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Risa e o Telefone do Vento (2026) - o delicado filme argentino da Netflix que mistura fantasia e realidade
A história de uma menina que encontra uma cabine telefônica que lhe permite falar com os mortos para fazer seus pedidos
Personagens
Risa (Elena Romero)
Interpretada pela estreante Elena Romero, Risa é o coração do filme.
Apesar da pouca idade, a atriz entrega uma atuação extremamente natural, conseguindo transmitir tristeza, esperança e curiosidade sem exageros. Sua busca pelo pai é apenas o ponto de partida para uma jornada muito maior: aprender a conviver com a ausência.
Sara (Cazzu)
Conhecida principalmente por sua carreira na música, Cazzu faz sua estreia no cinema vivendo Sara, mãe de Risa.
Ela enfrenta dificuldades financeiras enquanto tenta proteger a filha da dor que ambas carregam. Sua descrença na cabine telefônica não nasce da falta de fé, mas da necessidade de seguir vivendo.
Esteban (Diego Peretti)
Para mim, Esteban é o melhor personagem do filme.
Vizinho da família, ele parece, à primeira vista, alguém em quem ninguém confiaria: vive desleixado, enfrenta problemas com o álcool e carrega um enorme peso emocional.
No entanto, conforme a história avança, descobrimos um homem profundamente marcado por perdas pessoais. Aos poucos, sua relação com Risa se transforma no verdadeiro coração da narrativa.
É uma amizade improvável, construída com delicadeza e muita humanidade.
História
Uma jovem encontra uma cabine telefônica que permite que ela fale com os mortos para atender seus pedidos e, assim, conseguir entrar em contato com seu pai falecido.
Pode Ver Sem Medo
Pouca gente esperava que um dos filmes mais sensíveis da Netflix em 2026 viesse da Argentina. Risa e o Telefone do Vento (Risa y la cabina del viento), dirigido por Juan Cabral, mistura drama, realismo mágico e uma delicada fábula infantil para contar uma história sobre luto, culpa e a dificuldade de dizer adeus.
Ambientado na paisagem fria e melancólica de Ushuaia, o longa utiliza um elemento fantástico — uma cabine telefônica capaz de conectar vivos e mortos — para falar sobre sentimentos profundamente humanos. O resultado é um filme contemplativo, emocionante e que, apesar de algumas escolhas discutíveis no desfecho, consegue conquistar o espectador pela sinceridade de seus personagens.
A história acompanha Risa, uma menina de apenas 10 anos que vive com sua mãe, Sara, em uma região pouco turística de Ushuaia na Patagônia. Desde que perdeu o pai em um incêndio que abalou a cidade, sua vida parece ter parado no tempo.
Tudo muda quando ela descobre uma antiga cabine telefônica que permaneceu milagrosamente de pé após a tragédia. Segundo a lenda, aquele telefone permite conversar com pessoas que já morreram.
Enquanto sua mãe considera tudo aquilo uma superstição, Risa decide acreditar. A partir daí, ela passa a receber ligações de diferentes almas, que lhe pedem ajuda para resolver assuntos inacabados antes de finalmente seguirem em paz.
A história explicada
A grande sacada de Risa e o Telefone do Vento é nunca tentar explicar se a cabine realmente possui poderes sobrenaturais.
Ela funciona muito mais como uma metáfora do luto.
Cada ligação representa alguém que não conseguiu partir porque deixou algo inacabado.
As pequenas missões que essas almas entregam para Risa acabam ajudando não apenas quem morreu, mas principalmente quem permaneceu vivo.
Enquanto tenta aproximar outras famílias de seus entes queridos, Risa também vai reconstruindo a própria vida.
Ao mesmo tempo, Esteban encontra uma razão para voltar a se importar com alguém, e Sara começa, aos poucos, a permitir que a filha enfrente a perda da maneira que consegue.
É justamente aí que o filme se torna mais bonito.
Não importa se a cabine é realmente mágica.
O que importa é aquilo que ela desperta nas pessoas.
