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Gabrielle

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O Problema Final: mistério clássico, personagens caricatos e uma resolução que faz tudo valer a pena

Um ator decadente precisa usar as habilidades de detetive de um de seus personagens para resolver um caso de assassinato em um hotel isolado. Agora, todos são suspeitos.

História

Na primavera de 1959, treze pessoas foram atingidas por uma violenta tempestade em uma pequena ilhota perto de Maiorca. Qualquer um deles poderia antecipar o que está prestes a acontecer no pequeno hotel onde estão hospedados: Elisa Mander, uma discreta turista britânica, é encontrada morta. O que inicialmente parece um suicídio logo levanta sinais inquietantes de que pode de fato ser um assassinato. Basil, um ator aposentado que já foi famoso por interpretar ninguém menos que Sherlock Holmes na tela grande, se vê inesperadamente encarregado de desvendar o caso. Em um lugar onde ninguém pode sair e ninguém pode alcançar todos os hóspedes, e um membro da equipe se torna suspeito de um crime que se torna mais complexo e distorcido a cada minuto.

História

Pode Ver Sem Medo

Se você gosta de histórias de mistério no melhor estilo Agatha Christie, Sherlock Holmes e Hercule Poirot, a premissa de O Problema Final, nova minissérie espanhola da Netflix, provavelmente vai chamar sua atenção imediatamente.

 

Um hotel isolado, uma tempestade, um grupo de pessoas que não pode sair do local, um assassinato aparentemente impossível e um investigador improvável.

 

Só existe um detalhe: o homem que precisa solucionar o crime não é exatamente um detetive.

 

Ele é um ator que passou boa parte da vida interpretando Sherlock Holmes.

 

E é justamente dessa ideia que nasce uma minissérie que, para mim, teve uma relação bastante curiosa com o espectador: eu gostei muito mais da história que estava sendo contada do que da maneira como ela foi desenvolvida.

 

 

A história

 

A trama se passa no verão de 1959.

 

Uma forte tempestade deixa treze pessoas isoladas em uma pequena ilha próxima a Maiorca, onde funciona um hotel praticamente sem possibilidade de comunicação com o mundo exterior. Em meio ao grupo está Benjamin Basil, um ator que viveu seu auge interpretando Sherlock Holmes, mas que agora atravessa uma fase decadente da carreira.

 

Quando Elisa Mander, uma turista inglesa, aparece morta, o que inicialmente parece ser um suicídio começa a apresentar inconsistências.

 

E então Basil entra em cena.

 

Ele não possui exatamente as habilidades de Sherlock Holmes, mas passou tantos anos interpretando o personagem que conhece profundamente os métodos de observação e dedução do famoso detetive.

 

O problema é que, naquele momento, qualquer pessoa presente no hotel pode ser o assassino.

 

E, conforme novas informações aparecem, a pergunta deixa de ser apenas "quem matou?" e passa a ser:

em quem é possível confiar?

 

A Netflix resume a proposta como a história de um ator decadente que precisa usar as habilidades de detetive de um de seus personagens para solucionar um assassinato em um hotel isolado, onde todos são suspeitos. A produção tem quatro episódios.

 

 

Basil: quando Sherlock Holmes sai da tela

 

O grande diferencial da história está justamente em Benjamin Basil, interpretado por José Coronado.

 

Basil não é Sherlock Holmes.

 

E a série faz questão de brincar com essa diferença.

 

Ele conhece os métodos do personagem, sabe observar, formular hipóteses e procurar pistas, mas também erra, se deixa levar por suspeitas e precisa constantemente separar aquilo que aprendeu interpretando Holmes daquilo que realmente consegue fazer.

 

Essa relação entre ator e personagem é uma das ideias mais interessantes da produção.

 

A própria obra original de Pérez-Reverte foi concebida como uma homenagem a Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle e ao ator Basil Rathbone, famoso por interpretar Holmes no cinema.

 

Ou seja, existe uma brincadeira metalinguística muito clara: um ator que interpretou um detetive precisa descobrir se consegue ser um detetive de verdade.

 

 

Os personagens

 

O elenco reúne figuras que parecem ter saído diretamente de um clássico policial.

 

José Coronado como Benjamin Basil é o centro da investigação. Um ator envelhecido, inteligente e bastante consciente de que sua melhor fase ficou para trás.

 

María Valverde interpreta Adela Figueroa, uma das figuras mais enigmáticas do grupo. Inteligente, observadora e cercada por segredos, ela rapidamente se transforma em uma das peças mais importantes do quebra-cabeça.

