O Super Bowl sempre foi mais do que a final da NFL. Ele funciona como um grande ritual cultural dos Estados Unidos — uma vitrine de símbolos, consumo, publicidade e daquilo que se convencionou chamar de mainstream americano. Por isso, a apresentação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl LX, em 8 de fevereiro de 2026, não foi apenas um show: foi um deslocamento simbólico. Pela primeira vez em muito tempo, um artista latino, cantando majoritariamente em espanhol, ocupou o palco mais valioso da cultura pop do capitalismo norte-americano. E não por provocação ou ruptura estética explícita, mas por força de presença, números e relevância global. Bad Bunny chegou ali com um peso difícil de ignorar. Em 2025, ele foi o artista mais ouvido do mundo no Spotify, acumulando 19,8 bilhões de streams e retomando um posto que já havia ocupado em 2020, 2021 e 2022. O Super Bowl, nesse contexto, não foi uma concessão: foi um reconhecimento tardio. Um show que virou dado, debate e evento digital Quando a apresentação começou, toda a expectativa acumulada se converteu rapidamente em impacto mensurável. A audiência estimada foi de 103 milhões de espectadores apenas nos EUA, chegando a cerca de 142 milhões globalmente. Mas foi fora do campo que o efeito se multiplicou. No X (antigo Twitter), o halftime show de Bad Bunny ultrapassou 1 milhão de menções, um crescimento de 683% em relação ao volume médio diário do show do intervalo em 2025. Mais do que volume, chamou atenção a velocidade: uma aceleração anormal de conversas em poucas horas. Outras plataformas confirmaram o fenômeno.– O teaser da apresentação no Instagram superou 5 milhões de curtidas, um recorde para o formato.– No TikTok, hashtags ligadas ao show somaram mais de 85 milhões de visualizações, impulsionadas por reações e recortes da performance.– No YouTube, o vídeo oficial passou de 1,8 milhão de visualizações em poucas horas.– No Instagram, foram mais de 8 mil conteúdos gerados e 97 mil comentários quase imediatamente. O show deixou de ser apenas entretenimento e passou a operar como um evento multiplataforma de debate cultural. Por horas, Bad Bunny foi simplesmente o assunto mais comentado do planeta. Bad Bunny, Wagner Moura e o cruzamento de trajetórias latinas Curiosamente, Bad Bunny e Wagner Moura representam hoje dois dos nomes latinos mais reconhecidos globalmente em áreas distintas. Enquanto um domina a música pop mundial, o outro consolidou seu espaço em Hollywood — e suas trajetórias já se cruzaram. Antes do Super Bowl e do Grammy, Bad Bunny estreou como ator em Narcos: México, interpretando Arturo “Kitty” Páez. O terceiro episódio da terceira temporada, justamente aquele que marcou sua estreia, foi dirigido por Wagner Moura. Um encontro simbólico entre dois artistas que, anos depois, se tornariam referências globais em seus respectivos campos. Desde então, Bad Bunny ainda apareceu em produções como Trem-Bala (2022), Um Maluco no Golfe 2 (2025) e Ladrões (2025), mas sua prioridade permaneceu clara: a música. E os resultados falam por si. No último domingo (1º), ele fez história ao se tornar o primeiro artista a vencer o Álbum do Ano no Grammy Awards com um disco inteiramente em espanhol. Já Wagner Moura, nos últimos anos, tem alternado menos entre direção e atuação, focando mais nas telas. Seus projetos recentes incluem Guerra Civil, Ladrões de Drogas e O Agente Secreto — filme que lhe rendeu diversos prêmios internacionais e uma indicação ao Oscar. Quando o centro muda sem pedir licença O show de Bad Bunny no Super Bowl LX não precisou gritar para ser político. Ele foi político por existir. Ao cantar em espanhol no palco mais simbólico da cultura pop americana, Bunny não invadiu o mainstream — ele expôs o quanto esse mainstream já havia mudado, mesmo que parte dele ainda resista a admitir. Não foi uma quebra. Foi uma constatação. E os números, os dados e o barulho digital deixam isso claro: o centro da cultura pop global já não fala apenas inglês.