O Telefone do Vento realmente existe?
Sim.
O filme é inspirado no famoso Telefone do Vento, localizado em Ōtsuchi, no Japão.
Criada em 2010, a cabine telefônica não está ligada à rede telefônica. Ela ganhou notoriedade após o tsunami de 2011, quando milhares de pessoas passaram a utilizá-la para conversar simbolicamente com familiares que haviam falecido.
Juan Cabral adapta esse conceito para um universo de realismo mágico, transformando a cabine em uma ponte entre vivos e mortos, mas preservando seu significado emocional.
Crítica
Confesso que comecei o filme sem muita expectativa.
Talvez por eu não conhecer tanto o cinema argentino, imaginei que seria apenas mais um drama lento sobre superação.
Felizmente, fui completamente surpreendida.
O maior acerto está justamente na relação entre Risa e Esteban.
Enquanto do outro lado da linha as almas pedem que a menina entregue mensagens aos vivos, percebemos que essas pequenas missões acabam reconstruindo os pedaços de todos os envolvidos.
Cada encontro deixa alguém um pouco menos quebrado.
É uma narrativa delicada, que fala sobre dor sem exagerar no melodrama.
Elena Romero merece todos os elogios. Sua atuação transmite uma sinceridade impressionante e faz com que seja impossível não torcer por Risa durante toda a jornada.
Diego Peretti também entrega um dos personagens mais humanos do filme.
Nem herói, nem vilão.
Apenas alguém tentando sobreviver às próprias perdas.
O final funciona?
Aqui está meu único problema com o filme.
Gostei bastante da revelação envolvendo o pai de Risa, mas esperava que a cabine tivesse um encerramento mais simbólico. Confira o final explicado aqui!!!
A impressão é que, depois de toda a importância que ela possui durante a narrativa, acaba simplesmente sendo deixada para trás de forma muito brusca.
Senti falta de um fechamento mais poético para aquele lugar que praticamente move toda a história.
Outro detalhe que achei interessante — e que rende boas discussões — é perceber que nem todas as almas são completamente honestas.
Algumas claramente manipulam Risa para conseguir aquilo que desejam.
Como costumo brincar: não é porque morreu que virou santo!
Esse pequeno detalhe torna o universo criado pelo filme ainda mais interessante, mostrando que as pessoas continuam carregando suas virtudes e defeitos, mesmo depois da morte.
Vale a pena assistir?
Com certeza.
Risa e o Telefone do Vento não é um filme de fantasia convencional.
Também não é apenas um drama sobre luto.
É uma história delicada sobre como seguimos vivendo depois de perder alguém importante.
Seu ritmo contemplativo pode afastar quem espera uma narrativa mais acelerada, mas quem embarcar na proposta encontrará um dos filmes mais sensíveis que chegaram recentemente à Netflix.
Um filme emocionante, muito bem interpretado e visualmente belo, que encontra sua maior força nas relações humanas. Apenas o desfecho, um pouco apressado, impede que alcance um impacto ainda maior.
Curiosidades
O hamster Kuro foi nomeado em homenagem a Akira Kurosawa, de acordo com Pablo Minces, o escritor.
A banda argentina Babasónicos assina a música original do longa, reforçando o clima melancólico e poético da história.
Antes de chegar ao streaming, o filme venceu os prêmios de Melhor Filme Argentino e Melhor Direção no Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata, consolidando-se como uma das produções argentinas mais elogiadas dos últimos anos.
Grande parte do longa foi filmada em Ushuaia, na Patagônia argentina.
As paisagens geladas e o vento constante ajudam a criar uma atmosfera única para a narrativa.
Cazzu estreia como atriz
A cantora argentina faz seu primeiro papel no cinema interpretando Sara, mãe de Risa.
Sua atuação foi bastante elogiada pela crítica especializada
Onde assistir?
O filme está na Netflix.
Avaliações
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7,4
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6,0
Tags:
#filmes #netflix #drama #mistério #risaVisualizações:
9Comentários (0)
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