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Gabrielle

Criação de conteúdos e gestão de redes sociais

Carrie, a Estranha: Mike Flanagan reinventa o clássico de Stephen King para a era das redes sociais

Uma garota protegida com poderes telecinéticos sofre bullying na escola, causando um incidente horrível e sangrento devido à influência de sua mãe dominante.

Personagens

Uma das minhas maiores satisfações com esta adaptação está nas escolhas do elenco. A série precisava encontrar atores capazes de dar novas camadas a personagens que já fazem parte do imaginário dos fãs de terror.

 

E acredito que acertou muito.

 

Carrie White — Summer H. Howell

Summer H. Howell assume um papel extremamente difícil, porque Carrie precisa despertar sentimentos contraditórios no público.

Ela é uma jovem ingênua, insegura e pouco preparada para as relações sociais. Ao mesmo tempo, existe nela uma indignação legítima diante da crueldade das pessoas, que vai se acumulando até se transformar em algo muito mais perigoso.

Foi justamente essa combinação que me conquistou.

De todas as Carries que já assisti, Summer H. Howell foi a atriz que mais me convenceu nessa construção. Ela transmite a pureza de alguém que cresceu seguindo princípios completamente diferentes dos que orientam o mundo ao seu redor. Sua Carrie tem algo de infantil na maneira de compreender as situações, como se ainda estivesse tentando descobrir por que as pessoas conseguem ser tão ruins umas com as outras.

Mas essa inocência não significa ausência de sentimentos complexos.

A atriz também consegue transmitir a raiva, a frustração e a inconformidade de uma jovem que começa a perceber que a maldade nem sempre acontece por acidente. Às vezes, as pessoas machucam outras simplesmente porque podem, porque encontram nisso uma forma de diversão ou porque acreditam que a vítima merece ser humilhada.

É nesse contraste que a personagem ganha força. Carrie não é apenas uma garota estranha que possui poderes sobrenaturais. É uma pessoa que tenta compreender o mundo e que, diante de uma realidade cada vez mais cruel, começa a perder a capacidade de controlar o que sente.

Para mim, Summer entrega uma interpretação sensacional.

 

Margaret White — Samantha Sloyan

Margaret é fundamental para compreender a formação emocional de Carrie.

Samantha Sloyan interpreta uma mãe cuja religiosidade, rigidez e necessidade de controle transformam o ambiente doméstico em mais um espaço de opressão. Ela não oferece à filha a segurança necessária para enfrentar o mundo; pelo contrário, reforça os medos e as culpas que tornam Carrie tão vulnerável.

A personagem também ajuda a mostrar que o sofrimento da protagonista não começa na escola. O bullying agrava uma situação que já existia dentro de casa.

Margaret é assustadora porque representa uma forma de violência que pode se esconder atrás da ideia de proteção, moralidade e amor materno.

 

Sue Snell — Siena Agudong

Sue ocupa uma posição importante no conflito escolar e na maneira como a história apresenta as diferentes respostas possíveis diante da crueldade.

Sua personagem permite explorar a responsabilidade individual, a culpa e a possibilidade de reconhecer que determinadas atitudes ultrapassam qualquer limite aceitável.

Em uma narrativa na qual tantas pessoas participam de uma dinâmica de humilhação, personagens como Sue ajudam a ampliar a discussão para além da divisão simplista entre vítimas e vilões.

 

Chris Hargensen — Alison Thornton

Chris representa uma das faces mais perversas do bullying: a crueldade praticada de maneira consciente, como forma de exercer poder sobre outra pessoa.

Sua relação com Carrie ajuda a expor a dinâmica de grupo que transforma a humilhação em entretenimento. A vítima deixa de ser vista como alguém que sente, sofre e possui limites, passando a ser tratada como um alvo.

É justamente esse processo de desumanização que torna a violência tão perturbadora.

 

Tommy Ross — Joel Oulette

Tommy participa de um dos eixos mais conhecidos da história, relacionado às experiências sociais e afetivas que Carrie tenta compreender.