 

Martiño Rivas interpreta Francisco Foxá, escritor espanhol de romances policiais e uma espécie de contraponto intelectual de Basil. A relação entre os dois funciona quase como uma versão alternativa da dinâmica entre Sherlock Holmes e Watson.

 

Maribel Verdú vive Raquel Ausländer, outra das hóspedes que chama atenção dentro daquele grupo de personagens bastante distintos.

 

Também estão no elenco Gonzalo de Castro como Fonseca, Cristina Kovani como Vicky, José Condessa como Toni e Pepón Nieto como o doutor Seruya, entre outros.

 

E aqui existe uma característica proposital da narrativa: praticamente todo mundo parece suspeito.

 

Temos personagens com histórias mal explicadas, relações estranhas, comportamentos suspeitos e segredos que vão aparecendo aos poucos.

 

É praticamente um grande jogo de DETETIVE.

 

 

O desenvolvimento: é aqui que a série pode dividir opiniões

 

E aqui chegamos ao ponto em que minha experiência com O Problema Final ficou um pouco contraditória.

 

Eu gosto muito desse tipo de história.

 

Sou fã de narrativas no estilo Agatha Christie, de Hercule Poirot, Sherlock Holmes, crimes em ambientes fechados, vários suspeitos e aquela sensação de que qualquer pequeno detalhe pode ser a chave para solucionar tudo.

 

Por isso, a proposta tinha tudo para me conquistar.

 

Mas confesso que o desenvolvimento me deixou um pouco cansada.

 

A série aposta bastante em personagens extremamente marcados, diálogos exagerados e situações que, em determinados momentos, chegam perto da caricatura.

 

Em vez de um suspense constantemente tenso, temos momentos que parecem quase uma comédia involuntária, principalmente pela maneira como alguns personagens são construídos e pela forma exagerada com que determinadas situações são apresentadas.

 

Isso não significa necessariamente que seja um defeito para todo mundo.

 

Há quem possa justamente gostar desse tom mais teatral e da homenagem assumidamente clássica ao gênero.

 

Mas, para mim, chegou um momento em que eu queria que a investigação simplesmente avançasse.

 

E esse é o curioso: eu estava interessada em descobrir a resposta, mas nem sempre estava tão interessada no caminho até ela.

 

Algumas críticas tiveram uma percepção semelhante, apontando que os personagens podem parecer caricaturais demais e que o ritmo demora a encontrar força suficiente para sustentar o mistério.

 

Por outro lado, também houve quem enxergasse justamente nessa escolha o charme da produção: um mistério clássico, deliberadamente exagerado, com atmosfera de época e uma investigação baseada mais em observação e dedução do que em tecnologia ou ação.

 

 

O cenário é praticamente um personagem

 

Um dos pontos que mais funcionam é a atmosfera.

 

Estamos em 1959, em um hotel isolado, cercado pelo mar e completamente separado do mundo por uma tempestade.

 

Não existem celulares, internet ou recursos modernos para simplesmente descobrir quem estava onde ou consultar informações em segundos.

 

Tudo depende de:

observação, memória, conversa, dedução e desconfiança.

 

É exatamente o tipo de cenário que combina com o romance policial clássico.

 

E a produção aproveita muito bem isso visualmente, com figurinos, cenários e uma fotografia que ajudam a transportar o espectador para aquela época.

 

A Netflix classifica a série justamente entre suas produções espanholas de mistério, suspense, histórias ambientadas nos anos 1950 e adaptações literárias.

 

 

Uma homenagem a Agatha Christie e Sherlock Holmes

 

Talvez uma das coisas mais interessantes seja perceber que O Problema Final não tenta esconder suas referências.

 

Muito pelo contrário.

 

A produção nasce de uma obra literária que já era, por si só, uma homenagem ao gênero.

 

Arturo Pérez-Reverte construiu o romance como uma espécie de celebração da chamada "novela-problema": aquela história em que o leitor recebe as pistas, conhece os suspeitos e é desafiado a descobrir a solução antes do investigador.

 

A inspiração passa diretamente por Arthur Conan Doyle e Sherlock Holmes, mas também por Agatha Christie e pela tradição dos mistérios de ambiente fechado.

 

Existe ainda uma camada metaliterária interessante, porque os próprios personagens conversam sobre literatura policial e sobre as regras desse tipo de narrativa.

 

É como se a história soubesse que estamos assistindo a um clássico policial e brincasse com isso.

 

 

E o mistério?

