sua atuação a essa condição.
Isso cria um desafio interessante porque a personagem não poderia simplesmente agir como se nada tivesse acontecido.
Ao mesmo tempo, como já comentamos, o filme às vezes exagera nas capacidades de Bani, fazendo com que a personagem pareça muito menos vulnerável do que a situação sugeriria.
Direção de Devashish Makhija
A direção é de Devashish Makhija, cineasta conhecido por histórias mais sombrias e personagens colocados em situações extremas.
Em Gandhari, ele constrói um universo que mistura thriller, ação, drama familiar e crime.
A intenção é claramente criar uma história de vingança com uma dimensão social.
Onde assistir?
O filme está na Netflix.
Avaliações
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5,1
25%
5,0
Tags:
#filmes #drama #indiano #netflix #gandhariVisualizações:
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