Sua presença também é importante para a construção das expectativas da protagonista em relação ao ambiente escolar e à possibilidade de finalmente experimentar algo diferente da rejeição que marcou sua vida.

 

Miss Desjardin — Amber Midthunder

A professora de educação física, Miss Desjardin, é outra figura importante dentro do ambiente escolar.

Sua presença contribui para a discussão sobre a responsabilidade dos adultos diante da violência entre adolescentes e sobre os limites da intervenção quando a crueldade deixa de ser um episódio isolado e passa a fazer parte da dinâmica de um grupo.

 

Outros personagens

O elenco também conta com Matthew Lillard como o diretor Grayle, Arthur Conti como Billy Nolan e Thalia Dudek como Emaline, além de Josie Totah e outros nomes que ampliam o universo da série.

A produção aposta em um conjunto de personagens que ajuda a desenvolver as relações de poder, as rivalidades e os conflitos que cercam Carrie.

Para mim, a escalação é um dos grandes acertos. Não é apenas a protagonista que precisa convencer: a história depende de acreditarmos no ambiente que a oprime, nas pessoas que participam dessa violência e nos adultos que nem sempre conseguem impedir que ela aconteça.

Personagens

História

A estudante desajustada Carrie White passou sua vida protegida dentro dos muros de sua casa sob o olhar atento de sua mãe ferozmente protetora, Margaret. Depois que a morte repentina de seu pai a força a entrar no mundo implacável do ensino médio público, Carrie deve enfrentar um escândalo viral de bullying que abala sua comunidade, a crueldade implacável da era da mídia social e o despertar de misteriosos poderes telecinéticos que se fortalecem à medida que ela atinge a maioridade.

História

Pode Ver Sem Medo

A nova série do Prime Video transforma uma das histórias mais conhecidas do terror em um retrato atual do bullying, da intolerância e da crueldade humana — sem abandonar a essência da personagem criada por Stephen King.

 

Existem histórias que atravessam gerações porque seus medos nunca deixam de existir. Carrie, a Estranha é uma delas. Publicado por Stephen King em 1974, o romance ganhou adaptações que marcaram diferentes épocas, principalmente o clássico dirigido por Brian De Palma, de 1976. Agora, Mike Flanagan assume o desafio de contar novamente essa história em uma série de oito episódios para o Prime Video.

 

E eu confesso: estava muito curiosa para conferir essa nova versão.

 

Mike Flanagan é, para mim, um dos melhores nomes do terror contemporâneo. Produções como A Maldição da Residência Hill, A Maldição da Mansão Bly e Missa da Meia-Noite demonstram sua capacidade de trabalhar com o sobrenatural sem perder de vista os conflitos humanos, os traumas familiares e as contradições de seus personagens.

 

Mais uma vez, ele conseguiu me surpreender. E o que mais gostei foi perceber que não estamos diante de uma simples reprodução do que já vimos no cinema. Flanagan atualiza Carrie para o nosso tempo, incorporando questões como o bullying virtual, a exposição nas redes sociais, as fake news e a influência de discursos extremistas, mas sem abandonar os elementos fundamentais que fizeram dessa história um clássico.

 

O resultado é uma Carrie que conversa com o público de hoje e que, na minha opinião, merece ser conhecida até por quem já assistiu às adaptações anteriores.

 

 

Qual é a história de Carrie, a Estranha?

 

Carrie White é uma adolescente que cresce em uma realidade profundamente diferente daquela vivida pelos outros jovens de sua idade. Sua vida é marcada pelo isolamento, pela repressão familiar e por uma educação que a mantém distante das experiências comuns da adolescência.

 

Sua mãe, Margaret White, é uma mulher extremamente religiosa e controladora, cuja visão de mundo transforma o próprio corpo, os desejos e as descobertas da filha em motivos de culpa e punição.

 

Na escola, Carrie também não encontra acolhimento. Pelo contrário: torna-se alvo da crueldade dos colegas, que enxergam sua ingenuidade, seu comportamento retraído e sua dificuldade de compreender as regras sociais como oportunidades para humilhá-la.

