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The Boroughs (2026) | Netflix Acerta ao Misturar Terror Sci-Fi e Protagonistas Idosos
No que parece ser uma bela comunidade de aposentados no deserto do Novo México, um grupo de heróis inesperados precisa trabalhar em conjunto para impedir que uma ameaça extraterrestre tome a única coisa que eles não têm: tempo.
Personagens
O elenco reúne veteranos de Hollywood bastante conhecidos:
- Alfred Molina como Sam Cooper
- Geena Davis como Renee
- Alfre Woodard como Judy
- Bill Pullman como Jack
- Clarke Peters como Art
- Denis O'Hare como Wally
Pode Ver Sem Medo
A câmera dá um zoom em uma rua sem saída à noite.
Na janela de uma das casas, vemos Grace (Dee Wallace) preparando o jantar.
Ela assiste ao Jeopardy!, passa batom para sua chamada de vídeo com o marido Edward (Ed Begley Jr.), que vive em uma casa de repouso para idosos com problemas de memória, e tenta ignorar uma frase perturbadora repetida por ele:
— “A coruja na parede.”
Grace insiste que não existe coruja nenhuma.
Mais tarde naquela noite, ela acorda com um barulho estranho.
Ao investigar, é perseguida por uma criatura grotesca de olhos esbugalhados. Ela tenta escapar, corre até a porta de entrada… mas é agarrada violentamente.
A porta bate com força.
A maçaneta cai no chão.
E assim começa The Boroughs, nova série da Netflix produzida pelos irmãos Matt Duffer e Ross Duffer, os criadores de Stranger Things.
Mas apesar das inevitáveis comparações, The Boroughs encontra sua própria identidade rapidamente.
E talvez seja justamente aí que mora sua maior força.
Uma comunidade perfeita… até você perceber o que existe nela
A história se passa em The Boroughs, uma comunidade para aposentados isolada no deserto do Novo México, existente desde os anos 1950.
Ali também fica The Manor, o asilo da comunidade, onde Edward vive.
Pouco tempo depois do desaparecimento de Grace, conhecemos Sam Cooper (Alfred Molina), um ex-engenheiro rabugento que está sendo levado contra a vontade para morar em The Boroughs por sua filha Claire (Jena Malone).
Sam perdeu recentemente sua esposa Lilly (Jane Kaczmarek), que sofreu um derrame logo após o casal comprar a casa onde ele agora será obrigado a viver sozinho.
Ele define o local como:
“A sala de espera de Deus.”
E honestamente?
A série faz você acreditar nisso.
Existe algo profundamente melancólico naquele bairro silencioso, organizado demais, limpo demais… artificial demais.
A própria casa parece observá-lo.
Quando Sam percebe que existe um sistema semelhante à Alexa embutido nas paredes da residência, ele imediatamente arranca o aparelho da parede.
A reação parece exagerada.
Até você começar a desconfiar do lugar também.
Um elenco veterano simplesmente maravilhoso
Uma das melhores decisões da série foi colocar atores veteranos no centro da narrativa.
E funciona absurdamente bem.
Sam conhece aos poucos seus novos vizinhos:
- Jack Willard (Bill Pullman), um ex-meteorologista falante;
- Renee Joyce (Geena Davis), dona de um carro clássico e professora do centro comunitário;
- Judy Daniels (Alfre Woodard), uma ex-jornalista extremamente inteligente;
- Art (Clarke Peters), marido de Judy e conspiracionista profissional;
- Wally Baker (Denis O’Hare), um médico aposentado espirituoso.
A química entre eles sustenta boa parte da série.
E Alfred Molina está simplesmente fantástico.
Sempre apreciamos as sutilezas das atuações dele, mas aqui Molina entrega tudo em dobro como Sam.
Ele é mal-humorado, resistente e emocionalmente fechado, mas ao mesmo tempo mal consegue esconder a devastação causada pela morte repentina de Lilly.
O mais interessante é que a série nunca exagera isso.
Quando Sam começa lentamente a aceitar aquelas pessoas em sua vida, a mudança acontece de maneira extremamente sutil.
E justamente por isso é tão gratificante de assistir.
Stranger Things adulta? Talvez… mas eu prefiro comparar com Cocoon
Confesso que duas coisas me dividiram logo de cara quando vi o trailer.
A primeira foi justamente o fato de ser mais uma produção dos irmãos Duffer.
Depois das últimas temporadas de Stranger Things — que, pra mim, sofreram bastante com enrolação — fiquei com certo pé atrás.
Mas o trailer imediatamente me lembrou Cocoon.
E isso mudou tudo.
Pra quem nunca viu, Cocoon acompanha um grupo de idosos que recupera vitalidade após contato com casulos alienígenas escondidos em uma piscina.
A atmosfera é diferente, claro.
