Banner do topo
Logo
Translate
Imagem de capa da postagem
Gabrielle

Criação de conteúdos e gestão de redes sociais

A Voz de Hind Rajab (2025) - Um filme que transforma uma ligação telefônica em um dos relatos mais devastadores sobre a guerra

Voluntários do Crescente Vermelho recebem uma chamada de emergência. Uma menina de 6 anos está presa em um carro sob fogo em Gaza, pedindo resgate. Enquanto tentam mantê-la na linha, eles fazem de tudo para levar uma ambulância até ela.

Onde assistir?

O filme está na Netflix.

História

Baseado em fatos reais, o filme é essencialmente um diálogo de 100 minutos: entre as equipes de emergência e uma menina presa em uma zona de guerra em Gaza.

História

Pode Ver Sem Medo

Há filmes sobre guerra que impressionam pelas batalhas. Outros, pelos efeitos especiais ou pelas grandes cenas de ação. A Voz de Hind Rajab escolhe um caminho completamente diferente: ele praticamente elimina tudo isso e nos deixa apenas com uma voz. A voz de uma criança pedindo socorro.

 

Inspirado na história real de Hind Rajab, uma menina palestina de seis anos que ficou presa dentro de um carro durante um ataque em Gaza, em janeiro de 2024, o longa dirigido por Kaouther Ben Hania reconstrói um dos episódios mais comoventes do conflito entre Israel e Palestina sem transformar sua protagonista em símbolo político. O foco aqui não está em discutir quem tem razão na guerra, mas em lembrar que, no meio dela, existem pessoas — e principalmente crianças.

 

 

Uma história que aconteceu de verdade

 

O filme acompanha a equipe de atendimento da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino enquanto tenta coordenar o resgate de Hind Rajab, escondida dentro de um carro cercado pelo fogo cruzado.

 

Enquanto as forças militares israelenses se aproximam da região, os operadores vivem um pesadelo: sabem exatamente onde a menina está, conseguem falar com ela por telefone, têm uma equipe preparada para o resgate, mas esbarram em protocolos militares, autorizações e uma burocracia que transforma minutos em horas.

 

É justamente essa espera que faz o filme ser tão angustiante.

 

Não existe um grande vilão em cena. Não existem perseguições. Não há explosões constantes. Existe apenas o tempo passando enquanto uma criança implora para não ser deixada sozinha.

 

 

A força das gravações reais

 

O maior acerto da diretora Kaouther Ben Hania é utilizar trechos das gravações reais das ligações feitas por Hind.

 

Saber que aquilo que ouvimos não foi escrito por um roteirista torna tudo infinitamente mais pesado. O medo na voz da menina, os silêncios, as perguntas, a esperança de que alguém chegaria logo... tudo aconteceu exatamente daquela forma.

 

É de partir o coração ouvi-la implorando para que enviem uma equipe de resgate. Bastariam poucos minutos para que os socorristas chegassem ao local e, potencialmente, salvassem sua vida. No entanto, antes disso, eles precisavam enfrentar horas de trâmites burocráticos e autorizações militares que pareciam nunca chegar.

 

O filme não precisa mostrar violência gráfica. Basta fechar os olhos e ouvir.

 

 

Os heróis invisíveis

 

Além do sofrimento de Hind, o longa dedica grande parte do tempo aos operadores da central de emergência.

 

São profissionais treinados para transmitir calma, orientar vítimas e manter o controle emocional mesmo nas situações mais extremas. Mas existe um limite para qualquer ser humano.

 

O filme mostra com muita sensibilidade como esse trauma vai sendo compartilhado entre todos na equipe. Um operador tenta manter a calma até não conseguir mais. Outra funcionária assume a ligação para ajudá-lo, mas logo percebe que ela própria também está sendo consumida pelo desespero.

 

Em determinado momento, uma operadora especializada em aconselhamento lembra um colega de todo o treinamento que recebeu para exercer aquela função. Pouco depois, quando ela assume o atendimento, percebe que nenhuma preparação é suficiente para ouvir disparos do outro lado da linha e saber que há pouquíssimo a fazer.