 

Com a morte repentina do pai, Carrie precisa enfrentar um ambiente escolar hostil e uma realidade que começa a escapar ainda mais do seu controle. Ao mesmo tempo, acontecimentos cada vez mais perturbadores revelam que ela possui poderes telecinéticos, capazes de mover objetos e provocar fenômenos que desafiam qualquer explicação racional.

 

À medida que a pressão emocional aumenta, Carrie precisa lidar com sentimentos que nunca aprendeu a compreender ou expressar. A tristeza, o medo, a vergonha e a raiva passam a se misturar, enquanto as pessoas ao seu redor parecem incapazes de perceber o tamanho do sofrimento que estão provocando.

 

A série mantém esse núcleo narrativo, mas o transporta para o presente. Agora, a violência praticada contra Carrie não fica restrita aos corredores da escola ou às relações presenciais: ela também se espalha pelas telas, ganha visibilidade e transforma a humilhação em espetáculo público.

 

E essa mudança faz toda a diferença.

 

 

O que muda na adaptação de Mike Flanagan?

 

Uma das grandes qualidades desta versão é entender que atualizar uma obra clássica não significa simplesmente trocar figurinos, celulares e cenários.

 

Flanagan incorpora as transformações sociais e tecnológicas ao próprio funcionamento da história.

 

O bullying na era das redes sociais

 

O bullying sempre foi um dos elementos centrais de Carrie, a Estranha. Entretanto, existe uma diferença enorme entre ser humilhado por um grupo de colegas e ter sua humilhação registrada, compartilhada e reproduzida por pessoas que você nem conhece.

 

Na série, a violência ultrapassa os limites da escola. O conteúdo viral transforma Carrie em assunto público, e a exposição amplia a sensação de impotência de alguém que já não sabe como se defender.

 

As redes sociais funcionam como uma extensão da crueldade humana. O que antes poderia terminar com o fim de uma aula agora acompanha a vítima para casa, invade sua intimidade e permanece disponível para novas ondas de comentários e ataques.

 

É um retrato bastante pertinente da adolescência contemporânea, em que a necessidade de pertencimento pode conviver com uma cultura de exposição e julgamento permanente.

 

Fake news, intolerância e manipulação

 

Outro aspecto interessante é a maneira como a série dialoga com um ambiente social no qual a desinformação e os discursos radicais podem influenciar a percepção que as pessoas têm umas das outras.

 

O medo do que é diferente, a necessidade de encontrar culpados e a facilidade com que determinados discursos transformam indivíduos em ameaças são questões que ultrapassam o universo do terror.

 

Carrie é uma jovem que cresceu sem as ferramentas necessárias para compreender o mundo ao seu redor. Quando finalmente precisa confrontar essa realidade, encontra uma sociedade que nem sempre está disposta a acolher aquilo que não entende.

 

Sua história se torna ainda mais perturbadora porque o sobrenatural não é o único elemento ameaçador. A violência cotidiana, as relações de poder e a incapacidade de reconhecer o sofrimento alheio também são fontes de horror.

 

A religião e o controle familiar

 

A relação entre Carrie e Margaret continua sendo um dos pilares da narrativa.

 

A mãe não representa apenas uma figura autoritária: ela é a principal responsável por construir o universo limitado em que Carrie cresce, ensinando à filha a temer aspectos fundamentais da própria existência.

 

A religião, nesse contexto, deixa de ser uma experiência de acolhimento e se transforma em instrumento de controle. O corpo, a sexualidade, a curiosidade e a autonomia são tratados como ameaças, enquanto a obediência é apresentada como a única forma possível de salvação.

 

Essa relação ajuda a compreender por que Carrie parece tão deslocada entre os colegas. Ela não teve a oportunidade de aprender a lidar com o mundo de maneira gradual. Quando precisa fazer isso, encontra hostilidade dentro e fora de casa.

 

Flanagan preserva esse conflito essencial, mas insere a história em uma realidade contemporânea, na qual crenças extremistas e discursos conspiratórios também podem influenciar a maneira como uma família interpreta tudo o que acontece ao seu redor.

 

A telecinese continua sendo parte da essência da história

 

Apesar das atualizações, Carrie continua sendo Carrie.

