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Final Explicado de Risa e o Telefone do Vento: o pai de Risa morreu? Quem liga no final? Entenda o verdadeiro significado da cabine
Risa e o Telefone do Vento (Risa y la cabina del viento) é um daqueles filmes que parecem simples à primeira vista, mas escondem diversas camadas emocionais e simbólicas.
Ao misturar realismo mágico com drama, o longa argentino dirigido por Juan Cabral nos faz acreditar que estamos assistindo apenas à história de uma menina tentando conversar com o pai morto. Porém, conforme a narrativa avança, descobrimos que a verdade é muito mais dolorosa do que imaginávamos.
Mas afinal, o pai de Risa morreu? Quem era o homem que atendeu o telefone? Quem liga para ela no final? E qual é o verdadeiro significado da cabine?
Vamos explicar tudo.
A cabine realmente fala com os mortos?
Tudo indica que sim.
Durante boa parte do filme, podemos imaginar que a cabine seja apenas uma metáfora para o luto, inspirada no verdadeiro Telefone do Vento, localizado em Ōtsuchi, no Japão.
No entanto, conforme Risa começa a receber ligações e cumprir pequenas missões deixadas pelas almas, fica claro que existe algo sobrenatural acontecendo.
Os mortos conhecem detalhes que ninguém poderia saber e pedem que ela entregue mensagens específicas para familiares e amigos.
Mais do que isso, essas pequenas missões transformam completamente a vida das pessoas envolvidas.
A cabine funciona como uma ponte entre dois mundos.
Quem era o homem que atendeu o telefone?
Depois de esperar durante todo o filme por uma ligação do pai, Risa finalmente consegue falar com ele.
Mas algo parece estranho.
A voz do outro lado da linha está confusa.
O homem parece não reconhecer a própria filha nem compreender onde está.
Inicialmente, os outros espíritos explicam que isso acontece com alguns mortos.
Segundo eles, algumas almas permanecem desorientadas por muito tempo antes de recuperarem suas memórias.
Essa resposta tranquiliza Risa...
...até descobrirmos que tudo não passou de um enorme engano.
Pouco tempo depois, os próprios mortos admitem que cometeram um erro.
O homem que atendeu não era Rodrigo, pai de Risa.
Eles simplesmente não conseguem encontrá-lo.
E existe um motivo para isso.
O pai de Risa morreu?
Não.
Essa é a maior reviravolta do filme.
Rodrigo nunca morreu no incêndio.
Ele realmente ajudou a salvar diversas pessoas e acabou gravemente ferido.
Por causa dos ferimentos, foi levado ao hospital.
É justamente ali que Sara descobre uma verdade devastadora.
Rodrigo mantinha outra família.
Ao perceber que ele jamais escolheria ficar ao lado dela e da filha que estava prestes a nascer, Sara decide cortar completamente os laços.
Para proteger Risa, ela deixa que a menina acredite durante anos que o pai morreu como um herói.
É uma mentira cruel.
Mas, ao mesmo tempo, compreensível.
Por que Rodrigo rejeita Risa?
Quando finalmente encontra o pai, Risa imagina viver o momento que esperou durante toda a vida.
Mas recebe exatamente o contrário.
Rodrigo já construiu outra família.
Ele trata Risa com frieza e praticamente a expulsa.
É uma das cenas mais dolorosas do filme.
Nesse momento percebemos que a verdadeira perda de Risa nunca foi causada pelo incêndio.
Ela foi abandonada muito antes.
O pai estava vivo o tempo todo.
Apenas escolheu não fazer parte da vida dela.
Essa revelação transforma completamente tudo o que vimos até então.
O filme deixa de falar sobre a morte.
Passa a falar sobre abandono.
As cenas em que o pai aparece são reais?
Existe uma interpretação bastante interessante.
Ao longo do filme vemos alguns momentos felizes entre Risa e Rodrigo.
Mas depois da revelação, essas cenas ganham outro significado.
Elas podem representar apenas a imaginação de Risa, criando as lembranças que gostaria de ter vivido.
Por outro lado, também existe a possibilidade de serem projeções do próprio Rodrigo.
Talvez ele imagine como teria sido sua vida caso tivesse escolhido permanecer ao lado da filha.
Juan Cabral nunca responde isso.