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A Academia Nacional de Artes e Ciências de Gravação dos Estados Unidos revelou neste domingo (1º) os vencedores do 68º Grammy Awards, em cerimônia realizada na Crypto.com Arena, em Los Angeles. A noite foi marcada por recordes históricos, diversidade cultural e a consolidação definitiva da música global como força central da indústria. Kendrick Lamar entra para a história do Grammy O grande nome da noite foi Kendrick Lamar. Líder em indicações nesta edição, o rapper saiu da cerimônia com cinco gramofones e atingiu a marca de 26 prêmios Grammy, tornando-se oficialmente o rapper mais premiado da história, ultrapassando Jay-Z. Entre as vitórias, destaque para Gravação do Ano e Melhor Performance de Rap Melódico com “Luther”, parceria com SZA, além de Melhor Canção de Rap (“TV Off”) e Melhor Álbum de Rap com GNX. Um reconhecimento que reforça não apenas seu impacto artístico, mas também sua relevância cultural. Bad Bunny e um marco histórico para a música latina Outro momento histórico veio com Bad Bunny, vencedor de Álbum do Ano com DeBÍ TiRAR MáS FOTos.Pela primeira vez, um disco totalmente em espanhol conquistou a principal categoria do Grammy — um divisor de águas que simboliza a expansão definitiva do pop latino e da música urbana no centro da indústria global. O álbum também venceu Melhor Álbum de Música Urbana, confirmando Bad Bunny como um dos artistas mais influentes da década. Brasil em destaque: Caetano e Bethânia O Brasil também brilhou na noite. Caetano Veloso e Maria Bethânia venceram Melhor Álbum de Música Global com Caetano e Bethânia Ao Vivo. Um prêmio que celebra não só a longevidade da dupla, mas a força da música brasileira no cenário internacional. Lady Gaga domina o pop No pop, Lady Gaga teve uma noite sólida. Seu álbum Mayhem levou Melhor Álbum Vocal de Pop, enquanto “Abracadabra” venceu Melhor Gravação de Pop Dance e Melhor Gravação Dance Pop, além de Melhor Gravação Remixada em parceria com Gesaffelstein. Cinema, K-pop e trilhas sonoras em alta O filme Pecadores, o mais indicado da história do Oscar, levou dois prêmios no Grammy: Melhor Trilha Sonora para Mídia Visual (Compilação) Melhor Trilha Sonora para Mídia Visual (Original), com Ludwig Göransson Já a animação Guerreiras do K-Pop venceu Melhor Canção Escrita para Mídia Visual com “Golden”, marcando a primeira vitória do K-pop nessa categoria na história do Grammy. Uma edição que confirma a virada global O Grammy 2026 deixa claro que a música vive um novo momento: menos centrado apenas no mercado anglófono e cada vez mais aberto a idiomas, gêneros e culturas diferentes. Do rap político de Kendrick Lamar ao pop latino de Bad Bunny, da música brasileira ao K-pop, a premiação refletiu um cenário mais diverso, plural e conectado com o mundo real. Mais do que uma lista de vencedores, esta edição entrou para a história como o Grammy que abraçou, de vez, a música global.
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Em 1996, Varginha-MG viveu um dos casos mais famosos de OVNI no Brasil. Documentos inéditos e depoimentos exclusivos revelam diferentes versões sobre os eventos misteriosos.
