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Notas da Última Fila: o thriller coreano da Netflix transforma obsessão e manipulação em uma vingança brilhante
Um escritor fracassado que virou professor descobre um talento raro em um aluno. Obcecado, decide dar aulas particulares para o garoto, mas a situação sai de controle.
História
Depois de enfrentar críticas duras e carregar durante anos a sensação de fracasso, Mun-oh praticamente abandonou a escrita. Agora, vive uma rotina frustrante dando aulas para estudantes pelos quais demonstra pouquíssima paciência.
Para ele, seus alunos mal conseguem construir uma frase decente.
Até que um trabalho chama sua atenção.
O texto foi escrito por Lee Kang, um estudante de engenharia quieto e misterioso que sempre se senta na última fila da sala.
Mun-oh imediatamente percebe algo diferente no garoto.
Lee Kang possui um talento natural para observar pessoas e transformar situações aparentemente banais em narrativas extremamente envolventes. Fascinado, o professor decide oferecer aulas particulares de escrita ao jovem.
A partir daí, Notas da Última Fila transforma a relação entre professor e aluno em um perigoso jogo psicológico sobre obsessão, voyeurismo e os limites entre realidade e ficção
Pode Ver Sem Medo
Notas da Última Fila (Notes from the Last Row, título original internacional The Boy in the Last Row) começa apresentando Heo Mun-oh, interpretado por Choi Min-sik.
Ele é um professor de literatura deprimido, frustrado e extremamente rabugento.
Além disso, é um escritor fracassado.
Mun-oh conseguiu publicar apenas um livro durante toda a sua carreira e, definitivamente, a obra não foi recebida da maneira que ele esperava. Desde então, parece completamente incapaz de escrever novamente.
Por isso, atualmente ele é praticamente a personificação daquele velho ditado:
“Quem sabe faz. Quem não sabe, ensina.”
Vale ressaltar que eu não acredito que isso seja verdade!
Mas, no caso de Heo Mun-oh, é exatamente o que acontece.
Ele simplesmente não consegue colocar as palavras no papel — ou, nesse caso, na tela do computador.
O cursor continua piscando diante dele.
Mun-oh observa.
Pensa.
Se irrita.
Até finalmente fechar o notebook sem ter escrito uma única palavra.
E a verdade é que ele também não é exatamente um bom professor.
Pelo menos não até encontrar alguém que acredita ser um gênio ainda não descoberto.
QUAL É A HISTÓRIA DE NOTAS DA ÚLTIMA FILA?
Lee Kang, interpretado por Choi Hyun-wook, é um jovem estudante que nem sequer cursa literatura.
Quieto, observador e sempre sentado na última fileira da sala — daí o título da série —, ele parece saber exatamente como lidar com o professor e de lá de trás ele consegue observar tudo sem ser observado.
Lee Kang não é apenas o único aluno da turma familiarizado com os grandes clássicos da literatura.
Ele chega ao ponto de corrigir Mun-oh durante uma aula.
O que, obviamente, não é exatamente a melhor maneira de conquistar a simpatia de um professor arrogante.
Mas existe algo no jovem que chama imediatamente a atenção de Mun-oh.
Lee Kang sabe contar histórias.
E sabe muito bem.
Quando o professor lê um dos textos escritos pelo aluno, fica completamente fascinado.
A história acompanha a vida de um colega de Lee Kang e sua família.
O jovem descreve aquela casa, aquelas pessoas e suas relações com uma riqueza impressionante de detalhes.
Conversas.
Hábitos.
Conflitos.
Segredos.
Pequenos momentos da intimidade daquela família.
E existe uma dúvida que começa a crescer tanto na cabeça de Mun-oh quanto na nossa:
Lee Kang está inventando tudo aquilo ou está realmente observando aquelas pessoas?
A resposta, pelo menos inicialmente, parece não importar muito para o professor.
Porque Mun-oh está completamente viciado naquela história.
O PROFESSOR QUE SE TORNA REFÉM DA PRÓPRIA CURIOSIDADE
Conseguir o próximo capítulo da história de Lee Kang passa a ser tudo o que importa para Mun-oh.
E, para isso, ele começa a fazer coisas que provavelmente jamais imaginou fazer.
Enquanto a narrativa — que pode ou não ser verdadeira — se desenvolve, o professor vai sendo lentamente envolvido pelo aluno.
O mais interessante é que Mun-oh percebe.
