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As Cores do Mal: Preto | Final explicado do thriller polonês da Netflix
Ao retornar à sua cidade natal conservadora, uma renomada escritora precisa enfrentar os fantasmas do passado quando filho reaparece.
Personagens
Leopold Bilski
Mais uma vez, Jakub Gierszał interpreta o promotor determinado que não aceita respostas fáceis.
Mesmo sendo transferido justamente por ter incomodado pessoas poderosas em seu trabalho anterior, ele continua disposto a enfrentar corrupção, abuso de poder e a cultura do silêncio.
É um protagonista competente, embora sua personalidade continue sendo bastante contida, algo típico dos thrillers europeus.
Piotruś
O desaparecimento do garoto movimenta toda a investigação.
Conforme o caso evolui, descobrimos que ele foi escolhido por motivos muito específicos ligados ao folclore local.
Adam Poznanski
Mesmo desaparecido antes do início da narrativa, Adam é a verdadeira chave para entender todos os acontecimentos do filme.
Seu destino conecta praticamente todos os personagens envolvidos.
Nicki
Nicki acaba se revelando o personagem mais complexo da história.
Criado em meio a violência, abandono e manipulação psicológica, ele representa como vítimas de abusos podem acabar reproduzindo a própria violência que sofreram.
História
Quando um garoto desaparece em uma pequena cidade, um promotor recém-transferido começa a descobrir ligações inesperadas com um antigo caso de pessoas desaparecidas.
Pode Ver Sem Medo
Depois do sucesso de As Cores do Mal: Vermelho, a Netflix retorna ao universo criado pela escritora Małgorzata Oliwia Sobczak com As Cores do Mal: Preto, novo thriller policial que aposta menos na violência gráfica e muito mais em mistério, folclore e traumas psicológicos.
Embora faça parte da mesma franquia, o filme apresenta uma investigação inédita e pode ser assistido tranquilamente por quem nunca viu o primeiro longa. A história funciona de forma independente e, sinceramente, eu mesma assisti sem conhecer o filme anterior e isso não prejudicou em nada a compreensão da trama. Talvez assistir Vermelho antes ajude apenas a entender melhor a personalidade do promotor Leopold Bilski e algumas de suas motivações.
Mas será que Preto consegue ser um suspense envolvente? Nem tanto.
Do que fala As Cores do Mal: Preto?
Após os acontecimentos do primeiro filme, o promotor Leopold Bilski (Jakub Gierszał) é transferido para uma pequena cidade da Casúbia, região localizada no norte da Polônia.
À primeira vista, trata-se de um lugar tranquilo, daqueles onde todos parecem se conhecer. Naturalmente, essa tranquilidade não demora para se revelar uma grande mentira.
Logo descobrimos que dois anos antes uma criança chamada Adam Poznanski desapareceu sem deixar vestígios. O caso foi encerrado de maneira extremamente suspeita, com a justificativa de que o menino havia ido morar com familiares.
Agora, um novo desaparecimento acontece. Desta vez, a vítima é o pequeno Piotruś, e Bilski percebe rapidamente que existe algo muito errado na forma como as autoridades locais lidam com o caso.
Enquanto políticos, policiais e moradores parecem interessados apenas em manter a imagem da cidade intacta, o promotor decide investigar por conta própria, desenterrando segredos que permaneciam escondidos havia anos.
Um suspense que se perde no próprio roteiro
Existe uma boa ideia em As Cores do Mal: Preto.
O filme mistura investigação policial, crimes antigos e lendas da região da Casúbia para construir um mistério diferente dos thrillers tradicionais.
O problema é que essa mistura nem sempre funciona.
O roteiro utiliza muitos flashbacks sem qualquer indicação clara de quando eles acontecem. Em diversos momentos o espectador precisa descobrir sozinho se determinada cena pertence ao presente, ao passado ou apenas representa uma lembrança de algum personagem.
Essa escolha acaba tornando uma investigação relativamente simples muito mais confusa do que precisava ser.
Os próprios nomes poloneses já exigem certa atenção do público, e o excesso de ramificações faz com que o impacto do crime principal acabe diluído.
Quando a narrativa passa a dedicar muito tempo ao folclore local, tive a impressão de que o roteiro abandonava justamente o que havia de mais interessante: os crimes envolvendo o coral e toda a rede de abusos construída na cidade.
No fim das contas, o filme não é ruim.
Mas também está longe de entregar um thriller realmente envolvente.
Final explicado de As Cores do Mal: Preto
A partir daqui há spoilers.
O que realmente aconteceu com Adam Poznanski?
Durante boa parte do filme, o desaparecimento de Adam parece ser apenas um caso antigo que nunca foi solucionado.
Mas a verdade é muito mais sombria.
Adam foi sequestrado por pessoas ligadas à poderosa família Chojnacki. Em determinado momento, durante seu transporte, o garoto tentou escapar pulando de um veículo em movimento.
Ele acabou morrendo durante a fuga.
Para esconder tudo o que havia acontecido, Nicki foi obrigado a dar fim ao corpo da criança.