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A minissérie Custe o que Custar, baseada no romance Run Away de Harlan Coben, constrói seu desfecho como um quebra-cabeça emocional feito de culpa, silêncio e revelações tardias.Nada aqui é simples.E, no final, o que resta não é alívio — é ambiguidade. O que realmente aconteceu com Paige? Ao longo da série, Simon vai descobrindo, peça por peça, como sua filha se perdeu após entrar na universidade. O vício não surgiu do nada. Paige foi abusada sexualmente ainda na escola, um trauma que ela manteve em segredo do pai. Pouco tempo depois, ela se envolve com Aaron, passa a usar drogas e entra em um ciclo de dependência e autodestruição. O que Simon nunca soube — até o fim — é que Paige contou tudo à mãe. Ingrid sabia de tudo… e escondeu ainda mais Ingrid Greene (Minnie Driver) não apenas sabia do abuso e do vício da filha, como tomou decisões sozinha. Ela internou Paige em uma clínica de reabilitação — a mesma onde ela própria havia sido paciente no passado, outro segredo cuidadosamente escondido de Simon. A maternidade de Ingrid sempre foi silenciosa, prática e extrema.Ela não pede permissão. Ela age. Paige está viva — e a verdade vem à tona No episódio final, Paige reaparece no hospital para visitar a mãe, que está em coma após ser baleada ao confrontar Rocco, o traficante que controlava sua filha. É ali que Paige finalmente conta tudo ao pai:Fugiu ao encontrar o corpo de Aaron porque acreditava que a polícia suspeitaria delaVoltou voluntariamente para a reabilitaçãoEstava sóbria há quase um mês Oficialmente, a polícia encerra o caso apontando Ash e Dee Dee, membros de um culto de assassinos, como responsáveis pela morte de Aaron e pela morte da investigadora Elena. Mas essa não é a verdade. Ash e Dee Dee: o elo mais sombrio de Custe o que Custar Entre tantas histórias cruzadas, nenhuma é tão perturbadora quanto a de Ash (Jon Pointing) e Dee Dee (Maeve Courtier-Lilley). A dupla funciona como o fio oculto que conecta assassinatos, culto religioso e segredos enterrados há décadas. Tudo começa na infância. Ash e Dee Dee cresceram juntos em um orfanato comandado pela cruel Sra. O’Hara, uma figura verdadeiramente monstruosa. Qualquer criança que “se comportasse mal” era punida com queimaduras de ferro quente. O trauma cria entre os dois um laço quase indestrutível — não apenas de afeto, mas de sobrevivência. Assassinos por encomenda… sem saber o motivo Já adultos, Ash e Dee Dee se reencontram ao serem recrutados para um trabalho aparentemente simples:uma lista de pessoas que precisam morrer.Sem explicações. Sem contexto. Ash aceita o serviço de forma pragmática — ele fará qualquer coisa se isso significar seguir o plano, proteger Dee Dee e receber o pagamento. Dee Dee, no entanto, carrega algo mais profundo: ela acredita na missão. O Refúgio Brilhante e a “Verdade” Em algum momento após deixar o orfanato, Dee Dee se junta ao culto Refúgio Brilhante, a verdadeira força por trás da lista de assassinatos. O grupo é liderado por Casper, o autoproclamado “Escolhido”, pregador de uma doutrina chamada Verdade Brilhante — cujo significado nunca é totalmente explicado, mas que exige obediência absoluta. Casper tem dois filhos considerados “divinos”: O Visitante e O Voluntário. O problema é o que o culto tentou esconder. Os filhos secretos de Casper Casper também teve 14 filhos não divinos, frutos de relações dentro da seita. As mães foram informadas de que seus bebês haviam nascido mortos. Na realidade, as crianças foram entregues ilegalmente para adoção pela mesma agência. Durante anos, isso permaneceu oculto.Até os testes de DNA se popularizarem. Quando esses jovens começam a descobrir seus meio-irmãos, o Refúgio entra em colapso. E há um detalhe crucial: Casper está morrendo. Quando ele morrer, sua fortuna será dividida entre os filhos vivos.Menos herdeiros = mais dinheiro para os dois “divinos”. Essa é a verdadeira razão da lista de mortes. Aaron, Henry… e todas as conexões Isso explica por que Aaron estava marcado para morrer — ele era um dos filhos de Casper. O mesmo vale para outros casos investigados por Fagbenle e para Henry, o garoto que a detetive particular Elena Ravenscroft foi contratada para encontrar. De repente, todas as tramas se conectam:os