 

Seus poderes não são apenas um recurso para produzir cenas assustadoras. Eles estão diretamente ligados ao desenvolvimento emocional da personagem e à sua dificuldade de lidar com sentimentos que foram reprimidos durante toda a vida.

 

A telecinese torna visível aquilo que Carrie não consegue expressar verbalmente. A raiva que ela tenta conter, o medo que aprendeu a esconder e a frustração diante da maldade alheia encontram uma forma de manifestação que ultrapassa qualquer limite comum.

 

É justamente essa combinação entre vulnerabilidade emocional e poder extraordinário que torna a personagem tão interessante.

 

O sobrenatural não elimina a dimensão humana da história. Pelo contrário: torna ainda mais inquietante a pergunta que está no centro de Carrie, a Estranha: o que acontece quando alguém que passou a vida inteira sendo oprimido finalmente encontra uma maneira de reagir?

 

 

Os poderes de Carrie e a possibilidade de um universo sobrenatural maior

 

Uma das coisas que achei mais interessantes nessa adaptação de Mike Flanagan foi a maneira como ele trabalha a questão dos poderes de Carrie e sugere que ela talvez não seja um caso isolado.

 

Tradicionalmente, quando pensamos em Carrie, a Estranha, a telecinese está diretamente ligada à protagonista, à sua repressão emocional e à maneira como o sofrimento acumulado acaba encontrando uma forma de se manifestar. É um elemento fundamental da história, porque seus poderes não são apenas uma habilidade sobrenatural: eles também representam tudo aquilo que Carrie não consegue expressar de outra maneira.

 

Mas a série começa a abrir espaço para uma possibilidade muito maior. E foi justamente aí que minha curiosidade aumentou.

 

A impressão que fica é a de que existe um universo em que outras pessoas também possuem habilidades especiais e em que há grupos interessados em encontrar esses indivíduos, reuni-los e ajudá-los a desenvolver ou controlar seus poderes.

 

E não tem como não lembrar um pouco dos X-Men!

 

Não estou dizendo que as histórias sejam iguais, mas existe uma semelhança interessante nessa ideia de pessoas com capacidades extraordinárias que, por diferentes razões, podem precisar de orientação, treinamento e de um lugar onde consigam compreender aquilo que as torna diferentes.

 

Pensem no que isso pode significar para Carrie. Ela passou a vida inteira isolada, sem compreender completamente a si mesma e sem encontrar pessoas capazes de ajudá-la a lidar com o que sente. Sua relação com os próprios poderes é marcada pelo medo, pela repressão e pela dificuldade de entender os limites daquilo que consegue fazer.

 

Agora, imaginem a possibilidade de ela descobrir que não está sozinha. Que existem outras pessoas passando por experiências semelhantes e que talvez haja uma estrutura capaz de ajudá-las a compreender suas habilidades.

 

Isso abre caminhos muito interessantes para a narrativa.

 

A série poderia explorar a origem desses poderes, as diferenças entre as habilidades de cada pessoa, os riscos envolvidos em desenvolvê-las e, principalmente, as intenções daqueles que procuram reunir esses indivíduos.

 

Afinal, existe uma diferença enorme entre oferecer acolhimento a alguém que sempre foi tratado como estranho e reunir pessoas extraordinárias com o objetivo de transformá-las em algo que pode servir a determinados interesses.

 

E essa é uma possibilidade narrativa que me deixou bastante curiosa.

 

 

O final de Carrie deixa espaço para uma segunda temporada?

 

Carrie, a Estranha também deixa uma questão importante para o futuro da história: será que estamos diante de uma narrativa que se encerra na trajetória da protagonista ou do começo de algo muito maior?

 

O desfecho abre espaço para imaginar novos caminhos, especialmente quando consideramos as pistas relacionadas à existência de outras pessoas com poderes especiais e à possibilidade de elas serem reunidas para desenvolver suas habilidades.

 

Na minha leitura, esse é um dos aspectos mais instigantes da série. A história não precisa ficar limitada à experiência individual de Carrie. Ela pode servir como porta de entrada para um universo em que diferentes personagens tenham capacidades extraordinárias e precisem descobrir como conviver com elas.