É justamente por isso que a chocante sequência de abertura, em que vemos um menino sendo esquartejado na floresta, só faz sentido perto do final do filme.
A vítima daquele prólogo era Adam.
Embora Nicki participe da ocultação do cadáver, o filme deixa claro que ele não agiu sozinho. O desaparecimento foi protegido por diversas pessoas influentes da cidade, o que explica por que o caso foi arquivado tão rapidamente.
Quem sequestrou Piotruś?
Durante a investigação, Bilski passa a suspeitar de várias pessoas.
A igreja, membros da família Chojnacki e até casos de abuso infantil parecem apontar para diferentes culpados.
No entanto, todas essas pistas acabam funcionando como distrações.
O verdadeiro sequestrador era Nicki.
Filho ilegítimo da família Chojnacki, ele cresceu cercado por violência física, abandono e manipulação psicológica.
Sua mãe era constantemente espancada, enquanto ele próprio vivia praticamente isolado do restante da sociedade.
Esse ambiente destruiu completamente sua percepção da realidade.
O que significa a lenda do Łopi?
É justamente aqui que o filme mistura investigação criminal com folclore.
Segundo antigas lendas da Casúbia, algumas pessoas poderiam nascer marcadas para se transformar em um Łopi, uma espécie de vampiro ou morto-vivo.
Entre essas crenças existia uma superstição muito específica: crianças que nasciam envoltas pela membrana amniótica — o chamado nascimento "en caul" — poderiam carregar essa maldição.
Nicki acreditava profundamente nessa história.
Quando descobriu que Piotruś havia nascido dessa maneira, passou a acreditar que o menino se tornaria um Łopi no futuro.
Para impedir isso, decidiu realizar um assassinato ritualístico.
Por que Adam foi encontrado decapitado?
Quando os restos mortais de Adam finalmente são encontrados, existe um detalhe extremamente importante.
Seu corpo foi enterrado sem a cabeça.
A cabeça havia sido colocada entre as pernas.
Inicialmente isso parece apenas mais uma bizarrice do assassino.
Depois, Bilski descobre que esse era exatamente um dos antigos rituais usados para impedir que um suposto Łopi retornasse dos mortos.
Ou seja, o posicionamento do cadáver não era aleatório.
Ele revelava que o responsável pelo crime acreditava genuinamente naquela superstição.
É essa descoberta que permite ao promotor ligar Adam ao desaparecimento de Piotruś.
Como Bilski salva Piotruś?
Depois de compreender a ligação entre o ritual, a lenda do Łopi e o nascimento de Piotruś, Bilski finalmente entende quem é o verdadeiro responsável pelos crimes.
Ele consegue localizar o esconderijo de Nicki pouco antes do assassinato ritual acontecer.
Após uma sequência de confronto, o promotor impede o crime e resgata o garoto com vida.
Nicki acaba sendo preso, encerrando oficialmente a investigação.
O verdadeiro significado do final
Embora o filme utilize elementos sobrenaturais durante boa parte da narrativa, a conclusão deixa claro que não existia nenhum vampiro, maldição ou criatura fantástica.
O verdadeiro monstro era o abuso.
Nicki foi criado em um ambiente completamente destruído pela violência.
Foi espancado, manipulado e alimentado desde criança por crenças que transformaram sua percepção da realidade.
O resultado é trágico.
Ele deixa de ser apenas uma vítima para se tornar também um criminoso.
Nesse sentido, As Cores do Mal: Preto fala menos sobre monstros do folclore e muito mais sobre como o ciclo da violência pode criar novos monstros dentro da própria sociedade.
É uma ideia bastante interessante, embora o roteiro complique demais sua execução.
Vale a pena assistir?
Se você gosta de thrillers policiais europeus, investigações lentas e histórias que misturam folclore com crimes reais, As Cores do Mal: Preto certamente tem qualidades.
A atmosfera é excelente, a fotografia continua impecável e a atuação de Jakub Gierszał sustenta boa parte da narrativa.
Por outro lado, o roteiro se perde em excesso de personagens, flashbacks confusos e algumas subtramas que parecem mais atrapalhar do que enriquecer a investigação.
No fim, fica a sensação de que havia um ótimo suspense escondido ali, mas que acabou soterrado sob camadas desnecessárias de mistério.
Curiosidades
O filme adapta outro livro da série
Assim como Vermelho, Preto também é baseado nos romances policiais escritos por Małgorzata Oliwia Sobczak.
Cada livro apresenta um novo caso investigado por Leopold Bilski.
O folclore é real
A lenda do Łopi utilizada pelo filme é inspirada em antigas crenças populares da região da Casúbia.
Embora o roteiro adapte diversos elementos para servir à narrativa policial, a ideia de mortos que poderiam retornar à vida e precisavam passar por rituais específicos realmente faz parte do imaginário local.
Onde assistir?
O filme está na Netflix.
Avaliações
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5,9
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5,8
Tags:
#filmes #netflix #ascoresdomalpreto #thriller #mistérioVisualizações:
13Comentários (0)
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