 

Esse trauma vicário — quando o sofrimento do outro passa a afetar profundamente quem tenta ajudar — talvez seja um dos aspectos mais fortes do filme.

 

 

Uma experiência difícil de definir

 

É complicado avaliar A Voz de Hind Rajab usando classificações tradicionais como "bom", "ruim" ou "excelente".

 

Ele funciona mais como um documento histórico do que como um filme convencional.

 

A narrativa utiliza recursos de suspense típicos de histórias sobre operações de resgate, mas sua encenação hiper-realista faz com que tudo pareça um documentário urgente. Em muitos momentos esquecemos que estamos assistindo a um longa-metragem.

 

O objetivo nunca é entreter.

 

É fazer o espectador permanecer naquela ligação até o fim.

 

 

Vale a pena assistir?

 

Sem dúvidas, não é um filme para qualquer público.

 

Quem procura ação, grandes cenas de guerra ou reconstituições militares provavelmente encontrará algo completamente diferente do esperado.

 

O que existe aqui é exatamente o que o título promete: a voz de uma criança pedindo socorro em meio à guerra.

 

E talvez isso seja ainda mais devastador.

 

Nós acompanhamos esse conflito diariamente pelos telejornais e pelas redes sociais. Vemos números, imagens de destruição e manchetes que, com o tempo, correm o risco de se tornar apenas mais uma notícia no feed.

 

O filme rompe essa distância. Ele nos obriga a permanecer ouvindo uma única vítima durante toda a sua espera por ajuda.

 

É praticamente um documentário. Aquilo que escutamos não foi encenado. O desespero, o medo e a sensação de que tudo pode acabar a qualquer instante estão presentes em cada palavra, em cada silêncio e em cada pausa da ligação.

 

E o mais triste é perceber que a história de Hind não foi um caso isolado. Ela representa apenas uma entre milhares de vidas marcadas pela guerra.

 

Mais do que apontar culpados ou defender lados, A Voz de Hind Rajab faz algo ainda mais importante: devolve humanidade a uma tragédia que muitas vezes consumimos apenas através das telas.

 

É uma obra devastadora, necessária e impossível de esquecer. Um lembrete doloroso de que, por trás de estatísticas e disputas geopolíticas, existem vozes que jamais deveriam ser ignoradas.

 

A Voz de Hind Rajab não é um filme para ser "gostado". É um filme para ser vivido, sentido e, principalmente, lembrado. Sua maior força está justamente em nos impedir de transformar uma tragédia real em apenas mais uma notícia esquecida entre tantas outras. Poucas obras recentes conseguem provocar tamanha empatia utilizando tão poucos recursos visuais. É um cinema que escuta antes de mostrar — e talvez por isso seja tão devastador.

Curiosidades

Todos os atores do elenco são palestinos.

 

Hind Rajab não aparece no filme, apenas a gravação de seu telefonema real para a Sociedade Palestina do Crescente Vermelho (serviço de emergência da Palestina) aparece nele. Diretora Kaouther Ben Hania disse que decidiu não ter uma atriz interpretando Rajab por respeito. Ela também teve o apoio da mãe de Rajab para fazer o filme.

 

Inscrição oficial da Tunísia para a categoria “Melhor Longa-Metragem Internacional” do 98º Oscar em 2026.

 

O filme recebeu um recorde de 23 minutos de aplausos de pé após sua estreia mundial no Festival de Cinema de Veneza.

 

A produção contou com produtores executivos de peso, entre eles Brad Pitt, Alfonso Cuarón e Rooney Mara.

 

O filme é dirigido pela cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania, indicada ao Oscar por As Quatro Filhas (Four Daughters).

 

A história é baseada em acontecimentos ocorridos em janeiro de 2024, durante a guerra em Gaza.

 

 

Avaliações

  • IMDB logo 8,2
    Rotten Tomatoes logo 93%
    PVSM logo 8,0

Tags:

#filmes #drama #netflix #hindhajab

Comentários (0)