 

Uma eventual segunda temporada poderia aprofundar justamente essa ideia: a existência de grupos especializados, a busca por pessoas com habilidades incomuns e a possibilidade de treinamento para que elas aprendam a controlar e aperfeiçoar seus poderes.

 

Seria interessante descobrir quem está por trás dessas iniciativas, quais são seus verdadeiros objetivos e até que ponto essa estrutura realmente pretende ajudar essas pessoas ou utilizá-las para outros fins.

 

E, claro, há uma questão ainda mais importante: como alguém que cresceu em uma situação de isolamento e repressão reagiria ao descobrir que existe um mundo inteiro além daquele que conhecia?

 

Essa perspectiva permitiria que a série explorasse temas que combinam muito bem com o estilo de Mike Flanagan: identidade, pertencimento, trauma, relações de poder e a necessidade humana de encontrar pessoas com quem seja possível compartilhar experiências que ninguém mais parece compreender.

 

É claro que essa possibilidade não significa que uma segunda temporada esteja confirmada. O final pode funcionar tanto como uma abertura para a expansão desse universo quanto como uma maneira de deixar o espectador imaginando o que existe além da história apresentada.

 

Mas confesso que gostaria de ver essa ideia desenvolvida.

 

Se a série realmente decidir seguir por esse caminho, poderemos ter uma expansão interessante da mitologia de Carrie, a Estranha, sem necessariamente abandonar os conflitos emocionais e sociais que fizeram a protagonista ser tão marcante.

 

E essa é uma das coisas que mais me animam: a possibilidade de Mike Flanagan partir de uma história clássica do terror e construir algo que vá além do que já conhecemos, mantendo a essência da personagem enquanto apresenta novas questões para o público.

 

 

Carrie, a Estranha: comparando as adaptações anteriores

A história de Carrie já passou por diferentes interpretações no cinema e na televisão. Comparar essas versões é interessante porque cada uma revela algo sobre a maneira como o terror e as preocupações sociais de determinada época se relacionam.

 

Carrie, a Estranha (1976): o clássico de Brian De Palma

A primeira adaptação cinematográfica, dirigida por Brian De Palma, é a versão que estabeleceu Carrie como um dos grandes nomes do terror.

Com Sissy Spacek no papel principal e Piper Laurie como Margaret White, o filme constrói uma atmosfera de tensão que cresce até o conhecido desfecho do baile escolar.

A interpretação de Spacek é um dos elementos mais marcantes da produção. Sua Carrie transmite estranhamento, fragilidade e uma sensação constante de não pertencimento. A personagem parece deslocada até mesmo quando está entre outras pessoas.

De Palma também utiliza recursos visuais e uma construção de suspense que ajudam a transformar a violência escolar em uma experiência de horror crescente.

É uma obra que permanece relevante porque compreende que o terror sobrenatural funciona melhor quando está ligado a conflitos humanos reconhecíveis.

 

Carrie (2002): a versão para a televisão

Dirigida por David Carson, a adaptação de 2002 trouxe Angela Bettis como Carrie e Patricia Clarkson como Margaret.

Por ser uma produção televisiva, essa versão apresenta uma abordagem diferente da linguagem cinematográfica de De Palma e explora outros aspectos da narrativa.

Uma diferença importante está no desfecho, que modifica o destino da protagonista em relação ao filme de 1976. Essa escolha altera a maneira como o espectador interpreta as consequências da história.

A produção é uma alternativa interessante para quem deseja conhecer outra leitura do romance, embora não tenha alcançado a mesma influência cultural da primeira adaptação.

 

Carrie (2013): a releitura de Kimberly Peirce

Em 2013, Kimberly Peirce dirigiu uma nova adaptação, protagonizada por Chloë Grace Moretz, com Julianne Moore no papel de Margaret.

Essa versão trouxe a história para uma linguagem mais próxima do público contemporâneo e incorporou elementos tecnológicos associados à exposição pública e ao bullying.