Até certo ponto, ele sabe que Lee Kang está conduzindo aquela relação.
Sabe que o garoto oferece informações aos poucos.
Sabe que cada novo texto termina exatamente no momento necessário para despertar ainda mais sua curiosidade.
Mas ele simplesmente não consegue evitar.
Mun-oh precisa saber o que acontece depois.
Precisa saber como a história continua.
E, principalmente...
precisa saber como termina.
É exatamente nesse ponto que Notas da Última Fila também começa a brincar com o espectador.
Porque nós estamos fazendo exatamente a mesma coisa.
Também queremos o próximo capítulo.
Também queremos descobrir se Lee Kang está dizendo a verdade.
Também começamos a observar cada gesto do garoto tentando entender suas verdadeiras intenções.
Sem perceber, nos tornamos tão curiosos quanto Mun-oh.
UM THRILLER PSICOLÓGICO DE CONSTRUÇÃO LENTA
Notas da Última Fila é mais uma surpresa coreana de muita qualidade para nos entreter e, principalmente, nos enganar.
A série é aquele típico thriller psicológico de construção lenta.
Não espere assassinatos a cada quinze minutos.
Não espere perseguições.
Muito menos grandes explosões.
O suspense nasce das conversas.
Dos silêncios.
Dos textos escritos por Lee Kang.
E daquela sensação constante de que existe alguma coisa acontecendo diante dos nossos olhos que ainda não conseguimos enxergar completamente.
As atuações são excelentes e, desde o primeiro episódio, existe algo extremamente intrigante na relação entre professor e aluno.
É um jogo de manipulação e interesse.
Lee Kang precisa de Mun-oh.
Mun-oh precisa das histórias de Lee Kang.
Mas nenhum dos dois parece completamente disposto a revelar o que realmente deseja.
E nós ficamos tentando adivinhar onde tudo aquilo vai dar.
É MUITO DIFÍCIL TER EMPATIA POR MUN-OH
Talvez um dos aspectos mais interessantes da série seja seu protagonista.
Porque é muito difícil gostar de Heo Mun-oh.
Ao longo da história, entendemos que ele carrega feridas do passado.
Mun-oh foi profundamente desprezado justamente pela pessoa que o inspirou a escrever.
Alguém que ele admirava.
Alguém de quem buscava aprovação.
E alguém que fez questão de destruir sua confiança.
É possível entender de onde nasce parte da amargura daquele homem.
O problema é que Mun-oh acabou se transformando exatamente no mesmo tipo de pessoa que tanto o machucou.
Desprezível.
Arrogante.
Egocêntrico.
Ele não parece se importar verdadeiramente com os sentimentos de ninguém.
Nem mesmo com Lee Kang.
Mun-oh acredita estar ajudando o jovem escritor, mas grande parte de seu interesse pelo garoto nasce de uma necessidade completamente egoísta.
Ele quer aquela história.
Quer sentir novamente a emoção que perdeu quando deixou de escrever.
Lee Kang acaba se tornando quase uma extensão daquilo que Mun-oh gostaria de ser.
Um jovem talentoso.
Criativo.
Capaz de escrever com naturalidade.
Mun-oh não consegue criar.
Então passa a viver através da criação de outra pessoa.
E A ESPOSA QUE ELE SIMPLESMENTE IGNORA?
Talvez quem mais sofra com o comportamento de Mun-oh seja sua esposa.
Ela insiste em permanecer ao lado dele.
Tenta conversar.
Tenta entender.
Tenta manter algum tipo de conexão com o marido.
Mas Mun-oh praticamente não percebe sua existência.
Ele está tão concentrado em seus próprios fracassos e, posteriormente, tão obcecado pelas histórias de Lee Kang que simplesmente ignora a mulher que continua tentando permanecer em sua vida.
E isso torna o personagem ainda mais difícil de defender.
Porque não estamos falando apenas de um homem deprimido ou frustrado.
Estamos falando de alguém que usa suas próprias dores como justificativa para tratar mal praticamente todas as pessoas ao seu redor.
Mun-oh sofreu.
Mas também aprendeu a fazer os outros sofrerem.
LEE KANG ESTÁ MANIPULANDO O PROFESSOR?
Desde o primeiro episódio existe algo estranho em Lee Kang.
Ele parece saber demais.
Observa demais.
E, principalmente, parece entender Mun-oh muito melhor do que o professor entende o próprio aluno.
Lee Kang sabe exatamente qual história contar.