E justamente por isso essas cenas funcionam tão bem.
Quem liga para Risa no final?
Depois que Sara decide deixar Ushuaia para recomeçar a vida em outra cidade, tudo indica que a história da cabine chegou ao fim.
Risa não poderá mais atender o telefone.
Mas então acontece a última cena.
Durante a viagem, o celular de Sara toca.
Ela atende.
Nós nunca ouvimos quem está do outro lado da linha.
O filme encerra exatamente nesse momento.
Essa escolha abre espaço para diferentes interpretações.
Primeira interpretação: era Rodrigo
Depois de reencontrar a filha, Rodrigo pode finalmente ter percebido tudo o que perdeu.
Talvez aquela ligação represente sua tentativa de pedir perdão e reconstruir algum vínculo.
É uma possibilidade.
Mas não parece ser a mais interessante.
Segunda interpretação: os mortos encontraram outro caminho
Essa é, para mim, a leitura mais bonita.
Mesmo deixando a cabine para trás, Risa nunca perdeu a conexão construída com aquelas almas.
Talvez elas simplesmente tenham encontrado outra forma de permanecer ao lado dela.
A ligação mostra que o vínculo criado durante toda a história não dependia da cabine.
Ela era apenas um meio.
O verdadeiro elo sempre foi Risa.
O que significa a cena pós-créditos?
Vale muito a pena esperar até o fim.
A cena mostra Chuleta, o cachorro que perdeu sua família no incêndio, dentro da cabine telefônica.
Do lado de fora estão Milo e Esteban.
É uma cena pequena.
Mas extremamente bonita.
Ela mostra que aqueles personagens, todos marcados pela tragédia, encontraram uma nova família.
Não estão mais sozinhos.
Existe ainda um detalhe curioso.
Muitas culturas acreditam que cães conseguem perceber presenças espirituais.
Talvez Chuleta também consiga ouvir os mortos, assim como Risa.
É uma forma delicada de sugerir que o dom da menina nunca foi totalmente único.
O Telefone do Vento realmente existe?
Sim.
E essa talvez seja a parte mais emocionante de toda a história.
O filme foi inspirado no verdadeiro Kaze no Denwa, localizado em Ōtsuchi, no Japão.
A cabine foi instalada em 2010 por Itaru Sasaki após perder um familiar.
Ela não possui ligação com nenhuma rede telefônica.
Seu objetivo nunca foi receber chamadas.
A ideia era oferecer um lugar onde pessoas pudessem conversar simbolicamente com aqueles que já partiram.
Depois do devastador tsunami de 2011, que matou milhares de pessoas, a cabine tornou-se um símbolo nacional do luto.
Até hoje, visitantes do mundo inteiro continuam indo até lá para fazer uma última ligação.
O verdadeiro significado do final
No fundo, Risa e o Telefone do Vento nunca foi sobre fantasmas.
Nem sobre uma cabine mágica.
É uma história sobre pessoas tentando seguir em frente.
Cada missão entregue pelos mortos não servia apenas para ajudá-los.
Servia principalmente para curar quem permaneceu vivo.
Risa acreditava que precisava encontrar o pai.
Na realidade, precisava descobrir que sua felicidade não dependia dele.
Já Esteban precisava voltar a confiar nas pessoas.
Sara precisava abandonar a culpa.
E até Chuleta precisava encontrar uma nova família.
No fim, a cabine nunca foi o verdadeiro milagre.
O milagre foi mostrar que até as maiores perdas podem dar lugar a novos começos.
Nossa interpretação
Apesar de eu ter gostado bastante da reviravolta envolvendo Rodrigo, confesso que esperava um encerramento diferente para a cabine.
Depois de desempenhar um papel tão importante durante toda a narrativa, senti falta de um desfecho mais simbólico para aquele lugar que conectava vivos e mortos.
Ainda assim, o filme acerta ao mostrar que nem todas as respostas trazem conforto.
Às vezes, descobrir a verdade dói mais do que continuar acreditando em uma mentira.
E talvez seja justamente isso que torna Risa e o Telefone do Vento uma história tão humana.
E você? Acredita que quem ligou no final foi Rodrigo ou que os mortos encontraram uma nova maneira de falar com Risa? Conte sua teoria nos comentários!
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