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Conspiradores (The Truthers): crítica do novo suspense espanhol da Netflix

Depois da morte repentina de sua mãe, Ruth volta ao seu povoado natal e se reencontra com seu pai, cujo comportamento estranho faz com que duvidem do que realmente ocorreu.

História

Ruth, uma mulher de 30 anos que está afastada de sua família há algum tempo, volta para casa quando sua mãe morre em circunstâncias estranhas. Lá, ela se reúne com seu pai, Martín, que desde que se aposentou parece ter se tornado um homem mal-humorado e agressivo, obcecado por uma sinistra teoria da conspiração. A relação entre os dois é tão tensa e seu comportamento tão instável que Ruth começa a suspeitar que Martín possa ser responsável pela morte de sua mãe. É possível que ela esteja dividindo o teto com um assassino?

História

Pode Ver Sem Medo

O cinema espanhol já provou inúmeras vezes que sabe construir suspenses psicológicos como poucos. Em vez de apostar apenas em perseguições, explosões ou grandes reviravoltas, costuma mergulhar nos conflitos humanos, fazendo o espectador desconfiar de tudo e de todos. Conspiradores (The Truthers) segue exatamente essa linha.

 

O novo filme da Netflix mistura drama familiar, paranoia e teorias da conspiração para contar uma história que, no fundo, fala sobre luto, culpa e a necessidade que temos de encontrar respostas quando a realidade é dolorosa demais para ser aceita.

 

 

Uma volta para casa cercada de suspeitas

 

Em Conspiradores, conhecemos Ruth (Stéphanie Magnin) no momento em que ela recebe a notícia da morte de sua mãe. Aos 30 anos, ela está afastada da família há muito tempo e retorna para a pequena cidade onde cresceu apenas para o funeral.

 

Logo nos primeiros momentos, Ruth percebe que muita coisa mudou durante sua ausência. Todos comentam que seus pais já não eram mais as mesmas pessoas. Sua mãe teria desenvolvido um sério problema com o álcool e acabou morrendo após cair no banheiro, bater a cabeça e sofrer um acidente fatal.

 

Mas Ruth simplesmente não consegue acreditar nessa versão.

 

Ela conhece a mãe que deixou para trás e nunca a viu beber dessa forma. Claro, faz anos que não visita a família e muita coisa pode ter mudado, mas a sensação de que existe algo errado nunca desaparece.

 

Ao reencontrar seu pai, Martín (José Coronado), essa desconfiança só aumenta.

 

 

Um pai consumido pela paranoia

 

Martín é um policial aposentado completamente diferente daquele que Ruth conhecia.

 

Amargurado, agressivo e emocionalmente distante, ele vive praticamente isolado, passando os dias investigando uma enorme teoria da conspiração envolvendo uma poderosa indústria farmacêutica, autoridades públicas e o desaparecimento de crianças da cidade.

 

Sua obsessão domina completamente sua vida.

 

Para qualquer pessoa de fora, Martín parece apenas mais um homem que mergulhou de cabeça nas teorias conspiratórias da internet. Mas existe um detalhe que torna tudo ainda mais inquietante: algumas das informações que ele apresenta parecem fazer sentido.

 

É justamente essa dúvida que move toda a narrativa.

 

Ruth passa a desconfiar não apenas das teorias do pai, mas do próprio pai. Seu comportamento errático, sua agressividade e o modo como evita determinados assuntos fazem surgir uma pergunta inevitável:

 

Será que Martín matou a própria esposa?

 

 

Um suspense que brinca com nossas certezas

 

A grande força de Conspiradores está justamente em nunca entregar respostas fáceis.

 

O filme utiliza como pano de fundo o universo das teorias da conspiração — desta vez envolvendo a indústria farmacêutica, o governo, grandes corporações e até a influência da mídia —, mas seu verdadeiro interesse não é discutir se essas teorias são verdadeiras ou falsas.

 

O objetivo é mostrar como pessoas emocionalmente destruídas podem interpretar qualquer acontecimento como parte de algo muito maior.

 

Ao mesmo tempo, o roteiro planta pequenas pistas que fazem o espectador questionar se talvez Martín realmente tenha descoberto algo que ninguém mais percebeu.

 

Essa ambiguidade funciona muito bem.

 

Você passa praticamente o filme inteiro alternando entre acreditar que tudo não passa da paranoia de um homem traumatizado e pensar que existe uma conspiração real acontecendo diante dos olhos de todos.

 

 

Quando a dor cria teorias

 

Existe uma camada bastante interessante por trás do suspense.

 

Enquanto Ruth tenta descobrir se seu pai assassinou sua mãe ou se há algo muito maior acontecendo, percebemos que ambos compartilham exatamente o mesmo comportamento.

 

Os dois precisam encontrar um culpado.

 

Martín culpa uma organização secreta.

 

Ruth culpa o próprio pai.

 

No fundo, ambos tentam fugir da mesma realidade: a dor da perda, o peso da culpa e os anos de distância emocional que marcaram aquela família.

 

É justamente essa necessidade humana de transformar tragédias em histórias com vilões bem definidos que torna o filme tão interessante.

 

Sem perceber, o espectador também cai nessa armadilha.

 

Você cria teorias, escolhe suspeitos, muda de opinião diversas vezes e tenta montar todas as peças antes do final.

 

 

Vale a pena assistir?

 

Se você procura um thriller cheio de ação e reviravoltas a cada dez minutos, talvez Conspiradores não seja exatamente o que espera.

 

O ritmo é mais lento, priorizando a construção da tensão e dos personagens em vez de grandes cenas de impacto.

 

Por outro lado, quem gosta de suspenses psicológicos onde nunca sabemos em quem confiar encontrará aqui uma experiência bastante envolvente.

 

José Coronado entrega uma atuação excelente como Martín, conseguindo transmitir ao mesmo tempo fragilidade, raiva e a dúvida constante sobre sua sanidade. Stéphanie Magnin também conduz muito bem a jornada de Ruth, funcionando como os olhos do espectador dentro daquele universo de suspeitas.

 

O roteiro consegue manter o mistério até os minutos finais e faz algo que poucos filmes desse gênero conseguem: coloca o público exatamente na mesma posição dos protagonistas. Você passa o tempo todo tentando descobrir se está diante de um homem enlouquecido ou de alguém que realmente descobriu uma verdade escondida.

 

E quando parece que todas as respostas finalmente chegaram, o filme entrega uma cena final brilhante. Justamente quando acreditamos que tudo não passou de paranoia, ele sugere que talvez a conspiração realmente exista — e, pior, continue acontecendo.

 

É um encerramento inteligente, inquietante e que mantém a essência dos grandes suspenses conspiratórios, deixando aquela dúvida incômoda que permanece mesmo depois que os créditos começam a subir.

Pode Ver Sem Medo

Curiosidades

O título original é Los creyentes ("Os Crentes"), que reforça mais a ideia de crença do que de conspiração.

 

A direção é de Roger Gual, conhecido por trabalhos em produções espanholas de suspense.

 

As filmagens aconteceram em Astúrias, Madri e também em Berlim, cidade onde a protagonista vive antes de retornar para casa.

Onde assistir?

O filme está na Netflix.

Avaliações

  • IMDB logo 5,3
    Rotten Tomatoes logo ---
    PVSM logo 6,0

Tags:

#filmes #netflix #suspenseespanhol #conspiradores

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