A escolha de Moretz também produz uma Carrie diferente daquela interpretada por Sissy Spacek: uma protagonista com outra presença física e emocional, adequada à abordagem proposta pelo filme.

A versão de 2013 é especialmente interessante para observar como a história já vinha sendo adaptada às mudanças na maneira de registrar, compartilhar e reproduzir a humilhação.

Nesse sentido, ela funciona como uma ponte entre o bullying mais localizado das versões anteriores e o ambiente digital explorado de maneira mais ampla pela série de Flanagan.

 

Carrie (2026): Mike Flanagan e a expansão da história

A principal diferença da série do Prime Video é o espaço que o formato permite para desenvolver personagens, relações e conflitos.

Em vez de condensar tudo em um longa-metragem, a produção distribui a narrativa ao longo de oito episódios. Isso permite aprofundar a experiência de Carrie, o ambiente familiar, as relações escolares e as diferentes formas de violência que moldam sua trajetória.

A série também amplia o universo sobrenatural da história, introduzindo elementos e personagens que vão além do núcleo tradicional do romance.

A atualização tecnológica, por sua vez, não é apenas visual. A exposição digital passa a fazer parte do próprio mecanismo de violência, tornando o sofrimento de Carrie ainda mais difícil de escapar.

É uma abordagem que procura preservar os fundamentos da obra de Stephen King enquanto propõe novos caminhos para a narrativa.

 

E Carrie 2: A Ira?

Vale lembrar também The Rage: Carrie 2, lançado em 1999. Embora esteja relacionado ao universo da personagem, o filme funciona como uma continuação da história, com uma nova protagonista e um novo contexto, e não como outra adaptação direta do romance original.

Para quem pretende comparar as principais versões de Carrie, ele é uma curiosidade adicional, mas deve ser visto como uma produção diferente das releituras de 1976, 2002, 2013 e 2026.

 

 

Minha opinião: Mike Flanagan conseguiu me surpreender novamente

 

Eu já sou fã das produções de Mike Flanagan. A Maldição da Residência Hill, A Maldição da Mansão Bly e Missa da Meia-Noite são exemplos de como ele consegue trabalhar o terror de maneira muito particular, explorando personagens, relações familiares, traumas e conflitos morais.

 

Por isso, estava bastante ansiosa para assistir à sua versão de Carrie, a Estranha. E posso dizer que ele conseguiu me surpreender mais uma vez.

 

O que mais gostei foi perceber como ele trouxe a personagem para o universo atual sem perder aquilo que torna sua história tão marcante.

 

Hoje, o bullying não acontece apenas dentro da escola. As redes sociais ampliam a exposição, prolongam a humilhação e permitem que uma crueldade praticada por poucas pessoas alcance um público enorme. A questão das fake news e da desinformação também torna a narrativa pertinente, porque vivemos em um ambiente no qual discursos e interpretações distorcidas podem influenciar a maneira como as pessoas enxergam quem está ao seu redor.

 

Flanagan soube incorporar essas questões sem abandonar a telecinese, a relação conturbada com a mãe, a religião e o isolamento de Carrie. Tudo isso continua presente, mas ganha novos significados quando colocado diante dos problemas do nosso tempo.

 

E preciso falar novamente sobre o elenco, porque, para mim, as escolhas dos atores fazem toda a diferença.

 

Summer H. Howell me convenceu de uma maneira especial. De todas as Carries que já assisti, ela foi a atriz que mais conseguiu transmitir essa mistura de pureza, inocência, fragilidade e raiva que considero fundamental para a personagem.

 

Existe nela algo de uma criança que cresceu acreditando em regras completamente diferentes das do mundo exterior. Carrie não compreende por que as pessoas são cruéis e parece realmente inconformada com a possibilidade de alguém sentir prazer em machucar outra pessoa.

 

Ao mesmo tempo, percebemos que essa jovem não é incapaz de sentir raiva. Pelo contrário: sua indignação cresce justamente porque ela começa a perceber a injustiça daquilo que vive.

 

É essa combinação que torna sua interpretação tão convincente. Carrie não é apenas uma vítima passiva, nem uma figura monstruosa que surge de repente. É uma adolescente que tenta entender a própria existência em meio a experiências que ninguém deveria precisar enfrentar.