assassinatoso cultoa investigação policiale o envolvimento de Paige em algo muito maior do que ela poderia imaginar O confronto final e a Mãe Ardonia Quando Ash e Dee Dee chegam para matar Aaron, descobrem que ele já está morto. No mesmo local estão Simon e Cornelius, que tentam chegar até Rocco, o chefão do tráfico. O encontro termina em um tiroteio caótico:Simon e Cornelius ficam feridosRocco, Luther e Ash morremDee Dee persegue Simon, tentando matá-lo É então que surge Mãe Ardonia (Geraldine James), uma figura até então misteriosa, que empurra Dee Dee de uma sacada, causando sua morte. Quem é a Mãe Ardonia? Ardonia revela a Simon que seu filho, Nathan, também estava na lista de assassinatos. Ao descobrir os planos de Casper, ela decidiu agir por conta própria para impedir o culto — e tudo indica que conseguiu, ao menos parcialmente. Após a invasão do Refúgio Brilhante pela polícia e o resgate de várias pessoas, Ardonia afirma que pretende voltar ao local para “reconstruir”. Uma frase que soa menos como esperança…e mais como alerta. O verdadeiro papel de Ash e Dee Dee Ash e Dee Dee não são apenas vilões.Eles são produtos de abuso, manipulação e doutrinação. A história deles expõe o lado mais cruel de Custe o que Custar:quando o trauma infantil encontra ideologia cega, o resultado é devastador — para vítimas e algozes. E, no fim, eles são a chave que destrava todo o mistério da série. Quem matou Aaron, afinal? Paige revela a Simon que foi Ingrid quem matou Aaron. A reviravolta ganha ainda mais peso quando entendemos o contexto: Essa era a segunda tentativa de reabilitação de Paige Na primeira, Aaron invadiu a clínica, a forçou a usar drogas novamente e a agrediu em um ataque de ciúmes Desesperada, Paige procurou a mãe Ingrid aconselhou que ela voltasse para a clínica Antes disso, Paige foi ao apartamento de Aaron… e encontrou o corpo Ingrid matou para proteger a filha.Sem hesitar.Sem pedir absolvição. Simon descobre… e escolhe o silêncio Simon promete à filha que não revelará a verdade.Mas, quando Ingrid acorda do coma, ele a confronta. Ela confessa. E revela mais um detalhe crucial: Rocco atirou nela porque sabia que ela havia matado Aaron — e temia ser o próximo. Ingrid sobrevive.A família volta para casa.E, aparentemente, tenta retomar a normalidade. Mas os segredos ainda não acabaram. A última revelação: um laço de sangue perturbador Nas cenas finais, Simon descobre a peça mais devastadora do quebra-cabeça. Aaron não era apenas o namorado de Paige. Ele era seu meio-irmão. No passado, Ingrid viveu na seita Refúgio Brilhante. Lá, ela deu à luz um filho. Disseram que o bebê havia nascido morto — mas, na verdade, ele foi entregue para adoção. Depois disso, Ingrid fugiu da seita e foi para a reabilitação. Esse filho… era Aaron. Paige implora ao pai que não conte a Ingrid que ele sabe a verdade, e que o Aaron era o filho que ela pensou estar morto e que, por fim, terminou matando ele para defender a filha. E Simon aceita. O plano final: uma família sustentada por mentiras A série termina com a família reunida à mesa de jantar.Tudo parece calmo. Normal. Controlado. Mas agora sabemos:Ingrid matouSimon sabePaige carrega a culpa e o traumaE um novo segredo se instala no centro da família Nada foi resolvido.Tudo foi apenas enterrado. Como resumiu James Nesbitt em entrevista à Tudum:“Gosto dessa ambiguidade porque não é um final feliz. Como poderia ser?” E o filho do empresário desaparecido? Aqui está um dos pontos mais problemáticos do final. A trama envolvendo Sebastian Thorpe e seu filho desaparecido simplesmente perde relevância quando Paige é encontrada. O mistério, que parecia caminhar para algo maior, é deixado de lado sem o peso emocional que merecia. É uma escolha narrativa estranha e frustrante — especialmente porque a série dedicou tempo demais a essa linha paralela para depois tratá-la quase como descartável. Bola fora. O que o final de Custe o que Custar realmente diz? Não é uma história sobre crime.É uma história sobre até onde estamos dispostos a ir para proteger quem amamos — e quantas verdades somos capazes de engolir para seguir vivendo. O título nunca foi exagero. Algumas escolhas…custam mais do que estamos prontos para pagar.
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