Banner do topo
Logo
Translate
Imagem de capa da postagem
Gabrielle

Criação de conteúdos e gestão de redes sociais

Foge, Coelho: final explicado, história, elenco e crítica do filme da Netflix

Sarah Snook interpreta uma médica de fertilidade que acredita firmemente na vida e na morte, mas depois de perceber o comportamento estranho de sua filha pequena, deve desafiar seus próprios valores.

História

Como médica especialista em fertilidade, Sarah compreende profundamente o ciclo da vida. No entanto, ao tentar entender o comportamento cada vez mais estranho de sua filha pequena, ela precisa questionar suas próprias crenças e enfrentar um fantasma do passado.

História

Pode Ver Sem Medo

Foge, Coelho (Run Rabbit Run) é daqueles filmes que começam parecendo um drama familiar com uma atmosfera estranha e, aos poucos, vão empurrando o espectador para um território muito mais sombrio.

 

Lançado em 2023 e dirigido por Daina Reid, o filme acompanha Sarah, uma médica especialista em fertilidade interpretada por Sarah Snook, e sua filha Mia, vivida pela pequena Lily LaTorre.

 

O que começa com comportamentos estranhos de uma criança se transforma em uma história sobre maternidade, memória, culpa, luto e acontecimentos do passado que Sarah passou boa parte da vida tentando deixar para trás.

 

O filme estreou no Festival de Sundance em janeiro de 2023 e chegou à Netflix em 28 de junho daquele ano. A produção australiana tem cerca de 1h40 e mistura drama, suspense psicológico, mistério e terror.

 

 

A história de Foge, Coelho

Sarah é uma médica de fertilidade e mãe solo que vive com a filha Mia.

 

Depois da morte do pai de Sarah, mãe e filha passam a enfrentar um período emocionalmente complicado. É então que Mia começa a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos.

 

A menina encontra um antigo desenho de um coelho e passa a demonstrar uma ligação inexplicável com uma menina chamada Alice.

 

O problema é que Alice não é simplesmente uma amiga imaginária.

 

Conforme Mia começa a falar sobre acontecimentos que não deveria conhecer, Sarah percebe que algumas dessas informações estão relacionadas à sua própria infância e a acontecimentos dolorosos que ela preferia esquecer.

 

A partir daí, o filme começa a brincar com uma pergunta bastante interessante:

Mia está realmente sendo assombrada por algo sobrenatural ou Sarah está sendo obrigada a encarar lembranças e culpas que enterrou durante anos?

 

E é justamente nessa dúvida que Foge, Coelho encontra seus melhores momentos.

 


 

Personagens principais

 

Sarah — Sarah Snook

Sarah é uma médica especialista em fertilidade e mãe de Mia.

Ela é uma personagem racional, acostumada a lidar profissionalmente com questões relacionadas à vida, à morte e à reprodução. Mas sua segurança começa a desaparecer quando a filha passa a apresentar comportamentos que desafiam tudo aquilo em que acredita.

Sarah também carrega um passado familiar complicado e sentimentos de culpa que nunca foram realmente resolvidos.

Sarah Snook sustenta boa parte do filme justamente porque consegue transmitir essa transformação: de uma mulher aparentemente controlada para alguém cada vez mais fragilizada e perturbada.

A Netflix destacou que o longa marca o retorno de Snook a uma produção australiana depois de Succession.

 

Mia — Lily LaTorre

Mia é a filha de Sarah e, sem dúvida, uma das grandes forças do filme.

Ela começa como uma criança aparentemente normal, mas seu comportamento muda depois que começa a falar sobre Alice e sobre acontecimentos que parecem pertencer ao passado de sua mãe.

E aqui está uma das coisas mais interessantes do filme: Lily LaTorre é assustadora sem precisar exagerar.

Ela consegue alternar entre a vulnerabilidade de uma criança e momentos em que seu olhar e suas expressões parecem pertencer a alguém muito mais velho.

Foi justamente a atuação de LaTorre que chamou a atenção de alguns críticos. A Variety, por exemplo, destacou a atuação de Snook e da então estreante como alguns dos pontos fortes da produção.

 

Pete — Damon Herriman

Pete é o ex-marido de Sarah e pai de Mia.

Ele aparece principalmente como parte da dinâmica familiar e ajuda a mostrar que Sarah já está emocionalmente sobrecarregada antes mesmo de os acontecimentos estranhos começarem.