Sabe quando entregar um novo capítulo.
Sabe quais informações esconder.
E sabe como despertar a curiosidade daquele homem.
A série constrói essa relação de maneira extremamente inteligente.
Durante boa parte dos episódios, ficamos tentando descobrir quem está usando quem.
Mun-oh acredita ter encontrado um jovem escritor que precisa de sua orientação.
Lee Kang aparentemente encontrou um professor disposto a ajudá-lo.
Mas existe muito mais acontecendo naquela relação.
Muito mais.
QUANDO AS REVELAÇÕES COMEÇAM, A SÉRIE GANHA NOVAS CAMADAS
É quando começamos a descobrir as verdadeiras motivações por trás da relação de Lee Kang com Mun-oh que Notas da Última Fila se transforma.
A história ganha novas camadas.
Situações que pareciam pequenas passam a ter outro significado.
Conversas precisam ser reinterpretadas.
Olhares começam a fazer sentido.
E percebemos que talvez estivéssemos acompanhando uma história completamente diferente daquela que imaginávamos.
A série deixa de ser apenas sobre um professor obcecado pelos textos de um aluno.
E começa a revelar uma narrativa de vingança extremamente bem elaborada.
Como tantas produções coreanas já nos ensinaram:
a vingança é um prato que se come frio.
E Lee Kang parece ter tido bastante paciência para esperar o prato chegar à temperatura perfeita.
A VINGANÇA COREANA NUNCA DECEPCIONA
Existe algo que os roteiristas sul-coreanos sabem fazer muito bem.
Histórias de vingança.
Talvez porque raramente sejam vinganças impulsivas.
Não é simplesmente alguém pegando uma arma e correndo atrás da pessoa responsável por destruir sua vida.
Nas melhores produções coreanas, a vingança é planejada.
Construída.
Calculada.
Às vezes durante anos.
Cada pessoa precisa estar exatamente no lugar certo.
Cada informação precisa aparecer no momento correto.
E, quando finalmente entendemos o plano, percebemos que muitas das pistas estavam diante dos nossos olhos desde o começo.
Notas da Última Fila entende perfeitamente esse tipo de narrativa.
Quando as peças começam a se encaixar, a série recompensa quem prestou atenção.
E, principalmente, consegue transformar completamente nossa percepção sobre alguns personagens.
VALE A PENA ASSISTIR NOTAS DA ÚLTIMA FILA?
Sim. Muito.
Notas da Última Fila é um thriller psicológico inteligente, intrigante e extremamente bem interpretado.
São apenas seis episódios.
E vale cada hora investida nessa história.
Choi Min-sik está excelente como Heo Mun-oh.
O ator consegue construir um personagem desagradável, frustrado e, em vários momentos, quase patético.
Mas nunca deixa Mun-oh completamente vazio.
Nós entendemos aquele homem.
Só não significa que precisamos gostar dele.
Já Choi Hyun-wook entrega uma atuação muito mais silenciosa.
Lee Kang observa.
Escuta.
Escreve.
E parece estar constantemente calculando seu próximo movimento.
A relação entre os dois sustenta toda a série.
Um professor desesperado para descobrir como uma história termina.
Um aluno que sabe exatamente qual história precisa contar.
E nós, espectadores, presos no meio desse jogo.
Notas da Última Fila é mais uma excelente produção coreana da Netflix que começa como um pequeno mistério literário e termina revelando uma vingança construída com enorme paciência.
E talvez essa seja a maior ironia da série.
Heo Mun-oh passou anos tentando escrever uma grande história.
No final...
ele acabou se tornando personagem da história de outra pessoa.
Curiosidades
Uma das maiores curiosidades de Notas da Última Fila é que a história não nasceu na Coreia do Sul.
A série é baseada na peça espanhola El chico de la última fila, escrita pelo dramaturgo Juan Mayorga.
Outro detalhe que chama atenção é a presença de Choi Min-sik.
O ator é um dos maiores nomes do cinema sul-coreano e possui uma carreira marcada por filmes como Oldboy, Eu Vi o Diabo e Exhuma.
A série é dirigida por Kim Gyu-tae, responsável por produções como Moon Lovers: Scarlet Heart Ryeo, Our Blues e The Trunk.
Onde assistir?
A série está na Netflix com 6 episódios.
Avaliações
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7,3
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7,8
Tags:
#series #netflix #kdrama #notasdaultimafila #drama #thrillerVisualizações:
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