Mas The Boroughs compartilha essa mesma ideia fascinante de usar personagens idosos dentro de uma narrativa sci-fi normalmente reservada para adolescentes.
Muita gente chamou a série de “Stranger Things versão adulta”.
Mas sinceramente?
Prefiro comparar com algo mais sólido.
Ainda assim, as semelhanças com Stranger Things existem — principalmente no mistério crescente, nas criaturas e no clima de conspiração sobrenatural.
Só que aqui tudo parece mais melancólico.
Mais cansado.
Mais humano.
O clima da série é excelente
Logo no primeiro episódio achei incrível o enorme Ctrl+C Ctrl+V no bairro sem saída que lembra muito os cenários de Vince Gilligan em Albuquerque — especialmente o visual usado em Pluribus (2025).
Eu adoro o clima daquele lugar.
As ruas silenciosas.
O deserto infinito.
As casas idênticas.
O vazio desconfortável.
The Boroughs acerta demais na ambientação.
Você realmente acredita que aquela comunidade existe.
E pior:
você entende perfeitamente por que tanta gente aceitaria morar ali.
A ideia da comunidade para a terceira idade é estranhamente tentadora.
Até o horror começar a aparecer.
Terror leve, aventura e drama humano funcionando juntos
A série consegue misturar aventura, terror leve e drama humano de forma muito diferente do padrão atual.
Os monstros funcionam.
As motivações convencem.
O suspense prende.
A trilha sonora é um deleite.
Mas o que realmente faz tudo funcionar é o aspecto humano.
The Boroughs fala sobre envelhecimento, solidão, memória, luto e medo da morte sem transformar seus personagens em caricaturas.
Isso dá peso emocional para toda a trama.
Mesmo quando criaturas começam a surgir no meio da madrugada.
Nem tudo funciona perfeitamente
Claro, a série tem falhas.
Os antagonistas poderiam ter sido melhor explorados.
Faltou aprofundar mais suas histórias e motivações para que o arco deles tivesse impacto maior.
Em alguns momentos parece que a série está muito mais interessada em construir mistério do que em desenvolver quem está por trás dele.
Ainda assim, o saldo é extremamente positivo.
Vale a pena assistir?
Sim.
Muito.
Especialmente se você gosta de:
- ficção científica com clima retrô;
- mistério sobrenatural;
- terror leve;
- personagens mais maduros;
- séries com atmosfera forte;
- histórias sobre luto e envelhecimento.
The Boroughs talvez não seja perfeita.
Mas consegue algo raro:
fazer uma série sobre idosos parecer genuinamente emocionante, divertida e misteriosa sem cair no clichê.
Só espero que a Netflix não invente de transformar isso em uma franquia interminável.
Porque uma história bem contada não precisa durar para sempre.
Curiosidades
Quando o personagem de Alfred Molina, Sam, entra na unidade de armazenamento, um dos itens nela é a pequena estátua de ídolo de “Os Caçadores da Arca Perdida”. Esta foi a primeira aparição de Molina no cinema, em que seu personagem tentou roubar a estátua.
O programa apresenta sete dos melhores membros do elenco com mais de 60 anos, uma concentração de elenco que Alfre Woodard destacou especificamente como uma das principais razões para se juntar ao projeto.
Os criadores se inspiraram em referências seniores, como 'The Golden Girls' e 'Cocoon', para desenvolver o conceito. A dívida com o amado filme de 1985 de Ron Howard é algo sobre o qual toda a equipe criativa está aberta.
Além da rua residencial, a produção construiu um centro da cidade totalmente construído para The Boroughs, incluindo lojas cujos interiores estavam tão completamente equipados que as máquinas de café internas funcionavam e podiam realmente ser ligadas.
Os irmãos Duffer enquadraram “The Boroughs” como um espelho estrutural de “Stranger Things” de uma forma específica: assim como “Stranger Things” era um programa sobre crianças que não foi feito exclusivamente para crianças, “The Boroughs” é um programa sobre idosos que não é feito exclusivamente para idosos.
A pergunta temática central do programa - “O que você fará com o tempo que lhe resta?” - é declarada explicitamente no episódio piloto, uma escolha criativa deliberada dos roteiristas de revelar diretamente a principal preocupação do programa, em vez de deixá-la implícita.
Albuquerque, Novo México, serviu como principal local de filmagem.
Netflix e os irmãos Duffer pressionam Ctrl+C Ctrl+V no bairro sem saída de Vince Gilligan e em Albuquerque para Pluribus (2025).
O álbum que Sam deu a Claire no último episódio é Born to Run, de Bruce Springsteen, com a música ThunderRoad.
Onde assistir?
A série está na Netflix com 8 episódios.
Avaliações
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7,0
96%
7,5
Tags:
#series #netflix #mistério #scifiVisualizações:
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