 

Joan — Greta Scacchi

Joan é a mãe de Sarah e avó de Mia.

Sua presença conecta Sarah diretamente ao passado que o filme tenta revelar.

A personagem também representa uma geração anterior de segredos familiares e acontecimentos que nunca foram devidamente enfrentados.

 

Alice

Alice é uma figura central para o mistério.

Ela está relacionada ao passado de Sarah e começa a aparecer através das lembranças, desenhos e comportamentos de Mia.

Quanto mais Sarah tenta entender quem Alice é, mais o presente começa a se misturar com acontecimentos de sua infância.

 


 

Quando o filme entra no sobrenatural

 

Confesso que não imaginava que Foge, Coelho tomaria um caminho tão próximo do sobrenatural.

 

No começo, a impressão é de que estamos diante de um suspense psicológico sobre uma criança apresentando comportamentos estranhos e uma mãe tentando entender o que está acontecendo.

 

Mas, conforme a história avança, o filme começa a flertar cada vez mais abertamente com fantasmas, memórias de outras vidas e acontecimentos inexplicáveis.

 

E, particularmente, foi justamente aí que comecei a achar a proposta mais interessante.

 

Porque, independentemente de interpretarmos os acontecimentos como sobrenaturais ou como manifestações psicológicas, existe uma ideia bastante forte por trás da história:

o que fazemos com aquilo que não conseguimos superar?

 

Luto, culpa, trauma e questões familiares mal resolvidas podem continuar presentes mesmo quando acreditamos que conseguimos seguir em frente.

 

O passado pode voltar através de uma memória, de uma imagem, de uma pessoa ou até de algo que parece completamente inexplicável.

 

A própria diretora Daina Reid explicou que o filme foi concebido em torno de temas como maternidade, culpa e a necessidade de Sarah confrontar seus próprios fantasmas para conseguir seguir adiante.

 

E acho que essa é uma das melhores portas de entrada para entender o filme.

 


 

Sarah Snook e Lily LaTorre são o grande destaque

 

Se existe algo difícil de questionar em Foge, Coelho, são as duas protagonistas.

 

Sarah Snook está excelente.

 

Ela consegue transmitir o peso de uma mulher que está sendo lentamente consumida por problemas emocionais, pelo passado e pela sensação de que está perdendo o controle sobre a própria filha.

 

E depois de acompanhar Snook em Succession, é interessante vê-la em uma personagem completamente diferente, sem aquela postura calculada e controlada de Shiv Roy.

 

Aqui ela precisa trabalhar muito mais com medo, culpa, desespero e fragilidade.

 

Mas Lily LaTorre também merece enorme destaque.

 

Como Mia, ela é convincente demais.

 

Existe algo particularmente desconfortável na maneira como ela olha, fala e muda de comportamento. O filme consegue explorar muito bem aquele medo que surge quando uma criança aparentemente inocente começa a dizer coisas que simplesmente não deveria saber.

 

A crítica também reconheceu esse aspecto. O Metacritic reúne avaliações que destacam tanto a performance de Snook quanto a atuação de LaTorre.

 


 

O final explicado: quem é Alice e o que aconteceu com Mia?

 

A partir daqui, spoilers.

 

O final de Foge, Coelho revela que a origem de toda aquela história está em um acontecimento traumático da infância de Sarah.

 

Quando crianças, Sarah e sua irmã Alice brincavam de “fugir do coelho”. Durante a brincadeira, porém, o ciúme e o ressentimento de Sarah em relação à irmã fazem com que a situação saia do controle. Sarah empurra Alice de um penhasco, provocando sua morte.

 

O acontecimento é tão traumático que Sarah passa a vida reprimindo essa lembrança. Em vez de encarar o que aconteceu, ela enterra a memória e segue em frente.

 

É justamente esse trauma reprimido que começa a voltar quando Mia encontra o desenho do coelho e passa a se comportar como Alice.

 

A menina começa a falar e agir de maneiras que remetem à irmã morta de Sarah, fazendo com que a mãe seja gradualmente obrigada a confrontar aquilo que passou décadas tentando esquecer.

 

E é aqui que o filme mistura trauma psicológico e sobrenatural.

 

Alice realmente voltou ou tudo aquilo é uma manifestação da culpa de Sarah?

 

O filme não responde definitivamente.

 

Essa ambiguidade permite interpretar os acontecimentos de duas maneiras: Alice pode estar realmente retornando como uma presença sobrenatural, ou Mia pode estar reproduzindo a história de Alice enquanto Sarah, consumida pela culpa, projeta seu passado sobre a filha.