 

Sem entregar a grande revelação:

é aqui que a série ganha muitos pontos.

 

Porque, depois de passar por um desenvolvimento que considero excessivamente longo e caricatural, a explicação para os crimes começa a reorganizar tudo o que vimos anteriormente.

 

E foi justamente nesse momento que minha percepção da série mudou.

 

A resolução não é apenas uma resposta para a pergunta "quem matou?".

 

Ela envolve identidade, vingança, passado, ressentimento e uma relação muito mais pessoal com Basil do que imaginávamos inicialmente.

 

O que parecia ser simplesmente mais um assassinato em um hotel isolado ganha uma motivação muito mais elaborada.

 

E existe uma reviravolta que faz você olhar para determinados acontecimentos anteriores de outra maneira.

 

É aquele tipo de final que faz pensar:

"Ah... então era por isso!"

 

E, para mim, isso fez diferença.

 

 

Minha opinião: afinal, vale a pena assistir?

 

Essa série me causou um efeito estranho.

 

Eu gosto muito de histórias no estilo Agatha Christie, Sherlock Holmes e Hercule Poirot. Adoro aquela fórmula de reunir várias pessoas em um ambiente isolado, colocar um assassinato no centro da história e fazer o espectador desconfiar de absolutamente todo mundo.

 

Por isso, comecei O Problema Final bastante interessada.

 

Mas confesso que o desenvolvimento me deixou um pouco cansada.

 

A história em si é bastante caricata e, em alguns momentos, parece estar beirando uma comédia. Alguns personagens são tão exagerados que fica difícil levá-los completamente a sério.

 

E talvez esse tenha sido o meu maior problema com a minissérie.

 

Eu queria sentir mais tensão e menos a sensação de estar assistindo a uma espécie de brincadeira teatral com os clichês do gênero.

 

Só que aí chegamos à resolução.

 

E preciso admitir: o crime em si, a história por trás das motivações e o plot são muito bem elaborados.

 

Quando as peças finalmente se encaixam, percebemos que havia uma trama muito mais interessante por trás daquela investigação aparentemente convencional.

 

E foi aí que pensei:

"Tá... agora valeu a pena."

 

Então, apesar de ter achado o caminho até lá cansativo, a trama foi bem construída e a resolução compensou boa parte da espera.

 

Não considero uma minissérie perfeita e certamente não entrou para minha lista de favoritos do gênero.

 

Mas se você gosta de mistérios clássicos, crimes em ambientes fechados, suspeitos demais e finais que tentam reorganizar tudo o que você acabou de assistir, acredito que vale dar uma chance.

 

Só vá preparado para um desenvolvimento mais exagerado e teatral do que talvez você esteja esperando.

 

Porque, no meu caso, foi uma experiência curiosa:

não amei o caminho, mas gostei bastante de onde ele chegou.

 

 


⚠️ SPOILER: o que realmente acontece no final?

 

Se você já assistiu e quer entender a grande revelação, a resposta é ainda mais interessante.

 

A primeira grande virada é que a mulher que todos acreditavam ser Elisa Mander não era quem parecia ser.

 

A história envolve uma troca de identidades entre Adela Figueroa e Elisa Mander, e Basil finalmente percebe que o primeiro crime estava fundamentado justamente nessa falsa identidade.

 

A verdadeira motivação dos assassinatos está ligada ao passado das duas e a uma vingança cuidadosamente construída.

 

A revelação também transforma a relação entre Basil e Adela, acrescentando uma dimensão pessoal à investigação que vai muito além do simples jogo de "descobrir o assassino".

 

É justamente essa camada que, para mim, salva a história.

 

Porque quando finalmente entendemos por que tudo aconteceu, percebemos que o mistério estava melhor elaborado do que o desenvolvimento da série fazia parecer.

 

E talvez esse seja o maior mérito de O Problema Final:

ela pode fazer você perder a paciência durante a investigação, mas consegue recuperar sua atenção quando finalmente revela o problema que estava tentando resolver desde o início.

Pode Ver Sem Medo

Curiosidades

Nomear o ex-ator espanhol famoso por interpretar Sherlock Holmes como Benjamin Basil é uma referência clara a Basil Rathbone, que é o mais famoso por interpretar Sherlock Holmes.

Curiosidades

Onde assistir?

A série está na Netflix com 4 episódios.

Avaliações

  • IMDB logo 6,3
    Rotten Tomatoes logo 100%
    PVSM logo 6,5

Tags:

#series #netflix #espanhol #crime #oproblemafinal

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