 

Também achei as escolhas para a mãe e para os demais personagens muito acertadas. O elenco ajuda a construir um universo em que cada relação tem importância e em que a crueldade não parece surgir do nada. Ela é alimentada por comportamentos, relações de poder e pela facilidade com que as pessoas deixam de enxergar a humanidade de quem está diante delas.

 

Para mim, essa é uma das grandes qualidades da série: ela mantém o terror sobrenatural, mas não permite que a gente esqueça o terror que existe nas relações humanas.

 

E é por isso que acredito que vale muito a pena assistir, mesmo para quem já conhece o filme de 1976, a versão de 2002 ou o remake de 2013.

 

Não vejo necessidade de escolher uma única Carrie e desconsiderar as outras. Cada adaptação tem suas particularidades, mas a versão de Mike Flanagan oferece uma perspectiva própria, que faz sentido dentro da realidade em que vivemos.

 

Minha impressão é que Flanagan conseguiu atualizar Carrie sem retirar sua essência. Ele preservou a telecinese, a repressão familiar, a religião e o isolamento, mas trouxe tudo isso para uma sociedade em que a humilhação pode viralizar e a crueldade ganha novas ferramentas para se espalhar.

 

Gostei muito da série, gostei especialmente da protagonista e considero que a produção merece ser assistida mesmo por quem já conhece essa história de outras versões.

 

É uma releitura que não se limita a recuperar um clássico do terror: ela nos faz olhar novamente para uma história que continua dolorosamente atual.

 

 

Vale a pena assistir a Carrie, a Estranha no Prime Video?

 

Sim! Principalmente para quem gosta de terror psicológico, histórias sobre relações familiares complexas e narrativas que utilizam o sobrenatural para discutir questões humanas.

 

A série é indicada tanto para quem está conhecendo Carrie pela primeira vez quanto para quem deseja comparar a abordagem de Mike Flanagan com as adaptações anteriores.

 

Se você já assistiu ao clássico de Brian De Palma, vale observar o que mudou, como os personagens foram desenvolvidos e de que maneira o bullying se transforma quando a humilhação deixa de ser um acontecimento restrito à escola.

 

E, se você também é fã de Mike Flanagan, a série oferece mais uma oportunidade de acompanhar a maneira como ele constrói o terror a partir de personagens emocionalmente complexos.

 

 

E você, o que achou dessa nova Carrie?

Você prefere a interpretação de Sissy Spacek no clássico de 1976 ou acredita que Summer H. Howell conseguiu trazer algo novo para a personagem?

 

Quero saber também se você acha que Mike Flanagan acertou ao atualizar a história para a era das redes sociais ou se prefere as versões mais próximas da narrativa original de Stephen King.

 

Deixe sua opinião nos comentários!

Pode Ver Sem Medo

Curiosidades

Stephen King deu sua resposta inicial a isso, foi supostamente “Deixe-a em paz. Ela passou por muita coisa”. No entanto, Mike Flanagan finalmente conseguiu convencê-lo a fazer essa adaptação.

 

Stephen King ele mesmo tinha a palavra final sobre Summer H. Howellestá lançando. Mike Flanagan enviou a King suas fitas de audição, nas quais King disse: “Bem, tem que ser ela, não é? Basta olhar para ela. Essa é uma visão incrível e interessante do personagem”.

 

Mike Flanagan na verdade, abriu sua sala de redação para verdadeiros estudantes americanos do ensino médio. A equipe de Flanagan então transmitiu conceitos e roteiros da história ao grupo para garantir que a narrativa parecesse genuinamente merecida. O feedback dos adolescentes moldou diretamente tudo, desde arcos abrangentes da trama, incluindo um treinamento de bloqueio de tiro, até linhas de diálogo individuais.

Curiosidades

Onde assistir?

A série está no Prime Video com 8 episódios.

Avaliações

  • IMDB logo 7,9
    Rotten Tomatoes logo 84%
    PVSM logo 8,0

Tags:

#series #terror #horror #carrie

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