 

No final, essas duas possibilidades ficam praticamente inseparáveis.

 

 

O problema do final de Foge, Coelho

 

Eu não tenho problemas com finais abertos. Pelo contrário: quando bem construído, um final ambíguo pode ser justamente aquilo que faz um filme continuar na nossa cabeça depois dos créditos.

 

Mas em Foge, Coelho, senti que o encerramento foi um corte brusco demais.

 

O filme constrói durante boa parte da história uma relação interessante entre luto, culpa, trauma e sobrenatural. Sarah precisa confrontar algo que aconteceu na infância, enquanto Mia parece funcionar como uma espécie de ponte entre passado e presente.

 

Tudo isso é interessante.

 

Só que, quando chegamos ao final, ficam lacunas abertas demais.

 

A sequência final é visualmente marcante e permite interpretações, mas também deixa a sensação de que faltou uma última peça para que a experiência se completasse.

 

E isso acabou estragando boa parte do que eu vinha gostando no filme.

 

Não precisava explicar tudo.

 

Não precisava dizer claramente se Alice era um fantasma, uma manifestação psicológica ou se Mia realmente morreu.

 

Mas eu gostaria que o filme tivesse dado ao espectador algum fechamento emocional para a história de Sarah.

 

Porque uma coisa é terminar deixando perguntas.

 

Outra é terminar com a sensação de que a história simplesmente foi interrompida.

 


 

Afinal, vale a pena assistir a Foge, Coelho?

 

Vale se você gosta de terror psicológico, suspense sobrenatural e histórias envolvendo trauma, culpa e segredos familiares.

 

As atuações são um dos principais motivos para assistir.

 

Sarah Snook consegue transmitir muito bem o peso de uma mulher sendo consumida pelos próprios problemas emocionais, enquanto Lily LaTorre é impressionante como Mia.

 

E eu gostei da mudança de direção do filme quando ele começa a mergulhar no sobrenatural.

 

A ideia de que o luto, a culpa e as questões mal resolvidas podem distorcer nossa percepção e trazer de volta as assombrações do passado é bastante interessante.

 

O problema está no caminho até o fim.

 

Foge, Coelho tinha uma boa história, duas ótimas atuações e uma atmosfera que funciona. Mas, quando chega a hora de concluir tudo, o filme se perde.

 

E aquele final, para mim, não funciona.

 

Não por ser ambíguo.

 

Mas porque parece menos um final aberto e mais um corte brusco em uma história que ainda precisava de alguns minutos para terminar de verdade.

Pode Ver Sem Medo

Curiosidades

Uma produção australiana

Apesar de ter distribuição mundial pela Netflix, Foge, Coelho é uma produção australiana e se passa na Austrália Meridional.

A Netflix chegou a destacar o filme como um exemplo de thriller particularmente ligado à identidade australiana, incluindo suas paisagens e uma equipe majoritariamente australiana.

 

Direção de Daina Reid

Daina Reid dirige o filme a partir do roteiro de Hannah Kent.

Reid já tinha uma carreira ligada à televisão australiana e internacional antes de assumir o longa.

 

Hannah Kent

O roteiro foi escrito pela escritora australiana Hannah Kent, autora de romances como Burial Rites e The Good People.

Foge, Coelho foi seu primeiro roteiro para um longa-metragem.

 

O coelho

O coelho é uma das imagens mais recorrentes do filme.

Ele funciona como um elemento visual e narrativo que conecta Mia ao passado de Sarah e ajuda a construir a atmosfera inquietante da história.

E o título original, Run Rabbit Run, reforça essa imagem desde o início.

 

Sundance

O filme teve sua estreia mundial no Festival de Cinema de Sundance de 2023, antes de chegar à Netflix em junho daquele ano.

 

Uma produção conduzida majoritariamente por mulheres

Outro detalhe interessante é que o projeto teve uma forte presença feminina atrás das câmeras, incluindo a diretora Daina Reid, a roteirista Hannah Kent e produtoras como Anna McLeish e Sarah Shaw.

A própria Reid destacou essa característica ao falar sobre a produção.

Onde assistir?

O filme está na Netflix.

Avaliações

  • IMDB logo 5,0
    Rotten Tomatoes logo 38%
    PVSM logo 5,0

Tags:

#filmes #drama #terror #netflix #fogecoelho

Comentários (0)